terça-feira, 29 de julho de 2008

Fé e política

Estamos vivendo um tempo em que as atenções se voltam para a campanha eleitoral, na busca de votos para prefeito e vereadores dos municípios de todo o Brasil. É uma verdadeira corrida na busca dos eleitores cujo poder de decisão está submetido a uma série de fatores que vão desde amizade até a real confiança na capacidade de legislar e governar. O mundo da política, para muitos, encanta; para outros, preocupa; para outros ainda, tanto faz...

A noção de “política” ou de “participar da política” nem sempre está muito clara na cabeça das pessoas. A política é tudo aquilo que interessa a todos nós, é o cuidado das coisas públicas. As pessoas que lutam pelos seus direitos e cumprem os seus deveres na cidade onde moram, que participam de associações de bairro, sindicatos e outras modalidades estão fazendo política. Política, portanto, não tem a ver somente com eleições, mandatos parlamentares, partidos políticos ou governo. Tudo o que fazemos tem uma conotação política.

Penso que para todos nós, eleitores, este período de campanha política é de fundamental importância, pois nos obriga a conhecer os candidatos, os programas de governo, os programas dos partidos, a história de cada um, a fim de exercer o direito de escolha, pelo voto, da forma mais consciente possível. Votar por votar, deixar de votar ou anular o voto é a atitude de quem não tem amor à própria casa. Afinal como vou dar o direito de governar, de quatro em quatro anos, para alguém que eu desconheço? Por isso queremos exercer a nossa cidadania de forma correta e plenamente livre. Em nenhum momento e por nenhuma oferta devo vender ou comprar o voto. A sua vida e a vida dos concidadãos não tem preço. As conseqüências virão sem sombra de dúvidas. Quatro anos não serão quatro cestas básicas ou quatro contas de luz e água pagas agora.


Muito mais que o voto, sua escolha representa o destino que pretende dar ao município. Neste sentido a CNBB, OAB, Ministério Público, e mais de 20 entidades participam do Movimento de Combate à Corrupção eleitoral (MCCE). Aqui em nossa cidade vamos lançar oficialmente o Comitê 9840, no próximo dia 28 às 10hrs na sala do Centro Pastoral da Catedral. O tempo da politicagem, do abuso do poder político e econômico, promovendo politiqueiros cujo trabalho é a auto promoção já não podem existir mais. Transparência, compromisso, justiça social, ética, igualdade e dignidade para todos deve ser a bandeira principal de todo homem e mulher que se coloca a serviço do bem comum.

O mundo da política nos envolve a todos, e nos faz participantes efetivos de um processo, que não termina no dia cinco de outubro. Por isso nossa permanente vigilância em todos os atos do Governo Municipal, da Câmara dos Vereadores, pois a democracia exige atitudes concretas, participação ativa antes, durante e depois do pleito eleitoral. O Apóstolo Tiago escreve: “A fé sem obras é morta”(Tg 2,26). Fé e Política são distintas, porém se complementam na prática da vida. A fé não se justifica sem obras. A vivência da fé é necessária e tem como conseqüência a ação prática da política. Fazer política é uma das formas mais nobres de amar o próximo.

Dom Anuar Battisti, Arcebispo de Maringá (PR)
Fonte: http://www.cnbb.org.br/index.php?op=pagina&chaveid=010c0000413

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Santa Sé estuda pedido de «Unidade Corporativa» de grupo anglicano

Confirma o cardeal Levada em uma carta para a Comunhão Anglicana Tradicional
Cidade do Vaticano, segunda-feira, 28 de julho de 2008 (ZENIT.org).

A Santa Sé segue com «séria atenção» o pedido de «unidade corporativa» com a Igreja católica apresentada pela Comunhão Anglicana Tradicional, ramo ao qual pertencem aproximadamente 400 mil anglicanos.

Isto pode ser constatado em uma carta enviada pelo cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, ao primaz desta Comunhão, o arcebispo John Hepworth. A carta, que traz a data de 5 de julho, foi escrita antes que se iniciasse a Conferência de Lambeth, que reúne os representantes da Comunhão Anglicana a cada 10 anos, e que recebeu ameaças de cisma, em particular por dois pontos principais.

Em primeiro lugar, a intenção dos episcopalianos (ramo americano da Comunhão Anglicana) de ordenar bispos homossexuais; em segundo lugar, a possibilidade de reconhecer a ordenação de mulheres bispos, algo que já foi aprovado no início de julho pelo sínodo geral da Igreja da Inglaterra.

Segundo explica a carta do purpurado, no último ano, «a Congregação para a Doutrina da Fé estudou as propostas que foram apresentadas em nome da Câmara dos Bispos da Comunhão Anglicana Tradicional durante sua visita aos escritórios deste dicastério, em 9 de outubro de 2007». «Dado que se aproximam os meses de verão, desejo assegurar-lhe a séria atenção que a Congregação dispensa à perspectiva de unidade corporativa nessa carta», acrescenta.

O cardeal Levada reconhece que «a situação na Comunhão Anglicana em geral se fez ainda mais complexa neste mesmo período de tempo». Por este motivo, conclui, «enquanto a Congregação possa responder de maneira mais definitiva às propostas que os senhores enviaram, lhes informaremos».

O primaz da Comunhão Anglicana Tradicional recebeu a carta do representante vaticano, através do núncio apostólico na Austrália, em 25 de julho e imediatamente publicou uma nota de agradecimento. «É uma carta de alento cálido. Respondi expressando minha gratidão em nome de ‘meus irmãos bispos’, reafirmando nossa determinação de alcançar a unidade pela qual Jesus rezou tão intensamente na Última Ceia, sem importar os custos pessoais que isto implique entre nossos seguidores», explica o arcebispo Hepworth.

