sexta-feira, 30 de maio de 2008
Espaço litúrgico não é um palco ou sala de concerto
Ribeirão Preto, segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008 (Zenit.org).
Entrevista com D. Joviano de Lima Júnior, presidente da Comissão para a Liturgia da CNBB: «Quando a celebração litúrgica se transforma num espetáculo ou concerto, perde a sua razão de ser», afirma o presidente da Comissão para a Liturgia da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
Nesta entrevista a Zenit, Dom Joviano de Lima Júnior, SSS, arcebispo de Ribeirão Preto (São Paulo), fala sobre os cuidados e a riqueza da Liturgia.
Zenit: «Qualquer celebração litúrgica é, por ser obra de Cristo sacerdote e do seu Corpo que é a Igreja, ação sagrada por excelência, cuja eficácia, com o mesmo título e no mesmo grau, não é igualada por nenhuma outra ação da Igreja» (SC, 7). Como o senhor vê o protagonismo advogado por muitos sacerdotes e também por leigos, cada um dentro de suas atribuições, na celebração da Eucaristia? Nunca se pode banalizar o fato de que Cristo é o protagonista, não?
Dom Joviano de Lima Júnior: De fato, o número sete da Constituição sobre a Sagrada Liturgia menciona as diversas presenças de Cristo e como Ele atua nesta “grandiosa obra”, na qual “sempre associa a si a Igreja.”. A Liturgia é a ação de Deus com o seu povo. É a irrupção do mistério no tempo simbolizado. Na ação litúrgica, a Trindade é glorificada e a humanidade santificada. É da genuína natureza da Liturgia a plena participação da assembléia, engajando mente, coração e o corpo das pessoas. Mas para que essa participação seja plena é preciso que seja orante e o silêncio devidamente valorizado. Quando a celebração litúrgica se transforma num espetáculo ou concerto, perde a sua razão de ser. O espaço litúrgico não é um palco ou sala de concerto. Daí a grande responsabilidade dos meios televisivos católicos, ao transmitir uma ação litúrgica.
O protagonismo nos remete à arte de celebrar, ao exercício do sacerdócio ministerial dos ministros ordenados e do sacerdócio comum do povo de Deus. Participar é celebrar e celebrar é participar. Quem preside deve estar consciente da centralidade de Jesus Cristo e da importância dos diversos ministérios. O exercício dos ministérios não é uma mera questão de funcionalidade, mas de visão de Igreja como Corpo de Cristo, animado pelo Espírito. Na Igreja escola e casa de comunhão, o Espírito distribui carismas e dons para o bem de todos. Na Liturgia celebrada, temos a mais expressiva visibilidade da Igreja povo de Deus.
Zenit: É comum na Agência Zenit recebermos mensagem dos leitores alertando para o descuidado com a liturgia, com sua beleza e importância. Isso também tem preocupado o senhor?
Dom Joviano de Lima Júnior: Sim, muito. Os últimos documentos do magistério nos alertam e nos encorajam a promover uma autêntica formação contínua e a bem celebrar os santos mistérios, garantindo uma participação ativa, consciente e frutuosa dos fiéis, impregnada da beleza, como expressão do mistério de Deus. Os abusos e as deformações precisam ser corrigidos. A partir da nossa Comissão Nacional para a Liturgia, estimulamos a integração dos três setores da pastoral litúrgica, o espaço, a música e a ação ritual. Será uma maneira de se evitar celebrações áridas, sem vida, rotineiras. E não perdermos a dimensão estética, ritual, simbólico-sacramental da divina Liturgia.
Zenit: O senhor tem percebido descuidos com a beleza da liturgia?
Dom Joviano de Lima Júnior: Em toda atividade eclesial há pessoas dedicadas e comprometidas e pessoas descuidadas e desleixadas. É preciso entrar no dinamismo da Páscoa de Cristo. Somente uma iniciação ao mistério, a mistagogia, é que se poderá reverter este quadro. A ação litúrgica bem celebrada ajuda as pessoas a recuperar o sentido e a beleza da vida, o gosto pela oração... A beleza cativa, educa e nos eleva. Ajuda-nos a mergulhar na realidade invisível do mistério.
Zenit: Diante da importância da liturgia na vida da Igreja, que cuidados os sacerdotes devem ter na preparação de suas homilias?
Dom Joviano de Lima Júnior: Em primeiro lugar, não devem se esquecer de que são ouvintes e servidores da Palavra, se quiserem comunicar e ensinar. A homilia é parte integrante da celebração litúrgica. Os ministros da Palavra devem ter um duplo olhar. Um olhar na Escritura e outro nos ouvintes da Palavra. O olhar na Escritura começa com a leitura orante da Palavra. O outro olhar leva em consideração a realidade das pessoas. Torna-se se cada vez mais freqüente a preparação comunitária da homilia. Há padres que se reúnem, semanalmente, com seus colegas para preparem juntos a homilia. Alguns párocos meditarem a Palavra e prepararem a homilia dominical, com suas equipes de Liturgia.
Zenit: E a questão dos cantos? Muitas vezes não se tem o cuidado com a beleza dos cantos. Como melhorar este ponto?
Dom Joviano de Lima Júnior: Cantar a Liturgia e não cantar na Liturgia. Essa deve ser a constante preocupação da pastoral litúrgica. O canto litúrgico acompanha o rito. Segue o tempo litúrgico. Não é um enfeite, mas oração cantada.
Com o Motu Proprio «Summorum Pontificum», Bento XVI permite a utilização do Missal Romano anterior à reforma litúrgica de 1970, Missal este promulgado por São Pio V e editado novamente pelo beato João XXIII (em 1962, quando a Missa era celebrada em latim). Tem sido alentada nas dioceses brasileiras a utilização deste Missal como forma extraordinária da celebração litúrgica?--Dom Joviano de Lima Júnior: O Santo Padre concedeu aos tradicionalistas que, em geral, sentem dificuldade em aceitar o Concílio Vaticano II e, em particular, a reforma litúgica a possibilidade de utilizar o Missal Romano de Pio V. Nossas dioceses estão empenhadas na participação ativa e frutuosa das comunidades no mistério de Cristo celebrado. Há ainda um longo caminho a percorrer para que a ação litúrgica seja, de fato, fonte e cume de toda a vida da Igreja.
Zenit: O senhor acredita que é uma riqueza poder utlizar este Missal de forma extraordinária?
Dom Joviano de Lima Júnior: Creio que o Missal de Paulo VI responde melhor às necessidades do nosso tempo. É o que podemos ler no proêmio da Sacrosanctum Concilium: “O sagrado Concílio, propondo-se fomentar sempre mais a vida cristã entre os fiéis, adaptar melhor às exigências do nosso tempo aquelas instituições que são suscetíveis de mudanças, favorecer tudo o que pode contribuir à união dos que crêem em Cristo, e revigorar tudo o que contribui para chamar a todos ao seio da Igreja, julga ser sua obrigação ocupar-se de modo particular também da reforma e do incremento da Liturgia.”
Zenit: E a questão do latim, também seria uma forma de ter acesso à riqueza e beleza da Igreja alentar nos fiéis, seminaristas e sacerdotes o contato com o latim?
Dom Joviano de Lima Júnior: Sim. Os liturgistas estudam os textos latinos. Seria bom que também os seminaristas e pastores tivessem a mesma oportunidade. É uma questão de cultura, poder saborear os textos nas fontes. Mas não podemos subestimar a língua materna, na qual aprendemos a balbuciar palavras tão ricas de sentido e sentimento como Pai, Paizinho, Mãe, Misericórdia, Bondade, Obrigado e tantas outras. Em nosso idioma, cantamos, rezamos e expressamos melhor nossos sentimentos.
O casamento é e sempre foi considerado uno e indissolúvel
Por José Caetano
Taubaté, domingo, 9 de março de 2008 (Zenit.org)
Publicamos a entrevista concedida a Zenit pelo Pe. Antônio Robson Gonçalves, MSJ, Mestre em Direito Canônico pelo Instituto de Direito Canônico «Pe. Dr. Giuseppe Benito Pegoraro», afiliado à Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, e Juiz do Tribunal Eclesiástico Interdiocesano de São Paulo.