«Esta carta deveria alentar a toda Comunhão, e àqueles amigos que nos ajudaram. Deveria nos estimular também a renovar nossa oração pelo Santo Padre, pelo cardeal Levada e pela equipe da Congregação para a Doutrina da Fé, assim como por todos os sacerdotes e leigos, enquanto avançamos a uma comunhão mais próxima em Cristo com a Santa Sé», afirma.

O arcebispo agradecer particularmente o fato do cardeal mencionar a «unidade corporativa», «um caminho raras vezes percorrida no passado, mas essencial para cumprir a oração de nosso Mestre e Pai: ‘que sejam um’».

Os fiéis da Comunhão Anglicana Tradicional, pouco menos de meio milhão, estão presentes na África, Austrália, no Estreito de Torres, Canadá, América Latina, Inglaterra, Irlanda, Índia, Paquistão, Japão e nos Estados Unidos.

Mais informação em http://www.themessenger.com.au/

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Pe. João celebra missa no Hemope


No dia 16 de julho, dia de Nossa Senhora do Carmo, o Padre João Novais celebrou às 10 horas a Santa Missa para os doentes deste hospital. Foram poucos os que puderam comparecer ao auditório, mas os presentes estavam contritos acompanhando bem.

Foi uma atitude louvável e merece ser repetida,uma vez que, os doentes precisam de momentos de conforto e oração e,a Igreja deve se fazer presente e, Pe. João sempre se mostra disponível para a celebração.
A iniciativa partiu dos agentes da pastoral da Saúde, que vem realizando suas visitas no horário da noite.

Um agradecimento especial à equipe de música – Eliane e Ivanildo que, com a voz e o som, tantos benefícios trouxeram para esses irmãos enchendo os corações de alegria.

Caso você se sinta atraído para esse serviço compareça a uma das nossas reuniões de formação que acontecem na 1ª terça-feira de cada mês às 15 horas ou às 19 horas.



Lígia Rebelo
Pastoral da Saúde

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Homilia do Papa na abertura solene do Ano Paulino

Roma, segunda-feira, 30 de junho de 2008 (ZENIT.org).
Em O Porta-Voz, edição de Julho (Ano XXIII, Nº 01), foi publicado um extrato deste texto.

Publicamos a homilia que Bento XVI pronunciou na tarde do sábado, durante as primeiras vésperas da solenidade dos Santos apóstolos Pedro e Paulo, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, inauguração do Ano Paulino, com a participação do patriarca ecumênico de Constantinopla, Sua Santidade Bartolomeu I:


Santidade e delegados fraternos, senhores cardeais, venerados irmãos no Episcopado e no sacerdócio, queridos irmãos e irmãs,

Estamos reunidos diante do túmulo de São Paulo, que nasceu há dois mil anos em Tarso de Cilícia, na atual Turquia. Quem era esse Paulo? No templo de Jerusalém, frente à multidão agitada que queria matá-lo, ele se apresenta com estas palavras: «Eu sou judeu, nascido em Tarso de Cilícia, mas educado nesta cidade, instruído aos pés de Gamaliel na exata observância da Lei de nossos pais; estava cheio de zelo por Deus». No final de seu caminho, ele dirá de si: «Eu fui constituído arauto e apóstolo, mestre dos gentios, apóstolo e pregador de Jesus Cristo»; assim ele caracteriza a si mesmo em uma visão retrospectiva do percurso de sua vida. Mas com isso, o olhar não se dirige ao passado. «Mestre dos gentios» – esta palavra se abre para o futuro, para todos os povos e todas as gerações. Paulo não é para nós uma figura do passado, que recordamos com veneração. Ele é também nosso mestre, apóstolo e anunciador de Jesus Cristo também para nós.

Portanto, estamos reunidos não para refletir sobre uma história passada, irrevogavelmente superada. Paulo quer falar conosco hoje. Por isso eu quis convocar este especial «Ano Paulino»; para escutá-lo e aprender agora dele, como nosso mestre, na fé e na verdade, na qual estão radicadas as razões da unidade entre os discípulos de Cristo. Nesta perspectiva eu quis acender, para este bi-milênio do nascimento do Apóstolo, uma especial «chama paulina», que permanecerá acesa durante todo o ano, em um círio especial colocado no pórtico da basílica. Para solenizar este acontecimento, inaugurei também a chamada «Porta Paulina», através da qual entrei na basílica acompanhado pelo patriarca de Constantinopla, o cardeal arcipreste e por outras autoridades religiosas.

É para mim motivo de uma íntima alegria que a abertura do Ano Paulino assuma um particular caráter ecumênico pela presença de numerosos delegados e representantes de outras igrejas e comunidades eclesiais, que acolho com o coração aberto. Saúdo em primeiro lugar Sua Santidade o patriarca Bartolomeu I e os membros da delegação que o acompanha, assim como o nutrido grupo de leigos de várias partes do mundo que vieram a Roma para viver com ele e com todos nós estes momentos de oração e de reflexão. Saúdo os Delegados Fraternos das Igrejas que têm um vínculo particular com o apóstolo Paulo – Jerusalém, Antioquia, Chipre, Grécia – e que formam o ambiente geográfico da vida do Apóstolo antes de sua chegada a Roma. Saúdo cordialmente os Irmãos das diversas Igrejas e Comunidades eclesiais do Oriente e do Ocidente: junto a todos vós eu quis fazer parte deste início solene do ano dedicado ao Apóstolo dos Gentios.