O Pe. Antônio, que também é Superior Geral do Instituto Missionário São José, falou sobre alguns pontos do Direito Canônico que geram grande curiosidade entre os fiéis em geral.
Zenit: Tendo em vista que esse é um tema que gera grande curiosidade entre nossos leitores, gostaria que o senhor explicasse, primeiramente, a diferença entre «anular» e «declarar a nulidade».
Pe. Antonio R. Gonçalves: Veja só, é importante levar em conta que a Igreja Católica Apostólica Romana nunca anula um casamento. Anular significaria tornar sem efeito a partir daquele momento o casamento. Seria o mesmo que dizer que até determinada data o casamento foi válido e a partir daquela outra, não valeria mais. O Casamento é e sempre foi considerado pela Igreja Católica apostólica Romana como uno e indissolúvel. Quer dizer, em hipótese alguma a Igreja Católica aceita o Divórcio como alternativa válida para seus fiéis.
Não obstante a isso, sabemos que alguns casamentos não dão certo e são muitas as razões pelas quais fracassam (não vem ao caso aqui analisar cada uma destas razões). Dentre estes casamentos fracassados alguns certamente fracassaram porque foram nulos, quer dizer, apesar de toda a aparência sacramental (cerimônia, ritos e etc.) não são sacramentos de fato. Quer dizer, nunca valeram de fato, porque faltou algo de essencial para que aquele casamento, independentemente do número de anos que durou fosse realmente válido ou seja, fosse sacramento. Quando ocorre esta situação é que a Igreja, através do Tribunal Eclesiástico declara a nulidade daquele determinado casamento.
O Matrimônio goza do favor do Direito, isto é, a presunção é sempre pela validade, mas, para que seja válido o matrimônio é necessária a ausência de três capítulos ou causas que podem tornar nulo um matrimonio são estes:
1) a presença de impedimentos canônicos que são 12 no total:
- Afinidade (can. 1092);
- Consangüinidade (can. 1091);
- Parentesco Legal (can). 1094);
- Pública Honestidade (can. 1093);
- Crime de Conjugicidio (can. 1090);
- Disparidade de Culto (um católico e outro não batizado não cristão ou batizado invalidamente) é importante não confundir disparidade de culto com mista religião (um cristão católico e um cristão não católico) – não é impedimento, nesse caso não se pede dispensa, mas, licença ao ordinário do lugar (can 1124);
- Idade – (can. 1083);
- Impotência (Can. 1098);
- Ordem Sacra (can. 1087);
- Votos Religiosos (can. 1088);
- Rapto (can. 1089);
- Vínculo Anterior (can. 1085);
Estes são os impedimentos que tornam a pessoa inábil para contrair núpcias na Igreja Católica Apostólica Romana. Quem está impedido só pode se casar mediante a Licença do Bispo Diocesano ou conforme o caso somente com a Licença da Santa Sé Apostólica (Vaticano);
2) defeito (ou vício) de consentimento, ou seja, o consentimento foi viciado, não foi livre, consciente.
Na maioria das vezes podem ocorrer as seguintes situações:
a) Incapacidade – Can 1095:
- 1º. Falta do uso da razão;
- 2º. Grave falta da Discrição de juízo acerca dos ônus essenciais do matrimonio (por exemplo a imaturidade humana e psicológica);
- 3º. Causas de natureza psíquica.
b) Exclusão total ou parcial do bem da comunhão de vida e de amor (cânones 1057 § 2 e 1101§ 2);
c) Condição (Can. 1102);
d) Dolo (Can. 1098)
e) Erro de pessoa (Can. 1097);
e) Erro nas propriedades essenciais do matrimonio (can. 1099);
f) Medo e/ou temor reverencial ou violência (Can. 1103);
3) a falta da forma canônica, ou seja, a ausência de um ou mais dos seguintes elementos: A manifestação por parte dos contraentes do seu Consentimento (Eu........te recebo.......por meu marido ou por minha esposa e te prometo ser fiel....amar-te, respeitar-te .....na alegria e na tristeza.....) diante da Testemunha Qualificada (Bispo Diocesano, Pároco ou outro sacerdote ou diácono por estes delegados para aquele casamento) e diante de pelo menos duas testemunhas fidedignas. Isso se faz necessário porque o matrimonio enquanto negócio jurídico exige a existência destes três elementos que são essenciais para sua validade contratual: a capacidade jurídica, o válido consentimento livre e espontaneamente manifesto e a forma canônica estabelecida pela Igreja.
Qualquer situação que se enquadre nestes elementos pode servir de base para o processo de verificação da nulidade matrimonial. É bom lembrar que os cônjuges têm o direito de impugnar (questionar) a validade de seu matrimônio junto ao tribunal Eclesiástico. Além deles também o Promotor de Justiça Eclesiástica pode fazê-lo nas causas de maior gravidade, principalmente quando há riscos de escândalo público.
O objeto do juízo, nas causas de nulidade será sempre o consentimento, pois, segundo a máxima jurídica “ consensus facit nuptia” é o consentimento que gera o vínculo matrimonial. Os juízes analisarão se no momento exato (por isso mesmo, antecedente e concomitantemente) de externar o consentimento um ou ambos os cônjuges o fizeram validamente ou de forma defeituosa.
Zenit: Quais os procedimentos para instaurar uma Causa de Nulidade junto ao Tribunal Eclesiástico?
Pe. Antonio R. Gonçalves: Geralmente a parte interessada deve comparecer ao Tribunal Eclesiástico e passar por uma Consulta com o Vigário Judicial (que é o sacerdote encarregado de presidir o tribunal) que, após ouvi-la vai informar todos os detalhes para o encaminhamento do processo. Na consulta a pessoa interessada receberá uma lista com todos os documentos necessários e um esquema para elaborar o seu histórico onde vai contar com detalhes os fatos ocorridos desde o momento em que as partes se conheceram, quando iniciaram o namoro, como este se desenvolveu, se havia brigas, desentendimentos, quais as dificuldades foram surgindo, como resolveram estes problemas iniciais, se houve gravidez indesejada, como se deu o noivado, quanto tempo durou, como foi o relacionamento de ambos neste período, como foi a preparação das partes para o casamento, se tinham noção do significado do matrimônio enquanto sacramento uno e indissolúvel, como foi o casamento em si, a lua-de-mel, os primeiros dias de casados, as dificuldades que surgiram, quando surgiram, quais foram estas; como era o relacionamento das partes no tocante às obrigações de esposo e esposa, afazeres domésticos, emprego, trabalho, situação financeira do casal, educação e sustento da prole, quando se separaram, por quais motivos se separaram, e se tentaram ou não a reconciliação.
De posse destas informações e com os documentos em mãos a pessoa retorna ao Tribunal e será, caso queira, encaminhada a um dos Advogados (que no âmbito canônico se chamam Patronos). O Patrono, se for o caso, ou a própria parte, elabora então o Súplice Libelo (Petição Inicial) e apresenta ao Tribunal que julgando procedente vai instaurar a causa estabelecendo a Dúvida inicial (ou seja, os títulos – ou os cânones – pelos quais a causa será julgada). A outra parte é informada do processo e pode oferecer ou não a Contestação da Lide. Veja bem, é importante que a outra parte (chamada Demandada) participe do processo e apresente a sua versão para os fatos pois ao Tribunal interessa a verdade dos fatos e é o contraditório quem ajudará a esclarecer a verdade sobre estes mesmos fatos. É importante lembrar que o objeto do juízo não é uma ou a outra parte mas, o sacramento em si.
O processo, num primeiro momento, não visa saber de quem foi a culpa mas, se o matrimônio foi válido ou não. Estabelecida a Dúvida e após a contestação ou não da parte demandada o Defensor do Vínculo, que tem por obrigação aludir a tudo quanto possa garantir a validade do vínculo matrimonial apresentará os quesitos para a oitiva das partes e das Testemunhas de uma ou de ambas as partes. Terminada esta etapa o tribunal poderá solicitar, caso seja necessário, um laudo pericial. Depois se dá o que chamamos publicação dos autos. As partes tomam conhecimento dos fatos do processo. Após a perícia o Patrono, se houver, apresenta suas alegações finais, o Defensor do Vínculo ponderando as circunstâncias apresenta suas observações finais e remete os autos aos Juízes do Colégio.
Nas causas matrimonias são pelo menos três os Juízes. Cada um destes depois de ler e analisar criteriosamente os autos, emite seu voto e na Reunião de Sentença, após as ponderações de cada Juiz é estabelecida a Sentença. Terminada a causa em primeira Instância, esta é automaticamente remetida à Segunda Instância. É necessário que haja duas sentenças conformes para se declarar nulo um casamento.
O tempo de demora varia de Tribunal para Tribunal. O Código de Direito canônico estabelece como tempos máximos um ano para a Primeira instância e 6 meses para a Segunda Instância.
Zenit: Atualmente se tem uma estatística sobre o número de pedidos de declaração de nulidade matrimonial?
Pe. Antonio R. Gonçalves: Não saberia precisar o número exato de causas. Creio que a Signatura Apostólica tenha uma estatística mundial, mas desconheço que tenha publicado estes dados. Mas, em São Paulo, aproximadamente de 300 a 380 causas são protocoladas por ano, em Primeira Instância. Destas pelo menos 90% são concluídas e a maioria tem recebido sentenças afirmativas ou seja, estes casamentos foram declarados nulos.
Mas, veja bem, tudo depende de cada processo. Não significa dizer que todos os processos protocolados receberão automaticamente uma sentença afirmativa. Existem casos em que fica comprovada a validade do sacramento e assim sendo, nem mesmo o Papa pode dissolvê-los.
Zenit: Freqüentemente ouve-se dizer que algum sacerdote tenha abençoado as alianças de casais em segunda união, inclusive entre pessoas famosas, o que causa comoção na mídia...
Pe. Antonio R. Gonçalves: É preciso, antes de tudo, ver o seguinte: Tratam-se de padres realmente? São padres da Igreja Católica Apostólica Romana ou pertencem a alguma outra denominação religiosa?
Se são padres da Igreja Católica Apostólica Romana, há uma proibição para tais bênçãos, inclusive os Bispos do Regional Sul l da CNBB (Dioceses do Estado de São Paulo) publicaram orientações a este respeito, recomendando que tal prática fosse abolida, pois, na maioria dos casos, corre-se o risco de simular um matrimônio. A simulação de um sacramento é um delito canônico passível de penalidades.
Infancia Missionária promove nova gincana
No sábado 28 de junho de 2008 acontecerá mais uma gincana promovida pela Infância Missionária. A atividade, marcada pelo clima de amizade e diversão, não é livre de propósito. Há dois objetivos: conseguir amigos para Jesus e arrecadar material para a Pastoral Social.
Mais informações na secretaria paroquial.
Feijobingo
Já na concepção o evento pôde contar com este espírito: 60% dos ingredientes foram conseguidos através de doação, e por isso o grupo que promoveu o evento achou por bem que o excedente fosse redirecionado para quem precisasse - no caso, a Comunidade Toca de Assis.
O próximo Feijobingo promovido pelo Encontro de Casais com Cristo (ECC Graças) ocorrerá em setembro. Aguarde mais informações!
terça-feira, 27 de maio de 2008
Devoção a Maria
Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro
Fonte: Website da Arquidiocese do Rio de Janeiro.
16 de maio de 2008
No Brasil, a devoção a Maria, expressa de várias maneiras, incluindo a celebração do mês de Maio, encontra-se entre essas marcas que dão uma face própria à Igreja entre nós.Nas cidades e nos sertões afora, nesta época do ano, assumem importância especial essas comemorações. Os católicos se reúnem para ouvir uma leitura ou pregação e experimentar um crescimento na Fé pela Palavra de Deus. Manifestam o amor à Mãe do Senhor tanto na parte devocional quanto na cultural. Hoje, muito frequentemente, com a Santa Missa. Assim, uma oportunidade de encontro, de oração e de instrução. Somente uma falta do mais elementar senso pastoral ou uma atitude própria dos que aderem às novidades, pela admiração pura e exclusiva que provocam, como meio de autopromoção, poderão suprimir ou enfraquecer essa prática. A fidelidade à tradição mantém os ouvidos de tantos, atentos à pregação do Evangelho e os corações abertos ao amor do Filho, através da Mãe.
O mês de maio também nos oferece uma oportunidade para orientar nossa Fé, segundo a verdadeira doutrina sobre Maria e sua repercussão na vida cristã. Recordo as duas propostas, no Concílio: elaborar um Documento próprio sobre Nossa Senhora ou incluí-la na Constituição Dogmática “Lumen Gentium”. Ambas se identificavam no desejo de evitar qualquer diminuição do amor à Virgem no seio da Igreja. Venceu a última, que inseria a figura da Mãe do Redentor na própria estrutura eclesial. Na realidade, a pretexto de corrigir falhas existentes, alguns, na fase pós-conciliar, diminuíram aquelas homenagens em honra de Maria.
Contra essa anemia perniciosa, surgiu um Documento Pontifício da maior importância, datado de 02 de fevereiro de 1974. O Papa Paulo VI, publicou a “Exortação Apostólica para a reta ordenação e desenvolvimento do culto à Bem-aventurada Virgem Maria”. Nele, estão bem fundamentadas as razões que justificam o amor à Mãe de Deus. Vai além: recomenda, na parte terceira do documento, expressões de piedade mariana como o “Angelus” e o Terço. Na conclusão, afirma: “a Igreja, no entanto, instruída pelo Espírito e amestrada por uma experiência multi-secular, reconhece que também a piedade para com a Bem-aventurada Virgem Maria, subordinadamente à piedade para como Divino Salvador e em conexão com Ele, tem uma grande eficácia pastoral e constitui uma força renovadora dos costumes cristãos”.
O mês de maio, expurgado de um vazio sentimentalismo, que possa ter se infiltrado nas manifestações piedosas, é ocasião propícia para uma transmissão aos fiéis do citado documento, a fim de fortalecer, assim, o cerne de nossa vida religiosa. O eco desta “Exortação Apostólica” extrapola o seu conteúdo propriamente dito. Vai além e se reflete beneficamente em outras áreas.
O Concílio Ecumênico Vaticano II, para os que crêem, é fruto do Espírito Santo, mas, ao ser aplicado, sofre naturalmente a influência dos homens, ora por uma vida onde falta a visão sobrenatural, ora pelo pouco aprofundamento intelectual. A execução de algumas decisões foram ou desvirtuadas de seus objetivos ou esvaziadas da sua primordial intenção. No âmago, procurou-se, a pretexto de inserção no mundo, substituir Deus pelo homem.
O culto à Maria sofreu também, sob variadas intenções, certo arrefecimento. Alegavam falsas razões, como se a autêntica devoção a Nossa Senhora empanasse o louvor a Cristo Jesus, ou o legítimo culto às imagens, prejudicasse a verdadeira formação religiosa de nosso povo. Refletindo sobre esses fatos, somos levados a pensar que a mais perniciosa mentira é a meia-verdade. Sobre isto é interessante reproduzir o comentário, como sempre muito sincero, do então Cardeal Ratzinger numa memorável entrevista: “Quando eu era jovem teólogo, antes e até mesmo durante as sessões do Concílio, como aconteceu e como acontecerá, a muitos, eu alimentava uma certa reserva sobre algumas fórmulas antigas como, por exemplo, a famosa “De Maria nunquam satis” – “Sobre Maria jamais se dirá o bastante”. Esta me parecia exagerada. (...) Somente agora – neste período de confusão em que multiplicados desvios heréticos parecem vir bater à porta da fé autêntica -, passei a entender que não se tratava de um exagero cantado pelos devotos de Maria, mas de verdades mais do que válidas”.
A Exortação Apostólica após tratar, de maneira admirável, das prerrogativas de Maria, insiste sobre determinadas práticas devocionais que, pelas atitudes acima referidas, estavam sendo relegadas ao esquecimento. Esta publicação do Papa Paulo VI terá reflexos profundos, levando a um exame de posições sobre outros pontos de nossa vida cultual. Devemos distinguir na aplicação das reformas conciliares o que é o produto dos homens daquilo que é fruto do Concílio, isto é, do Espírito Santo. Para os que pertencem à Igreja, fundada por Jesus Cristo, o critério definitivo está na fidelidade ao Papa e aos Pastores, quando unidos ao mesmo.