Estamos, então, reunidos para interrogar-nos sobre o grande Apóstolo dos gentios. Nós não nos perguntamos somente «Quem era Paulo?». Nós nos perguntamos sobretudo: «Quem é Paulo? O que ele me diz?». Nesta hora do início do Ano Paulino que estamos inaugurando, quero escolher do rico testemunho do Novo Testamento três textos nos quais aparece sua fisionomia interior, o específico de seu caráter. Na Carta aos Gálatas, ele nos doou uma profissão de fé muito profissional, na qual ele abre seu coração frente aos leitores de todos os tempos e revela qual é a fonte mais íntima de sua vida: «Vivo na fé do Filho de Deus que me amou e se entregou por mim». Tudo aquilo que Paulo faz parte deste centro. Sua fé é a experiência do ser amado por Jesus Cristo de maneira totalmente pessoal; é a consciência do fato de que Cristo enfrentou a morte não por algo anônimo, mas por amor a ele – Paulo – e que, como resultado, Ele o ama ainda, Cristo se doou por ele. Sua fé é o ser alcançado pelo amor de Jesus Cristo, um amor que o perturba até o mais íntimo e o transforma. Sua fé não é uma teoria, uma opinião sobre Deus ou sobre o mundo. Sua fé é o impacto do amor de Deus sobre seu coração. E assim, esta mesma fé é amor por Jesus Cristo.

Por muitos, Paulo é apresentado como um homem combativo que sabe usar a espada da palavra. De fato, sobre seu caminho de apóstolo não faltaram as disputas. Ele não buscou uma harmonia superficial. Em sua primeira carta, aquela dirigida aos tessalonicenses, o mesmo diz: «tivemos a valentia de pregar-vos o Evangelho de Deus entre freqüentes lutas... Nunca nos apresentamos, bem o sabeis, com palavras aduladoras, nem com pretextos de cobiça...». A verdade era para ele grande demais para estar disposto a sacrificá-la em vista de um êxito exterior. A verdade que havia experimentado no encontro com o Ressuscitado fazia a luta, a perseguição e o sofrimento valerem a pena para ele. Mas o que o motivava no mais profundo era o ser amado por Jesus Cristo e o desejo de transmitir a outros esse amor. Paulo era alguém capaz de amar, e todo seu atuar e sofrer se explicam a partir deste centro. Os conceitos fundados em seu anúncio se compreendem unicamente com base nisso. Tomemos somente uma de suas palavras-chaves: a liberdade. A experiência do ser amado até o final por Cristo lhe havia aberto os olhos sobre a verdade e sobre o caminho da existência humana – essa experiência abraçava tudo. Paulo era livre como homem amado por Deus que, em virtude de Deus, tinha a capacidade de amar junto com Ele. Este amor é agora a «lei» de sua vida e justamente assim é a liberdade de sua vida. Ele fala e atua movido pela responsabilidade do amor; ele é livre, e dado que é alguém que ama, ele vive totalmente na responsabilidade desse amor e não toma a liberdade como pretexto para o arbítrio e o egoísmo. No mesmo espírito, Agostinho formulou a frase depois famosa: «Ama e faze o que queres». Quem ama a Cristo como Paulo o amou, pode verdadeiramente fazer o que quer, porque seu amor está unido à vontade de Cristo, e por isso, à vontade de Deus; porque a vontade está ancorada na verdade e porque sua vontade não é mais que simplesmente sua vontade, árbitro de seu eu autônomo, mas está integrada à liberdade de Deus e dela recebe o caminho a ser percorrido.

Na busca da fisionomia interior de São Paulo, quero, em segundo lugar, recordar a palavra que Cristo ressuscitado lhe dirige no caminho de Damasco. Antes o Senhor lhe pergunta: «Saulo, Saulo, por que me persegues?». Ele responde: «Quem és, Senhor?». E lhe é dada a resposta: «Eu sou Jesus, a quem tu persegues». Perseguindo a Igreja, Paulo persegue o próprio Jesus. «Tu me persegues». Jesus se identifica com a Igreja em um só sujeito. Nesta exclamação do ressuscitado, que transformou a vida de Saulo, no fundo está contida toda a doutrina sobre a Igreja como Corpo de Cristo. Cristo não se retirou no céu, deixando sobre a terra uma seqüela de seguidores que levam sua causa adiante. A Igreja não é uma associação que quer promover uma certa causa. Nela não se trata de uma causa. Nela se trata da pessoa de Jesus Cristo, que também como Ressuscitado permaneceu «carne». Ele tem carne e ossos», afirma o Ressuscitado em Lucas, frente aos discípulos que o haviam considerado um fantasma. Ele tem um corpo. Está pessoalmente presente na Igreja, «Cabeça e Corpo» formam um único sujeito, diria Agostinho. «Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo?», escreve Paulo aos Coríntios. E acrescenta que como, segundo o Livro do Gênesis, o homem e a mulher se tornam uma só carne, assim Cristo com os seus se torna um só espírito, um único sujeito no mundo novo da ressurreição. Em tudo isso, visualiza-se o mistério eucarístico, no qual Cristo doa continuamente seu Corpo e faz de nós seu Corpo: «o pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo? Porqu e ainda sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, pois todos participamos de um só pão». Com estas palavras se dirige a nós, neste momento, não só Paulo, mas o próprio Senhor: Como haveis podido lacerar meu Corpo? Frente ao rosto de Cristo, esta palavra se converte ao mesmo tempo em uma petição urgente: volta a unir-nos depois de todas as divisões; faz que hoje se torne novamente realidade: há um só pão; portanto, nós, apesar de sermos muitos, somos um só corpo. Para Paulo, a palavra «Igreja» como Corpo de Cristo não é uma comparação qualquer. Vai muito mais além de uma comparação. «Por que me persegues? Continuamente, Cristo nos atrai para seu Corpo, edifica seu Corpo a partir do centro eucarístico, que para Paulo é o centro da existência cristã, em virtude do qual todos, como também cada indivíduo, podemos experimentar de maneira totalmente pessoal: Ele me amou e se entregou por mim.