Este mês de Maria não é só de homenagem a Nossa Senhora. Deve-nos levar, pelo estudo dessa Exortação Apostólica, a um aprofundamento teológico-pastoral da piedade mariana e ir além. Maria contradiz o desespero do mundo. Ela permaneceu fiel ao pé da Cruz. Ela é o símbolo mais completo da nossa verdadeira esperança: ela é cheia de Graça, obra total de Deus. Feliz quem entende que “todas as gerações hão de chamá-la bem-aventurada” (Lc 1, 48).
Há quase duas décadas a Arquidiocese do Rio de Janeiro vem tendo seu encerramento do “Mês de Maio” no histórico penhasco onde os cariocas cultuam Nossa Senhora da Penha de França. É o principal Santuário mariano do Rio. Ali se reúnem, no último domingo de maio, milhares de fiéis como comunidade eclesial para louvar nossa Mãe, em um só hino os ecos de suas paróquias. O Concílio Vaticano II nos ensina (“Lumen Gentium”, 60-63): “A materna missão de Maria, pois, impele o Povo de Deus a dirigir-se, com filial confiança, aquela que está sempre pronta para atender, com afeto de mãe e com o valimento eficaz de auxiliadora”.
Neste final do mês de maio, peçamos a proteção à Maria, nossa mãe e também dos embriões vivos que correm o risco de serem mortos na vã expectativa de proporcionar a saúde de outros.
Leia também:
Comentário de Zenit ao texto.
sábado, 24 de maio de 2008
Crônica sobre a Missão no HR
«DEUS CARITAS EST» Deus é amor (1 Jo 4, 16). Se precisássemos escolher uma frase para definir a experiência feita pelo grupo que aceitou realizar o desafio de levar o Evangelho e Cristo aos doentes nos Hospital da Restauração nessa manhã de sábado, dia 17 de maio de 2008, seria exatamente essa: Deus é amor.E foi justamente essa, a nossa experiência, amamos porque os doentes se deixaram amar, e nos sentimos muito amados ao receberem o nosso amor e carinho através de atos tão simples e comuns como oferecer-se para simplesmente escutar o irmão; chamá-lo para rezar um Pai-Nosso ou Ave-Maria; deixar-lhes um santinho de São Camilo, padroeiro dos doentes; deixar-lhes uma medalhinha de Nossa Senhora, entregar-lhe uma liturgia diária ainda mesmo de um mês que passou, pois ali se encontram alguns trechos do Evangelho que são o consolo, o conforto e caminho para nossa alma.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Perguntas e Respostas sobre o Apostolado da Oração
Fonte: Revista Mensageiro do Coração de Jesus1) O que é o Apostolado da Oração?
No livro dos estatutos do AO encontramos esta definição: O AO “constitui a união dos fiéis que, por meio do oferecimento cotidiano de si mesmos, se juntam ao Sacrifício Eucarístico, no qual se exerce continuamente a obra de nossa redenção, e desta forma, pela união vital de Cristo, da qual depende a fecundidade apostólica, colaboram na salvação do mundo”.
2) Como iniciar um grupo de AO?
Uma explicação inicial: no AO não falamos em “grupo”, mas o nome oficial é “centro”. Os centros são formados nas paróquias, nas comunidades ou colégios onde ainda não existe esta organização. Supõe-se que haja um grupo razoável que queira viver a espiritualidade do AO. A ereção de um novo centro deve ser feita em sintonia com o pároco e ou o diretor espiritual do AO da paróquia. Este, também, empossará a diretoria eleita: presidente, secretário(a) e tesoureiro (a), e, se oportuno, seus vice, os(as) zeladores(as) e todos os novos associados(as). A solenidade da criação e o nome dos associados devem ser inscritos num livro de atas.
3) Quais as exigências para participar do AO?
Todo católico pode entrar no AO. Os candidatos devem participar de uma preparação, para saberem o que vão assumir, mostrar vontade de viver a espiritualidade do AO, ser admitidos(as) pelo diretor espiritual e ter seu nome escrito no respectivo livro de atas.
4) A partir de que idade alguém pode entrar no AO?
A partir da Primeira Eucaristia, se ainda não existe o MEJ.
5) Qual o significado da fita?
A fita é um símbolo que significa nossa pertença ao AO. A cor vermelha lembra o amor do Sagrado Coração de Jesus.
Começa o Ano Paulino
No dia 28 de junho do ano passado (como publicado no Porta-Voz), o papa Bento XVI anunciou o Ano Paulino, um ano dedicado a São Paulo, em comemoração aos 2000 anos do nascimento desse apóstolo. O Ano Paulino começará no dia 28 de junho deste ano e se encerrará no dia 29 de junho de 2009.Segundo o Pe. José Bortolini, ssp, “o Ano Paulino pretende chamar a atenção para esse campeão da fé e da evangelização fora da Palestina. É uma oportunidade para conhecer melhor a vida do apóstolo Paulo e suas cartas, uma ocasião para criar laços de amizade com ele, sentir profundamente sua paixão pelo Senhor Jesus, paixão expressa no amor à evangelização. Quem ama Jesus não deixa de anunciá-lo.”
Como comemorar? O próprio Papa ao anunciar o Ano Paulino deu várias sugestões: “poderá ter lugar uma série de eventos litúrgicos, culturais e ecumênicos, como também várias iniciativas pastorais e sociais, todas elas inspiradas na espiritualidade paulina. Além disso, uma especial atenção poderá ser prestada às peregrinações, que de várias partes virão de forma penitencial ao túmulo do Apóstolo para encontrar a renovação espiritual. Também serão promovidos Congressos de estudos e especiais publicações sobre os textos paulinos, a fim de fazer conhecer cada vez mais a imensa riqueza do ensinamento contido neles, verdadeiro patrimônio da humanidade redimida por Cristo”. Quem quiser se aprofundar mais sobre São Paulo, além dos inúmeros livros que estão sendo publicados para comemorar este Ano Jubilar, pode começar pela própria Bíblia, no livro dos Atos dos Apóstolos, a partir do capítulo 9.
Ao decorrer dos próximos meses, O Porta-Voz estará publicando artigos sobre São Paulo, para que conheçamos mais sobre esse Apóstolo que nas suas cartas nos deixou um convite: "Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo" (1 Cor 11, 1).
B.M
terça-feira, 20 de maio de 2008
Elementos que empobrecem celebração litúrgica, segundo cardeal
Por Alexandre Ribeiro
Lisboa, segunda-feira, 19 de maio de 2008 (ZENIT.org).
Ao pedir um maior esmero com a Liturgia, o Cardeal-Patriarca de Lisboa adverte sobre alguns elementos que empobrecem a celebração litúrgica.
Na carta pastoral que Dom José Policarpo escreveu na celebração dos 30 anos de seu ministério episcopal, texto difundido este domingo, o Patriarca comenta em um dos pontos que «a Liturgia é sempre a celebração, pela comunidade dos crentes, do mistério de Cristo Redentor». «Ela deve exprimir esse mistério e envolver os participantes no seu caráter sagrado», afirma.
Segundo o cardeal, identificam-se «facilmente aqueles elementos que empobrecem algumas das nossas celebrações, tornando-as demasiadamente ação humana e ofuscando o carácter de ação de Deus a favor do Seu Povo». Dom José assinala então a «má proclamação da Palavra de Deus; demasiados discursos durante a celebração, abundância de palavra humana que ofusca a Palavra de Deus; isto inclui, por vezes, a própria homilia, destinada a ajudar a escutar a Palavra do Deus vivo e a descobrir os caminhos de resposta, na fidelidade».
Também a «má qualidade e a falta de mensagem religiosa dos cânticos, que deveriam ser uma expressão da oração e do louvor; a ausência quase total de silêncios; o exagero de gestos simbólicos de má qualidade, como é o caso de certos ofertórios; a introdução de textos profanos durante a própria ação litúrgica».
O Cardeal-Patriarca enfatiza que os sacerdotes devem ter «consciência que aquele que preside à celebração é o principal responsável da sua qualidade». «A Liturgia é a oração da comunidade e, por isso mesmo, a principal escola de oração pessoal», afirma.