Quero concluir com uma palavra tardia de São Paulo, uma exortação a Timóteo desde a prisão, frente à morte. «Suporta comigo os sofrimentos pelo Evangelho», diz o Apóstolo a seu discípulo. Esta palavra, que está no final dos caminhos percorridos pelo apóstolo como um testamento, leva-nos para trás, ao começo de sua missão. Depois do seu encontro com o ressuscitado, Paulo se encontrava cego em seu quarto em Damasco; Ananias recebeu a tarefa de ir até o perseguidor temido e impor-lhe as mãos, para que recuperasse a vista. À objeção de Ananias que este Saulo era um perseguidor perigoso dos cristãos, é dada a resposta: «Este homem deve levar meu nome aos gentios, aos reis e aos filhos de Israel. Eu lhe mostrarei tudo o que terá de padecer por meu nome». A missão do anúncio e o chamado ao sofrimento por Cristo estão inseparavelmente unidos. O chamado a ser o mestre dos povos é ao mesmo tempo e intrinsecamente um chamado ao sofrimento na comunhão com Cristo, que nos redimiu mediante sua Paixão. Em um mundo no qual a mentira é potente, a verdade se paga com o sofrimento. Quem quer evitar o sofrimento, afastá-lo de si, tem afastada a própria vida e sua grandeza; não pode ser servidor da verdade e, assim, servidor da fé. Não há amor sem sofrimento, sem o sofrimento da renúncia de si mesmos, da transformação e purificação do eu pela verdadeira liberdade. Onde não há nada que valha que se sofra por isso, também a própria vida perde seu valor. A eucaristia – o centro de nosso ser cristão – se funda no sacrifício de Jesus por nós, nasceu do sofrimento do amor que na cruz encontrou seu cume. Nós vivemos desse amor que doa. Isso nos dá a valentia e a força de sofrer com Cristo e por Ele, dessa forma, sabendo que justamente assim nossa vida se torna grande, madura e verdadeira. À luz de todas as cartas de São Paulo, vemos como em seu caminho de mestre dos povos se cumpriu a profecia de Ananias na hora do chamado: «Eu lhe mostrarei tudo o que terá de padecer por meu nome». Seu sofrimento o torna confiável como mestre de verdade, que não busca seu próprio proveito, a própria glória, o prazer pessoal, mas se empenha por Aquele que nos amou e se entregou por todos nós.

Nesta hora na qual agradecemos o Senhor porque chamou Paulo, tornando-o luz dos povos e mestre de todos nós, oramos: Dai-nos também hoje o testemunho da ressurreição, tocai-nos com vosso amor e fazei-nos capazes de levar a luz do Evangelho em nosso tempo. São Paulo, rogai por nós. Amém.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Óbolo de São Pedro recolhe quase 80 milhões de dólares para caridade do Papa

Estados Unidos é o país que mais colaborou
Cidade do Vaticano, quarta-feira, 9 de julho de 2008 (ZENIT.org).

Em 2007, o óbolo de São Pedro – as ofertas dos fiéis de todo o mundo a favor das obras de caridade do Papa – recolheu quase 80 milhões de dólares, cerca de 50 milhões de euros, revelou nesta quarta-feira um comunicado difundido pelo Conselho dos Cardeais para o Estudo dos Problemas Organizativos e Econômicos da Santa Sé, que se reuniu no Vaticano entre 3 e 4 de julho, sob a presidência do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado.

Segundo explica a nota, o óbolo de São Pedro «está constituído pelo conjunto das ofertas destinadas a assistir o Papa em sua missão apostólica caritativa». Em particular, «compreende a coleta realizada nas Igrejas particulares, sobretudo por ocasião da solenidade dos Santos Pedro e Paulo, as contribuições procedentes dos institutos de vida consagrada, das sociedades de vida apostólica e de fundações, assim como de donativos de fiéis particulares».

«O Santo Padre destinou o óbolo à realização obras de caridade a favor de populações de vários países do mundo, atingidas por calamidades, para apoiar a numerosas iniciativas das comunidades eclesiais do terceiro mundo, e para ajudar as Igrejas locais mais pobres», informa o comunicado.

Segundo este informe, «em 2007, chegaram donativos no valor de 79.837.843 dólares». Isso supõe uma diminuição com relação a 2006, quando se havia recolhido 101.900.192 dólares. A generosidade dos católicos dos Estados Unidos, segundo o informe, contribuiu em 28,29% a esta quantidade, em particular, com 18.725.327 dólares. Segue depois a Itália, que contribuiu com 13,04% (8.632.171), Alemanha, com 6,08% (4.026.308 dólares), Espanha, com 4,10% (2.205.917 dólares), Brasil, com 2,18% (1.441.987 dólares) e República da Coréia, com 1,60% (1.055.71 dólares). O Vaticano informa que «também chegou à Santa Sé uma oferta no valor de 14.309.400 dólares por parte de um doador que quis manter o anonimato».

Santa Sé encerra seu balanço anual com déficit de 9 milhões de euros

No entanto, a Cidade do Vaticano experimenta um superávit de 6,7 milhões
Por Jesús Colina
Cidade do Vaticano, quarta-feira, 9 de julho de 2008 (ZENIT.org).

A Santa Sé encerrou o balanço econômico de 2007 com um déficit de 9 milhões de euros, cerca de 14 milhões de dólares, revela um comunicado difundido pelo Conselho dos Cardeais para o Estudo dos Problemas Organizativos e Econômicos da Santa Sé, que se reuniu no Vaticano entre 3 e 4 de julho, sob a presidência do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado. No balanço, declara a nota vaticana, «aparecem entradas de 236.737.207 euros e saídas de 245.805.167. O resultado líquido é, portanto, um déficit de 9.067.960 euros depois de que nos últimos três balanços (2004, 2005 e 2006) se registraram resultados positivos em um total de 15.206.587 euros».

O balanço foi apresentado aos purpurados pelo arcebispo Velasio De Paolis, C.S., a quem Bento XVI nomeou em abril passado como presidente da Prefeitura dos Assuntos Econômicos da Santa Sé.

Como contrapeso, fechou com um superávit de 6,7 milhões de euros (cerca de 10,5 milhões de dólares) o balanço econômico do governo do Estado da Cidade do Vaticano relativo a 2007, apresentado também nessa reunião. No ano anterior se havia fechado com um superávit de 21,8 milhões de euros. O balanço econômico da Cidade do Vaticano, com seus museus e seus serviços próprios como os de qualquer outra cidade (inclui desde a farmácia até o supermercado), é independente do da Santa Sé.

Por sua parte, o balanço econômico da Santa Sé não conta com entradas diretas, com exceção das doações de dioceses, congregações religiosas e de fiéis de todo o mundo. No entanto, seus serviços só geram gastos. Na Cúria Romana trabalham em seu conjunto 2.748 pessoas (44 a mais que no ano 2006), das quais 778 são eclesiásticos, 333 religiosos e 1.637 leigos (dentre os quais 425 são mulheres). Os aposentados são 929.

O orçamento da Santa Sé inclui os gastos das nunciaturas apostólicas e representações pontifícias nos cinco continentes e nas organizações internacionais, assim como os custos de seus meios de comunicação. Dado que uma das perdas mais importantes no balanço econômico da Santa Sé é o déficit da «Rádio Vaticano», «o governo da Cidade do Vaticano se comprometeu a apoiar estes custos, contribuindo com a cobertura da metade do déficit (12,2 milhões de euros)», informa a nota. Também geraram perdas os custos de publicação de «L’Osservatore Romano». Contudo, outros meios de comunicação da Santa Sé começam a ter lucros».

Resultados positivos procedem «da Tipografia Vaticana, que fechou o balanço com um superávit de um milhão de euros; do Centro Televisivo Vaticano, com um superávit de 458.754 euros; e da Livraria Editora Vaticana, com lucros de 1,6 milhão de euros», informa o comunicado.

Segundo a nota, um dos principais motivos de déficit do último ano da Santa Sé se deve à desvalorização do dólar. Os gastos da Santa Sé são em sua grande maioria em euros, mas boa parte de suas entradas, em dólares.

Na reunião de cardeais participaram os purpurados Roger Michael Mahony, arcebispo de Los Angeles (Estados Unidos); Camillo Ruini, até pouco vigário do Papa para a diocese de Roma (Itália); Antonio María Rouco Varela, arcebispo de Madri (Espanha); Anthony Olubunmi Okogie, arcebispo de Lagos (Nigéria); Juan Luis Cipriani Thorne, arcebispo de Lima (Peru); Edward Michael Egan, arcebispo de Nova York (Estados Unidos); Eusébio Oscar Scheid, arcebispo do Rio de Janeiro (Brasil); Gaudencio B. Rosales, arcebispo de Manila (Filipinas); e Nicholas Cheong Jinsuk, arcebispo de Seul (Coréia).

O balanço econômico da Santa Sé será traduzido aos principais idiomas e enviado a todos os bispos e aos superiores gerais dos institutos de vida consagrada e das sociedades de vida apostólica.

Ordenação episcopal de mulheres na Comunhão Anglicana, obstáculo para unidade

Comunicado do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos
Por Kathleen Naab/Jesús Colina
Cidade do Vaticano, terça-feira, 8 de julho de 2008 (ZENIT.org).

A decisão da Igreja da Inglaterra de abrir o caminho para a ordenação episcopal de mulheres constitui um obstáculo para a unidade com a Igreja Católica, declara a Santa Sé.

Na segunda-feira, uma votação após quatro horas de debate no Sínodo geral da Igreja da Inglaterra estabeleceu que «o desejo da maioria [do Sínodo] é que as mulheres sejam admitidas no episcopado». O Sínodo prevê medidas particulares para quem se opõe a esta decisão, ainda que estas medidas ainda não tenham sido definidas.

O Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos comentou o voto nesta terça-feira, através de um comunicado.

«Recebemos com pesar a notícia do voto da Igreja da Inglaterra que abre o caminho à introdução da legislação que leva à ordenação de mulheres no episcopado», diz o Conselho vaticano, cujo presidente é o cardeal alemão Walter Kasper.

O organismo vaticano recorda que «a posição católica sobre esta matéria foi expressa claramente pelo Papa Paulo VI e pelo Papa João Paulo II. Uma decisão assim significa uma ruptura na tradição apostólica mantida por todas as Igrejas do primeiro milênio e, por este motivo, um ulterior obstáculo para a reconciliação entre a Igreja Católica e a Igreja da Inglaterra».

O Conselho reconhece que «para o futuro, esta decisão terá conseqüências para o diálogo, que até agora havia dado bons frutos, como o cardeal Kasper explicou claramente ao dirigir-se, em 5 de junho de 2006, a todos os bispos da Igreja da Inglaterra por convite do arcebispo de Canterbury».

O cardeal voltou a ser convidado pelo arcebispo a apresentar a posição católica na próxima Conferência de Lamberth, no final de julho.

A Conferência da Comunhão Anglicana, uma reunião que acontece a cada 10 anos, será realizada de 16 de julho a 4 de agosto. Nesse encontro também se discutirá sobre a nomeação de bispos homossexuais e sobre o matrimônio homossexual.

Líderes anglicanos convocaram uma reunião em Jerusalém, no mês de junho passado, para discutir sobre o que eles chamaram de pregação de um «falso Evangelho» sobre a moral sexual.

Decidiram permanecer na Comunhão Anglicana, que reúne cerca de 77 milhões de fiéis no mundo, mas formar um conselho separado de bispos, a Conferência Anglicana Global Futura. Alguns desses representantes anglicanos estão pensando em boicotar a Conferência de Lambeth.

A edição de «L’Osservatore Romano» em italiano de 9 de julho cita especialistas em anglicanismo para afirmar que, no futuro, o diálogo entre os católicos e os anglicanos encontrará novas dificuldades «em parte por causa da evidente falta de unidade no interior da própria Igreja da Inglaterra».