Segundo Dom José Policarpo, um dos elementos que «nos permite aferir da qualidade da Liturgia que celebramos é verificar se ela é, em si mesma, momento de oração comunitária e se motiva os cristãos para a prática da oração pessoal». «Uma Igreja onde os cristãos não rezam, não é a Igreja que Deus quer e torna-se incapaz de ser sinal de esperança no mundo de hoje», afirma.
sábado, 17 de maio de 2008
Três anos de pontificado
Um balanço de Guilherme d’Oliveira MartinsFonte: Agência Ecclesia
Suceder a João Paulo II seria sempre uma tarefa muito difícil. Está bem presente nas nossas retinas o exemplo do Pontífice peregrino, interveniente e ativo (mesmo na doença), sobretudo preocupado com as tarefas pastorais. Não poderemos, porém, fazer uma apreciação das realizações atual Papa com base numa comparação – quer pela longa duração do anterior pontificado, quer pela diferenciação de prioridades de duas personalidades tão diferentes. Também não deveremos centrar-nos no confronto entre expectativas e concretizações, uma vez que há uma claríssima distinção entre as funções anteriores do Cardeal Ratzinger, na Congregação para a Doutrina da Fé, e o magistério do Sumo Pontífice.
Naturalmente que estamos perante a mesma pessoa, mas as preocupações e prioridades são agora de índole diferente – daí que sempre tenha pensado que a ação do novo Papa deveria ser vista nos passos concretos e não no campo das imagens feitas. Bento XVI é um intelectual de prestígio, um homem de grande inteligência, centrado na busca da coerência reflexiva. Assim, se é difícil fazer um balanço; há sinais positivos a realçar, avultando, entre tudo o mais, a publicação de duas encíclicas (Deus Caritas Est e Spe Salvi) que constituem reflexões muito sérias e inovadoras, a propósito de dois temas centrais na vida cristã: a caridade e a esperança.
Em ambos os textos, Bento XVI atingiu os pontos mais altos dos três últimos anos. Seguindo uma sólida fundamentação, o Papa escolheu, com muita felicidade, começar por enaltecer a virtude perene da caridade, a partir do testemunho de Jesus Cristo e do entendimento magistral de Paulo. Está, no fundo, em causa a virtude que tem como vocação a eternidade, assumindo o amor toda a sua riqueza e expressão multímoda (ágape, filia e eros). E o tempo revelará, por certo, que este documento do magistério papal terá a maior importância futura, sobretudo se adequadamente prosseguido em ação pastoral da Igreja Universal.
O mesmo se diga da recente encíclica sobre a Esperança, elaborada em linha com o texto sobre a Caridade, também em termos de grande segurança e abertura. Em ambos os documentos, o Papa utiliza um método inovador e muito promissor, que é o de citar textos e autores profanos, em confronto com textos da Igreja, para melhor ilustrar as idéias e reflexões propostas. Este procedimento, inédito até este pontificado, abre horizontes novos, uma vez que põe o pensamento religioso em diálogo com o mundo e as idéias contemporâneas, em nome do enaltecimento da razão e da compreensão dos seus limites (a invocação de autores como Adorno e Horkheimer é, neste sentido, muito curiosa e significativa).
O tema das relações entre razão e fé é crucial no pensamento e no ensino de Bento XVI. Leiam-se, por isso, os discursos de Ratisbona (que suscitou incompreensões, sobretudo para quem não leu ou não compreendeu) e da Sapienza em Roma e verifique-se que há uma genuína preocupação de fundamentar e de mobilizar os nossos contemporâneos para o essencial da mensagem cristã, num contexto pluralista, que não deve ser confundido com o relativismo moral ou ético. Num momento em que a indiferença e o vazio de valores parecem querer dominar a vida, e em que a conseqüência desses fenômenos é o desenvolvimento da intolerância e do fanatismo, Bento XVI tem procurado contribuir para lançar pistas de resposta para os grandes problemas da existência humana nos dias de hoje, e também para que a paz e a justiça não sejam palavras vãs. Nesta perspectiva, é importante salientar estes fatores positivos, até para que eles se traduzam em uma maior eficácia pastoral, quer nos novos continentes, quer na Europa.
Tudo dependerá agora do modo como a Boa Nova continuará a ser proclamada. E é fundamental aproximar as pessoas concretas dessa exigência. O Amor não pode ser uma abstração. A Esperança tem de animar a vida quotidiana. Eis por que razão Justiça e Graça, Fé e Razão, Liberdade e Crença têm de se ligar com equilíbrio e fecundidade.
E essas bases sólidas terão de fundamentar uma audaciosa e prudente ação de exemplo e de persistência (como a levedura na massa). E em tempo de lançar a semente à terra, importa pensar na colegialidade e na maior partilha de responsabilidades no seio da Igreja.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja
Com relação as DGAE anteriores, no que diz respeito às perspectivas adotadas para a ação evangelizadora, as diretrizes deste ano não apresentam nenhuma novidade, mantendo os três âmbitos de ação: pessoa, comunidade e sociedade. Para cada âmbito são indicados (1) o desafio principal, (2) o cerne da mensagem cristã como fundamento e critério do agir e (3) algumas pistas de ação (DGAE n. 102). O documento está dividido em três capítulos mais a conclusão.
O primeiro capítulo trata da Realidade que nos interpela, onde é feita uma “exposição descritiva que pretende apenas mencionar os elementos de cunho cultural, social, econômico, político, ético e religioso mais marcantes na atual sociedade brasileira” (DGAE n.11).
O capítulo seguinte trata dos Discípulos missionários numa Igreja em estado permanente de missão. Aqui são apontadas as quatro exigências intrínsecas da evangelização: o serviço, o diálogo, o anúncio e o testemunho de comunhão (que também permanecem as mesmas). Tais exigências intrínsecas da evangelização “se operacionalizam pastoralmente pela presença da Igreja nos três âmbitos de ação, que constituem tanto o espaço como as realidades onde o Evangelho precisa ser encarnado: pessoa, comunidade e sociedade” (DGAE n.56). Em seguida é mostrado que após recolher essas exigências, a ação evangelizadora as realizada através do tríplice múnus: Ministério da Palavra, Ministério da Liturgia e Ministério da Caridade. Nesse capítulo também é dado destaque à questão da vocação, da formação e da espiritualidade dos discípulos missionários.
O terceiro capítulo apresenta as Pistas de ação para a missão evangelizadora. Como já foi dito, para cada âmbito de ação é apresentado um desafio principal. O primeiro âmbito, que é a pessoa, tem como o desafio a construção da identidade pessoal e da liberdade autêntica na atual sociedade. Cada ser humano é dom de Deus, e a nossa fé cristã nos ensina que “a dignidade do ser humano tem sua raiz mais profunda no próprio Deus” (n.103). Assim é preciso que cada pessoa seja respeitada, reconhecida e valorizada em sua liberdade, autonomia, responsabilidade e dignidade, em todos os setores a que pertence (família, mundo do trabalho, comunidade) e em todas as etapas da sua vida (infância, adolescência, juventude, fase adulta e velhice).
O segundo âmbito trata da comunidade e o desafio a ser enfrentado é a fragmentação da vida e a busca de relações mais humanas. “A fraternidade cristã é aberta e quer acolher todos os seres humanos, sem fazer discriminação. (...) Todas as pessoas, indistintamente, são convocadas à vida de fraternidade e comunhão” (n. 151). A Boa-Nova do Reino de Deus quando inspira a experiência comunitária, impele que a união e a fraternidade sejam assumidas em todas as instâncias da vida.
O desafio do terceiro âmbito o escândalo da exclusão e da violência na sociedade consumista nos interpela à realização da solidariedade. “O compromisso social tem sua raiz na própria fé. O interesse autêntico e sincero elos problemas da sociedade nasce da solidariedade para com as pessoas e do encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo” (n. 178). A pobreza, a fome, a justa distribuição de renda, a segurança, a violência, a política, a corrupção, a educação, o crescimento urbano, os excluídos pela sociedade, tudo isso requer uma atenção especial da Igreja.
Por fim, a conclusão: “Ai de mim se eu não evangelizar”. Interpelada pelas palavras do apóstolo Paulo, e inspirada pela Conferência de Aparecida, a Igreja no Brasil assume o compromisso com a Missão Continental: “A Igreja presente em nosso país tem, a partir da convocação de Aparecida, a grande chance de convidar todos que se unem na mesma fé em Cristo para contribuírem, de maneira única e insubstituível, para a unidade, a fraternidade e a paz entre os povos e países do Continente” (n. 213).
B.M.
Discutir o aborto cria mentalidade perversa
Por Alexandre Ribeiro
Salvador, domingo, 11 de maio de 2008 (ZENIT.org).
O simples fato de discutir sobre a possibilidade do aborto já abre a porta para «uma deformação da cultura, para uma mentalidade que cultiva uma sensibilidade perversa, na qual a morte aparece como solução».
É o que afirma nesta entrevista a Zenit Dom João Carlos Petrini, bispo auxiliar de Salvador (Bahia), especialista em questões de vida e família. Dom Petrini foi perito na Conferência de Aparecida no âmbito da bioética.
Como está a questão demográfica no Brasil?
Dom João Carlos Petrini: O índice de natalidade no Brasil está nos níveis da pura reposição. Cada mulher está em média gerando dois filhos. Isso quer dizer que os dois filhos gerados por uma mulher repõem o pai e a mãe que futuramente irão morrer. Nesse sentido, do ponto de vista demográfico, este é um índice pelo qual a população não cresce mais e fica apenas, digamos assim, num intercâmbio positivo. Abaixo de dois filhos por mulher começamos a ter aquilo que se chama de inverno demográfico, assim como acontece em muitos países da Europa, e com um processo de envelhecimento, porque os jovens vão diminuindo e os idosos continuam prolongando a sua vida graças a recursos da medicina. Isso cria desequilíbrios demográficos e desequilíbrios nas contas de qualquer nação. Porque se avolumam os gastos com aposentadoria, com saúde dos idosos, e não há jovens suficientes que possam repor os idosos e trabalhar para poder pagar inclusive a conta da população que vai envelhecendo.
É claro que a população brasileira continua aumentando como número absoluto. Não por causa de uma exagerada reprodução, como se poderia pensar há 20 ou 30 anos atrás. Mas por causa do aumento da expectativa de vida, graças às condições melhores de higiene, de saúde, das condições gerais de existência. A vida média que era, no começo do século passado, de 33 anos para um brasileiro, agora está em torno de 70 anos e acima de 70 anos. Mas esse crescimento do número absoluto da população brasileira é uma questão de pouco tempo. Na realidade, os índices de reprodução estão nesse momento na posição ideal.
Que consequências uma cultura que agride a vida humana pode trazer?
Dom João Carlos Petrini: A agressão à vida tem consequências incalculáveis. Porque, além da agressão em si, isso também cria uma mentalidade: a idéia de que a existência humana pode ser eliminada. Assim, a vida humana quando atrapalha, poderia ser posta fora de cena, ser liquidada. Isso cria um ambiente difícil na convivência social, em que depois acontecem formas de violência que são absurdas. Pais que matam filhos, filhos que matam pai e mãe...
Discutir, conversar sobre a possibilidade do aborto abre a porta para uma deformação da cultura, para uma mentalidade que cultiva uma sensibilidade perversa, na qual a morte aparece como solução. Toda a nossa civilização foi construída exatamente na percepção de uma potência divina mais forte do que a morte: a ressurreição de Cristo.
Devido a essa potência divina oferecida, doada a nós por Jesus, foi que o fez com que desde os primeiros tempos as comunidades cristãs cuidassem dos órfãos, das viúvas, dos leprosos, dos doentes em geral. E é por isso que no seio da Igreja nasceram os orfanatos, as Santas Casas de Misericórdia, os hospitais e os cuidados com as pessoas rejeitadas por todos e abandonadas. Isso significa que a vida é mais poderosa do que a morte, porque a morte foi vencida. E por isso nós abraçamos, amamos e cultivamos a vida, especialmente lá onde ela aparece mais vulnerável e frágil.
Quando agora começamos a dizer que a morte pode ser para nós uma solução, uma resposta, nós subvertemos o fundamento da civilização ocidental. E com consequências que nós não podemos avaliar adequadamente, em termos de incentivo à violência e à destruição.
Temos muitas razões para amar a vida. Em primeiro lugar porque a vida humana é uma grande dádiva, um dom extraordinário. E temos muitos motivos para acolhê-la e protegê-la. Diante da existência humana, não podemos apenas nos apresentar com cálculos mesquinhos de utilidades, de conveniências, de pesos, de atrapalhações. Temos de abrir um pouco o nosso horizonte, como que seguindo um convite que nos fez o Papa Bento XVI de alargar o uso da razão para compreender toda a riqueza e toda a grandiosidade de uma existência humana. É um sinal de dignidade, de grandeza, o sacrifício, a dedicação que um homem, uma mulher, pode dar de si para acolher, proteger e ajudar a vida humana a crescer.
Hoje se fala de uma ecologia humana...
Dom João Carlos Petrini: Uma carta encíclica do Papa João Paulo II, Centesimus Annus, nos números 38 e 39, traz uma proposta que foi um pouco esquecida. O Papa fala da necessidade de uma ecologia humana. Nós demoramos 200 anos para entender que não é possível utilizar todo o poder técnico de que dispomos para depredar a natureza, porque a natureza tem a sua própria finalidade, que deve ser respeitada. Respeitar as águas dos rios, as florestas, as espécies animais, o ar, é fundamental. Do mesmo modo, nós devemos entender que é necessário respeitar limites quando se trata da existência humana. A ecologia humana significa uma atenção para preservar a dignidade. Para preservar especificamente o humano do homem. Para que o homem não vire um animal, onde se devora um ao outro.
Todo o Brasil se comoveu, chocado, com a morte da menina Isabella. Aqueles que ainda não nasceram são iguais à Isabella, só um pouco menores de tamanho e de idade. Mas em nada diferentes, mesmo estando dentro do ventre materno, ainda terminando a primeira etapa da sua formação. Mas são idênticos àquela menina Isabella, que foi arremessada de uma janela no sexto andar de um prédio em São Paulo. Nós não queremos que nenhuma mulher e nenhum homem carreguem o peso de estar destruindo vidas humanas, porque isso é algo que não está ao nosso dispor, não está no nosso poder. E por isso é uma transgressão grave à lei divina, inclusive à lei da natureza.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Papa concede Indulgência Plenária por ocasião do Ano Paulino
Cidade do Vaticano, 10 mai (RV)Fonte: Radio Vaticano
Bento XVI concede a indulgência plenária por ocasião do Ano Paulino, proclamado para celebrar os dois mil anos de nascimento de São Paulo. A Penitenciaria Apostólica publicou hoje o relativo decreto, que abrange o período que vai de 28 de junho próximo até 29 de junho de 2009, Solenidade dos Santos Pedro e Paulo.
Pode-se lucrar a indulgência para si mesmo ou para os defuntos, visitando, em forma de peregrinação, a Basílica papal de São Paulo fora dos Muros, em Roma. São necessárias as habituais condições: a confissão, a comunhão e a oração segundo as intenções do papa, praticadas com espírito de arrependimento e destacado de todo pecado, mesmo venial.
O decreto estabelece ainda que podem obter a indulgência plenária também os fiéis das várias igrejas locais que, satisfeitas as costumeiras exigências, "participarem devotamente de uma função sacra ou de um piedoso exercício publicamente realizados em honra do Apóstolo dos Gentios, nos dias da abertura solene e do encerramento do Ano Paulino, em todos os lugares sagrados, e em outros dias determinados pelo Bispo local, nos lugares sagrados intitulados a São Paulo, e, para a utilidade dos fiéis, em outros lugares designados pelo mesmo Bispo".
A indulgência plenária é concedida também aos fiéis que, "impedidos por doença ou outra causa legítima e relevante" e com o propósito de satisfazer as habituais condições tão logo for possível, se unirem espiritualmente a uma celebração jubilar em honra a São Paulo, oferecendo a Deus as suas orações e sofrimentos pela unidade dos cristãos. (PL/BF)
1º Seminário de gestão Apostólica
ABORDAGEM
"Na casa de meu Pai há muitas moradas" (Jo 14,2)
Em qual delas você mora? Como ela é?