De fato, segundo este artigo, assinado por Roberto Sgaramella, a surpresa não foi o voto favorável à ordenação episcopal de mulheres, e sim o fato de que a maioria não tenha dado sua disponibilidade para encontrar uma solução para quem se opõe a esta decisão.

«Tudo isso poderá criar profundas crises de consciência para esses bispos, esses pastores e fiéis que estão contra a ordenação de mulheres. Não se pode excluir, de fato, que certo número dessas pessoas que sofrem uma crise religiosa possa encontrar a solução a seus problemas espirituais com uma adesão à Igreja Católica ou a outras confissões cristãs», afirma o jornal vaticano.

«As atuais dificuldades de diálogo entre a Igreja de Roma e a Igreja da Inglaterra não devem nunca desanimar os cristãos de rezar a Deus e a atuar em favor da plena unidade», conclui.

Começa Centenário da Medalha Milagrosa

Carta do superior geral à Família Vicentina
Por Nieves San Martín
Roma, sexta-feira, 4 de julho de 2008 (ZENIT.org).

De 8 de julho de 2008 a 20 de novembro de 2009 se celebrará o Centenário da Aprovação Pontifícia da Associação da Medalha Milagrosa. Em 8 de julho de 1909, foi formalmente reconhecida esta Associação, que nasceu das Aparições da Virgem Maria a Santa Catarina Labouré.

Com este motivo, o superior geral da Congregação da Missão de São Vicente de Paulo, Pe. Gregory Gay, escreveu uma carta titulada «Cem anos peregrinando com Maria, Unidos a Jesus nos pobres por meio da Medalha Milagrosa».

A carta convoca as celebrações desse Centenário, que reunirá a Família Vicentina (integrada pelos Padres Paulinos, as Irmãs da Caridade e outros ramos religiosos e leigos inspirados na espiritualidade de São Vicente de Paulo).

O superior geral inicia sua carta com as palavras «Minha alma glorifica o Senhor meu Deus». «A oração já é conhecida por todos como o Magnificat – explica. Esta expressão de Maria manifesta o que sentimos como membros da Família Vicentina e, em particular, os membros da Associação da Medalha Milagrosa, neste Ano Jubilar, no qual celebramos os 100 anos de reconhecimento pontifício como Associação».

Ao longo desses 100 anos, na Associação da Medalha Milagrosa, afirma o superior geral, «constataram-se vários aspectos positivos em nosso caminhar junto com a Virgem Maria».

Desde o princípio, recorda que foi uma Associação ativa, cujo apostolado principal foi a oração para promover uma maior devoção à Virgem Maria. «Ela é um exemplo para todos nós – acrescenta – de como viver nossa vida conseqüente com os ensinamentos de seu Filho Jesus Cristo, sendo Ela mesma a primeira discípula de seu Filho.»

A Associação desenvolveu este apostolado de oração e evangelização através da simples visita domiciliar, explica o superior geral, «em que, em um ambiente familiar, as pessoas de fé e de boa vontade, vão se enamorando de Nosso Senhor Jesus Cristo através da proximidade a sua Mãe, Maria».

Há muitos anos, este apostolado de oração foi desenvolvido através de vários meios de comunicação, principalmente o correio. Graças a este meio se criou uma enorme rede, tanto no âmbito nacional como internacional, que põe sa pessoas em comunicação com uma profunda devoção à Virgem Maria.

Sobre esse longo período de 100 anos, caminhando com Maria, «também estas pessoas simples contribuíram, com suas pequenas, mas significativas doações, com as Missões e promoção dos pobres em muitas partes do mundo», afirma o superior geral.

Mais recentemente, estendeu-se um apostolado de serviço, em imitação de Maria, «que faz a visita à sua pobre prima Isabel, dando-lhe a consolação que só nosso Deus da Vida pode dar a alguém em necessidade – indica a carta. Junto com este apostolado, deu-se um crescimento na arte de amar o pobre e a Virgem Maria, representante principal do ‘anawin’ do Senhor, através da formação dos membros da Associação».

Outra grande conquista, recorda o superior geral, foi um maior vínculo com o resto da Família Vicentina. Maria da Medalha Milagrosa é a principal padroeira de toda a Família. Através de seu amor e intercessão para com suas filhas e filhos, cada vez mais jovens são atraídos à Associação, compartilhando a mensagem mariana e o apostolado em favor dos pobres, através de seu testemunho de vida.

«A Associação deu resposta às novas pobrezas – afirma. Tentou favorecer projetos de evangelização e de serviço para, com e desde a realidade de nossos amos e senhores, os pobres.»

«Sem dúvida foi Maria da Medalha Milagrosa, com sua intercessão, quem favoreceu nosso caminhar», indica; e pede «que Ela continue acompanhando-nos neste Ano Jubilar que se estenderá de 8 de julho de 2008 a 20 de novembro de 2009. Encerraremos nosso Ano Jubilar com o 3º Encontro Internacional que acontecerá em Paris, na Rue du Bac, dos dias 16 a 20 de novembro».

E conclui convidando todos os membros da Associação da Medalha Milagrosa, e outros membros da Família Vicenciana, «a realizarem atividades para promover uma maior devoção à nossa Mãe, Maria, e o amor aos pobres, fazendo tudo o que fazemos para a maior honra e glória de nosso Deus».

sábado, 5 de julho de 2008

Cristo não é um obstáculo para a vida nem para a liberdade

Bento XVI enviou uma especial mensagem aos numerosos jovens que participaram no 49º Congresso Eucarístico Internacional celebrado na cidade de Quebec, no Canadá, o qual foi concluído no domingo, 22 de Junho. Na sua mensagem, o Papa convida os jovens a "anunciar sem receio" Cristo que liberta.