JUSTIFICATIVA
"O que faz sua associação católica? O que a diferencia das demais e a faz com que ela seja necessária para a Igreja e para os homens?" São perguntas como estas que poderão ser respondidas por você depois desta capacitação. Assim, você e sua associação terão condições de identificar os elementos essenciais no seu serviço à Igreja e construir uma imagem que atraia outros fiéis católicos.
PARTICIPAÇÃO
Sábado 31 de Maio, das 9h às 11h30
Matriz das Graças
Adesão: 1 kg de alimento não perecível que será destinado à pastoral social
domingo, 11 de maio de 2008
Terço «traz paz e reconciliação», explica Papa
Roma, segunda-feira, 5 de maio de 2008 (ZENIT.org)
«O Santo Terço não é uma prática relegada ao passado», mas uma oração que «traz paz e reconciliação», disse Bento XVI ao concluir a oração mariana que presidiu em 3 de maio na basílica de Santa Maria a Maior.
Foram muitos os fiéis que foram no primeiro sábado de maio, mês tradicionalmente dedicado a Maria, para acompanhar esta antiga prática de devoção mariana, dedicada nesta ocasião à reflexão sobre os mistérios gozosos: da Anunciação a Maria ao episódio de Jesus no templo, sentado entre os doutores.
Com as notas do «Tu e s Petrus» (Tu és Pedro), o Papa fez sua entrada na mais antiga basílica mariana de Roma, erigida por Sisto III, cuja construção está ligada ao Concílio de Éfeso, que no ano 431 proclamou a Maria Theotòkos, Mãe de Deus.
Antes de iniciar a oração do terço, o Santo Padre se deteve a venerar em silêncio o ícone de Nossa Senhora, «Salus Populi Romani». A imagem que, segundo a tradição, foi pintada pelo evangelista Lucas, e que atualmente é custodiada na Basílica, era no passado levada em procissão pela população para agradecer a Mãe de Jesus pela proteção concedida durante calamidades naturais.
«Na experiência de minha geração – disse o Papa, abandonando-se a algumas lembranças da infância –, as tardes de maio evocam doces lembranças ligadas aos encontros vespertinos para prestar homenagem a Nossa Senhora.»
Bento XVI se deteve na força ainda viva desta devoção mariana: «Hoje, juntos, confirmamos que o Santo Terço não é uma prática relegada ao passado, como oração de outros tempos na qual pensamos com nostalgia».
«O terço está experimentando quase uma nova primavera – acrescentou. Este é sem dúvida um dos sinais mais eloqüentes do amor que as jovens gerações nutrem por Jesus e por sua Mãe, Maria.»
«No mundo atual tão dispersivo, esta oração ajuda a colocar Cristo no centro, como Maria, que meditava interiormente tudo o que se dizia de seu Filho e o que Ele fazia e dizia.»
O Papa elevou uma invocação a Nossa Senhora para acolher a graça que emana dos misté rios do terço, «para que, através de nós, possa ‘irrigar’ a sociedade, a partir das relações cotidianas, e purificá-la de tantas forças negativas, abrindo-a à novidade de Deus».
«Com efeito – acrescentou –, o terço, quando se reza de modo autêntico, não mecânico e superficial, mas profundo, traz paz e reconciliação. Contém em si a potência curadora do nome santíssimo de Jesus, invocado com fé e com amor no centro de cada Ave Maria.»
Daí o convite do Papa a todos os fiéis para que, durante o mês mariano, eles se sintam «próximos e unidos na oração», para formar, com a ajuda de Nossa Senhora, «um só coração e uma só alma».
Ao final, Bento XVI se dirigiu ao novo prefeito de Roma, Gianni Alemanno, acompanhado d e sua esposa Isabella Rauti, dirigindo-lhe «o augúrio de um frutífero serviço ao bem da cidade». Alemanno, que ao ser eleito enviou um telegrama ao Santo Padre, anunciou já ter pedido uma audiência privada a Bento XVI.
Depois, o Papa saudou também a embaixadora americana Mary Ann Glendon, e o ex-porta-voz vaticano, Joaquim Navarro-Valls.
CNBB publica diretrizes de evangelização
As edições CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) lançam, neste mês de maio, o documento sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no país para os anos 2008 a 2010.
Segundo o organismo episcopal, as diretrizes têm, entre outros, os objetivos de delinear e promover a pastoral orgânica das dioceses, paróquias e realidades eclesiais.
O texto, em linha com as contribuições do Documento de Aparecida, foi aprovado na recente assembléia plenária da CNBB realizada em abril.
O documento pode ser encontrado nas Edições CNBB, pelo e-mail vendas@edicoescnbb.org.br ou pelo site www.edicoescnbb.org.br.
De onde vêm e para onde vão as paróquias?
Por Miriam Díez i Bosch.
Madri, terça-feira, 6 de maio de 2008 (ZENIT.org)
A paróquia não é um tema esgotado e sua vitalidade e renovação provocam rios de tinta, constatou um congresso do Instituto Superior de Pastoral de Madri – recolhido agora em um livro – que analisou o que é hoje a paróquia, qual é seu fruto e em que momento se remontam suas origens.
O tema foi tratado na XVIII Semana de Teologia e Pastoral do Instituto Superior de Pastoral da Universidade Pontifícia de Salamanca (www.upsa.es) em janeiro de 2007, cujas contribuições formam o volume «Sobre a paróquia: balanço e perspectivas», recém-publicado este ano pela Verbo Divino.
«Eu creio na paróquia, a missão da paróquia me parece insubstituível e a paróquia do futuro necessariamente deve fazer uma renovação em profundidade», afirma como ponto de partida Jesús Sastre García, professor do Instituto Superior de Pastoral, da Universidade Pontifícia de Salamanca.
A paróquia nasce em tempos de evangelização e em contexto rural, no século IV, e surge como «para adotar a ação pastoral da primitiva comunidade urbana às zonas rurais recém-evangelizadas» informa este sacerdote, doutor em Teologia, Filosofia e Ciências Sociais, que foi o encarregado de abrir estas reflexões sobre a paróquia.
«Desde seu início, concebeu-se como Igreja local em uma comunidade extra-muros, a cargo de um presbítero», afirma este autor de numerosos livros sobre acompanhamento pastoral dos jovens.
As origens da instituição paroquial se remontam então ao século IV, favorecidas pelo Edito de Milão, que ao reconhecer os cristãos como cidadãos do Império Romano, permitiu que pudessem se mover livremente.O crescimento dos cristãos nas cidades obrigou a dividir-se em comunidades a cargo de um presbítero, casas que recebiam o nome de tituli, eram comunidades pessoais sem marcas territoriais.
No século V se fazem construções para as celebrações. «Este processo de nascimento e expansão da paróquia é concomitante com a crise do catecumenato e na generalização progressiva do batismo de infantes», revela este sacerdote.
A reforma carolíngia (séculos VIII-IX) foi um momento significativo na evolução da paróquia, porque o imperador Carlos Magno dividiu o império em dioceses e paróquias, «buscando melhorar a vida espiritual e a unidade em torno da dependência jurídica do bispo frente às ingerências dos senhores feudais». Aqui se designa que os fiéis pertencem à paróquia por circunscrição e não por livre escolha.
O Concílio de Trento também reforçou a paróquia, chamada de «a unidade pastoral mais importante» e se dará muita relevância à prática sacramental.
Já nos séculos XVIII e XIX a paróquia vive a influência das mudanças sociais. Começa-se a ver a importância dos leigos na ação pastoral e a necessária independência da Igreja com relação aos poderes públicos.
Antes do Concílio Vaticano II, houve tentativas de renovação paroquial, especialmente o chamado «movimento litúrgico». Este ajudou a paróquia a descobrir sua origem «histórica e comunitária», a «valorizar a Palavra de Deus» e a «purificação das devoções», agrega o autor.
O movimento missionário, nascido na França nos anos 40, pôs em crise o modelo de paróquia aludindo à falta de missão da instituição. Começou a nascer a «sociologia da missão», e uma palestra de Yves Congar titulada «Missão da paróquia» cristalizou a necessidade da paróquia aberta à sociedade. Começaram atividades paroquiais para acolher jovens, marginalizados, etc.
No Concílio Vaticano II se exorta a que «floresça o senso comunitário paroquial, sobretudo na celebração comum da missa dominical» (SC 42).
Define-se então a paróquia como «parte da diocese», como «comunidade de fiéis que se reúne para a Eucaristia, dá testemunho do Senhor ressuscitado e evangeliza o meio».
«Na paróquia se dão os elementos fundamentais que constituem a vida cristã: Palavra de Deus, sacramentos, comunidade, ministérios e atenção aos necessitados. Isso faz que a paróquia tenha vocação de globalidade», recorda o professor Sastre.
O sacerdote constata depois de seu percurso histórico como «na prática, a paróquia é a referência mais próxima e comum para os crentes».
Para renovar a vida paroquial, o autor sugere «não dar por certo que exista a paróquia», mas «criá-la, com comunidades que cultivam a vida de fé, o compromisso social e o trabalho evangelizador».
O trabalho «inicial» da paróquia é fundamental: «iniciar e reiniciar na fé é a tarefa mais urgente e importante na totalidade de nossas paróquias», recorda o professor Sastre García.
«A paróquia-comunidade deve sentir-se em estado de missão» e deve ajudar a «superar o divórcio entre a Igreja e a sociedade», anima.
«Não podemos prescindir da paróquia: a solução está em sua renovação, para a qual se precisa de uma ‘pedagogia de mudança’», conclui.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Bento XVI volta a promover adoração eucarística
Por Marta Lago
Cidade do Vaticano/Roma, quarta-feira, 7 de maio de 2008 (ZENIT.org)
Bento XVI exorta a promover o amor pela Eucaristia para que surjam grupos de «adoradores» de Jesus Sacramentado.
É um chamado que o Papa renovou nesta quarta-feira, ao término da audiência geral celebrada na Praça de São Pedro – no Vaticano –, ao saudar a peregrinação que dirigem as Adoratrizes Perpétuas do Santíssimo Sacramento pela beatificação de sua fundadora.
A basílica papal de São João de Latrão acolheu no sábado o rito pelo qual foi elevada aos altares Maria Madalena da Encarnação (Caterina Sordini).
Originária de Porto Santo Stefano – província italiana de Grosseto –, onde nasceu em 1770, a nova beata ingressou aos 18 anos no mosteiro franciscano de Ischia di Castro; lá permaneceu durante duas décadas. Depois se trasladou a Roma, onde, por inspiração do Senhor, fundou o mosteiro da Ordem das Adoratrizes Perpétuas do Santíssimo Sacramento. Faleceu na Cidade Eterna em 1824. A Santa Sé havia reconhecido em 1818 o Instituto, cujo número de mosteiros é de cerca de 100 no mundo.
Ao dirigir um «pensamento especial» à peregrinação que as religiosas promovem por ocasião dessa beatificação – a quem também saudou no domingo, após o ‘Regina Caeli’ –, o Papa acrescentou: «Animo a promover cada vez mais o amor pela Eucaristia, para que surjam, junto a cada mosteiro da Ordem, grupos de ‘adoradores’».
«Assim se realizará o anseio de vossa beata fundadora – acrescentou –, que amava repetir: ‘Que Jesus seja de todos conhecido, amado, adorado e depositário de agradecimento em cada momento no Santíssimo e Diviníssimo Sacramento’».
Nem fuga nem evasão da realidade: a alma «fortemente contemplativa» da beata Sordini é «uma provocação» «dirigida a nós, ao máximo compromisso de comportar-nos como crentes sempre e em todo lugar», «para realizar em nosso interior e no mundo o Reino de Deus, que é reino de paz, justiça, santidade e amor», disse no sábado, em sua homilia, o cardeal José Saraiva Martins.
Como delegado do Papa, o prefeito da Congregação vaticana para as Causas dos Santos celebrou a beatificação da religiosa italiana na basílica lateranense, às vésperas da solenidade da Ascensão do Senhor.
«Jesus não nos abandona, mas está sempre conosco», como Ele mesmo promete; e «o grau máximo de intensidade de sua permanência conosco se realiza no sacramento da Eucaristia, em seu duplo aspecto, de celebração e de permanência», sublinhou o purpurado português.
E ela «acreditou firmemente nas palavras de Jesus», Maria Madalena da Encarnação, uma mulher que «volta a apresentar-nos seu testemunho de fé na presença do Filho de Deus na vida da Igreja, centrada na Eucaristia», seguiu.
«Fascinada pelo Mistério Eucarístico», a religiosa fez de sua vida «um ato de adoração»; «sua missão – recebida do próprio Senhor – foi a de propor» «a toda a Igreja a experiência de uma adoração que fosse ‘perpétua’» – recordou o cardeal Saraiva.
«Como Jesus permanece no sacramento também depois da celebração, é necessário que nós fiquemos com Ele» em uma «adoração que se prolongue no tempo» – continuou –, de forma que a Eucaristia seja «memória perene do Amor de Deus pelos homens, um fogo capaz de incendiar todos os lugares da terra».
De acordo com o purpurado, o testemunho da nova beata é um impulso «para não perder jamais a convicção da importância fundamental e insubstituível da oração e, sobretudo, do reconhecimento da Eucaristia em seu papel de fonte e cume de nossa vida de fé».
A religiosa recorda que «do coração de Jesus Eucaristia brota misteriosamente uma vida nova, capaz de renovar ao povo cristão».
«A beata Madre Sordini pensava em seus mosteiros como centros de irradiação espiritual para toda a humanidade – apontou o cardeal prefeito. Com efeito, a adoração do Pão Eucarístico deve impulsionar o cristão, por sua vez, a repartir sua própria pessoa e a revolucionar seu próprio estilo de vida para oferecer-se aos irmãos.»
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Rejeitado projeto de descriminalização do aborto
Em uma reunião tumultuada, marcada por manifestações favoráveis e contrárias à proposta, um grupo de deputados que defendia a continuidade da discussão se retirou do plenário em protesto. Eles queriam a realização de mais uma audiência pública e apresentaram vários requerimentos para o adiamento da votação, que foram rejeitados.
Mudalen considerou a votação histórica e lembrou que três audiências públicas sobre o tema foram realizadas na comissão, no ano passado. "Depois de 17 anos tramitando, nós fizemos audiências, ouvimos pessoas favoráveis e contrárias, mas a vida acaba de vencer aqui, agora e democraticamente. A gente tem que saber perder e ganhar", disse.
A deputada Cida Diogo (PT-SP), autora de um dos sete votos em separado apresentados ao projeto, defendeu o fim da criminalização do aborto. Ela lamentou a votação, especialmente por ter ocorrido uma semana depois de a Justiça do Mato Grosso do Sul ter indiciado quase 10 mil mulheres pelo crime de aborto. "Estamos vivenciando um processo no qual a questão dogmática, fundamentalista foi priorizada em detrimento do debate democrático, do debate sobre o estado de Direito que vivemos no nosso País, que é laico e democrático. Infelizmente, a correlação de forças hoje é desfavorável a essa lógica de pensamento, e foi o reflexo dessa votação".
(Fonte: Agência Câmara. Disponível em http://www2.camara.gov.br/internet/homeagencia/materias.html?pk=121458)
De acordo com o Movimento Defesa da Vida (da Arquidiocese do Rio de Janeiro), além da deputada Cida Diogo, o deputado José Aristodemo Pinotti também apresentou seu voto a favor do projeto anti-vida. Segundo a mesma fonte, o deputado Pinotti, "voltou a mencionar, para justificar seu voto, que existe uma diminuição do número de abortos nos países aonde esta prática foi legalizada".
O Movimento Defesa da Vida assegurou perante estas afirmações que "o argumento, constantemente repetido pelos abortistas, é provadamente errado porque não considera os números dos países, inclusive no primeiro mundo, como o caso da Inglaterra, Espanha, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, e outros mais, nos que após de sua legalização, o número de abortos contínua aumentando, em vez de diminuir".
"José Aristodemo Pinotti, além de médico e deputado federal, é também dos anos 70 membro da Junta de Representantes do Population Council, entidade pertencente às organizações Rockefeller que, fundada em 1952, foi o cérebro que coordenou o desencadeamento internacional do controle populacional e da ofensiva atual que procura a implantação do aborto em todo mundo", precisou Defesa da Vida.
(Fonte: ACI Digital. Disponível em http://www.acidigital.com/noticia.php?id=13310)