Queridos jovens
De Roma, sinto-me feliz por vos saudar e vos garantir a minha oração no momento em que estais reunidos por ocasião do 49º Congresso eucarístico internacional do Quebec. Alegro-me pela atenção que dedicais ao mistério da Eucaristia, "dom de Deus para a vida do mundo", como ressalta o tema do Congresso. Convido-vos a meditar incessantemente este "grande mistério da fé", como o proclamamos em cada Missa, após a consagração. Em primeiro lugar, na Eucaristia, revivemos o sacrifício do Senhor no ocaso da sua vida, mediante o qual ele salva todos os homens. Permanecemos também próximos dele e recebemos em abundância as graças necessárias para a nossa vida quotidiana e para a nossa salvação. A Eucaristia é por excelência o gesto de amor de Deus por nós. O que há de maior do que oferecer a sua vida por amor? Nisto, Jesus é o modelo da doação total de si, caminho que devemos percorrer no seu seguimento.

A Eucaristia é ainda um modelo de caminho cristão, que deve modelar toda a nossa existência. É Cristo que nos convoca para nos reunir, para constituir a Igreja, seu Corpo no meio do mundo. Para ter acesso às duas mesas da Palavra e do Pão, devemos antes de tudo aceitar o perdão de Deus, este dom que nos eleva no nosso caminho quotidiano, que restaura em nós a imagem divina e nos mostra a que ponto somos amados. Depois, como ao fariseu Simão, no Evangelho de Lucas, Jesus dirige-se incessantemente a nós mediante a Escritura: "Tenho algo para te perguntar" (cf. 7, 20). De fato, todas as palavras da Escritura são para nós uma palavra de vida, que devemos ouvir com muita atenção. De modo particular, o Evangelho constitui o centro da mensagem cristã, a revelação total dos mistérios divinos. E no seu Filho, Deus revelou-nos a sua face de Pai, um rosto de amor, de esperança. Mostrou-nos o caminho da felicidade e da alegria. Durante a consagração, momento particularmente forte da Eucaristia porque revivemos o sacrifício de Cristo, sois chamados a contemplar o Senhor Jesus, como São Tomé: "Meu Senhor e meu Deus" (Jo 20, 28). Após ter recebido a Palavra de Deus, depois de vos terdes alimentado com o seu corpo, deixai-vos transformar interiormente e receber dele a vossa missão. De fato, ele envia-vos ao mundo, para serdes portadores da sua paz e testemunhas da sua mensagem de amor. Não tenhais medo de anunciar Cristo aos jovens da vossa idade. Mostrai-lhes que Cristo não impede o vosso caminho, nem a vossa liberdade; mostrai-lhes, ao contrário, que ele vos dá a vida verdadeira, que vos torna livres para lutar contra o mal e fazer da vossa vida algo de bom.

Não vos esqueçais que a Eucaristia dominical é o encontro amoroso com o Senhor, sem o qual não podemos viver. Quando o reconhecemos ao "partir do pão", como os discípulos de Emaús, tornar-nos-emos um dos seus companheiros. Ele ajudar-nos-á a crescer e a dar o melhor de nós próprios. Recordemo-nos que no pão da Eucaristia, Cristo está real, total e substancialmente presente. Portanto, é no mistério da Eucaristia, na Missa, e durante a adoração silenciosa diante do Santíssimo Sacramento do altar que o conhecemos de modo privilegiado. Com a abertura do nosso ser e de toda a nossa vida, à contemplação de Cristo não seremos destruídos, mas ao contrário, descobriremos que somos infinitamente amados, receberemos o poder do qual temos necessidade para construir as nossas vidas e para tomar decisões na vida quotidiana. Diante do Senhor, no silêncio dos vossos corações, alguns de vós podem sentir-se chamados a segui-lo de modo mais radical no sacerdócio ou na vida consagrada. Não tenhais medo de ouvir a sua chamada e respondei com alegria. Como disse no início do meu Pontificado, de nada priva aqueles que a ele se consagram. Ao contrário, dá-lhes tudo. Ele faz sobressair o que há de melhor em cada um de nós, de modo que as nossas vidas possam verdadeiramente florescer.

A vós, queridos jovens e a todos os participantes no Congresso Eucarístico Internacional do Quebec, envio uma afetuosa Bênção Apostólica

L´Osservatore Romano, edição eletrônica em português
http://www.vatican.va/news_services/or/or_por/text.html#1

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Ano Paulino

Por Dom Eurico dos Santos Veloso, arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora (MG)
Fonte: website da CNBB

No próximo dia 28, a Igreja vai celebrar até o dia 29 de 2009, o Ano Paulino: a comemoração dos 2.000 anos do nascimento do Apóstolo Paulo que nos é conhecido melhor do que qualquer outro Apóstolo, sobretudo por suas Epístolas e pelos Atos dos Apóstolos.

Paulo era judeu, da tribo de Benjamim, nascido em Tarso, mas era igualmente cidadão romano, por direito, segundo ele próprio o declara, quando foi açoitado na prisão em Filipos (cf. At. 16,34), e em Jerusalém (cf. 22,25-29).

De personalidade marcante, firme em suas convicções, de sólida formação religiosa, segundo a doutrina dos fariseus, recebida de Gamaliel, opôs-se tenazmente à mensagem de Cristo e, no seu zelo religioso, perseguia até à morte os seguidores desta doutrina (cf. Fil.3,4-6). A seus pés foram depositadas as vestes de Estevão, quando apedrejado entregava seu espírito a Deus (cf. Atos 7,5, 8).

A caminho de Damasco com cartas para trazer a Jerusalém prisioneiros seguidores daquela doutrina, foi “alcançado por Jesus” (cf. Fil. 3,12). Não foi só uma visão (cf. 1Cor 9,1). Foi uma revelação em seu coração para fazer brilhar o conhecimento da Glória de Deus, que resplandecia na face de Cristo (cf. 2 Cor. 4,6).

A partir deste acontecimento “não consultei carne nem sangue, nem subi a Jerusalém aos que eram apóstolos antes de mim...” apenas partiu para sua missão, a ponto de apenas “ouvimos dizer: quem outrora nos perseguia agora evangeliza a fé que antes devastava” (cf. Gal. 1, 15-24). Saiu a anunciar Cristo, o Filho de Deus.

Destaca-se na missão de Paulo a universalidade. Quando o Senhor Jesus, em visão, ordenou a Ananias que procurasse Paulo, ante a estupefação deste, lhe disse: “vai, porque este homem para mim será um vaso de eleição a fim de anunciar o meu nome diante das nações pagãs, dos reis e dos filhos de Israel“(cf. Atos 9, 15). A pregação de Paulo é para os judeus e gregos, para bárbaros e cultos, ele que se “fez tudo para todos a fim de salvar alguns a todo o custo” (cf. 1Cor. 9, 19-23).
A sua dedicação é total. Forçado a defender-se, perante a Comunidade, em face dos que se lhe opunham, expõe seus trabalhos na evangelização: as perseguições e perigos a que levou a pregação do Evangelho(cf. 2Cor. 11). Mas dela não se gloria, ”com todo o ânimo prefiro gloriar-me das minhas fraquezas para que pouse sobre mim a força de Cristo” (cf. 2Cor. 12,9).

Paulo não evangelizava sozinho. Fundada uma Igreja, acompanhava com seus companheiros o seu crescimento. Trabalhava com eles. Amava os evangelizados com o carinho de mãe. Tinha em seu coração a solicitude de todas as comunidades.

Ainda neste último domingo, no Evangelho Jesus falava a seus discípulos “não tenham medo”. Paulo jamais vacilou: nos trabalhos, nas vigílias, nas perseguições e nas cadeias até o suplício final. Perseguido por pagãos e pelos de sua raça, confiava no Espírito que lhe punha as palavras na sua boca diante dos juízes.

Seduzido por Cristo, deixou-se seduzir. A Palavra de Deus ardia no seu coração. Tinha dúvidas se para ele era melhor ficar e pregar o Evangelho ou ir para unir-se em definitivo com Cristo, naquele amor que persiste para sempre, como cantou no seu Hino à caridade.

Combateu o combate. Guardou a fé que com firmeza anunciava e defendia. Por isso recebeu a coroa que lhe estava reservada, como e a todos que guardam a fé a fazem brilhar nas trevas deste mundo.

Hoje, a Igreja nos remete a uma reflexão sobre nossa vocação missionária. Como para Paulo, a seara é imensa e diversificada, sobretudo na multiplicidade de falsas doutrinas, como previra o Apóstolo a seu discípulo Timóteo.

Guardemos também nossa fé e a anunciemos ao mundo sem temor porque também a nós assiste-nos o Espírito Santo até o fim dos tempos, até recebermos também a coroa destinada a todos os que forem fiéis.

Ano Paulino

Por Dom Gil Antônio Moreira, Bispo de Jundiaí (SP)
Fonte: website da CNBB

Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo, como ele mesmo se intitula, será lembrado especialmente durante um ano, a partir do dia 28 de junho próximo. A decisão vem do Santo Padre, o Papa Bento XVI, com o objetivo de celebrar os dois mil anos de nascimento do primeiro grande missionário da fé cristã.

Muitas atividades litúrgicas, acadêmicas, culturais e devocionais serão desenvolvidas em todas as partes do mundo cristão, com destaque para as celebrações na cidade de Roma, onde se encontra o túmulo do Apóstolo, na basílica São Paulo Fora dos Muros. O Sumo Pontífice associou a algumas destas celebrações a indulgência plenária aos fiéis que delas participarem. A celebração é ocasião propícia para um aprofundamento dos estudos da Palavra de Deus contida na Bíblia, da qual faz parte o chamado Corpus Paulinum, com treze cartas atribuídas ao Apóstolo dos Gentios.

Paulo, cujo nome na versão hebraica é Saulo, nasceu em Tarso, na Cilícia, hoje território da Turquia, entre os anos 7 e 10, segundo a grande maioria dos historiadores. Filho de pais judeus da diáspora, estudou em escola grega e por isso tinha como língua materna este idioma. Mas também foi formado em doutrina judaica, em Jerusalém, onde passou parte de sua juventude, na famosa escola do Rabino Gamaliel. Assim seria fluente também na língua aramaica. Era fariseu, homem culto, de espírito empreendedor, de uma têmpera singular em tudo o que fazia.

Inicialmente, ferrenho perseguidor dos cristãos, a partir de uma experiência mística, converte-se ao cristianismo no caminho de Damasco, para onde ia com cartas das autoridades para aprisionar cristãos. Ele mesmo afirma ter ouvido a voz de Cristo Ressuscitado, vinda do céu, que clamava: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”. (At.9,1-22). A partir de então, torna-se intrépido apóstolo e missionário do Senhor.

São Paulo é considerado o primeiro teólogo do cristianismo, sendo seus textos, básicos para toda a teologia posterior. Foi o primeiro escritor da fé cristã, através de cartas que enviava às comunidades, a fim de ensinar, animar a fé, corrigir distorções doutrinais e reconduzir ao bom caminho os que moralmente claudicassem.

Com relação ao Corpus Paulinum do Novo Testamento, há, entre os exegetas, certas incertezas a respeito da autoria de algumas cartas, podendo ter sido escritas posteriormente por discípulos, fiéis à doutrina pregada por Paulo. É o caso das chamadas cartas pastorais, ou sejam I e II Timóteo e a carta a Tito. Grande parte dos autores atualmente inclui entre as dêutero-paulinas, também Efésios, Colossenses e a 2ª Tessalonicenses. Se isto for comprovado, todas estas teriam sido escritas após a morte de Paulo, acontecida por volta do ano 67. Pertencem ao grupo das proto-paulinas, ou seja, de comprovada autoria de Paulo, as demais, a saber, Romanos, Gálatas, 1ª Tessalonicenses, 1ª e 2ª Coríntios, Filipenses e Filêmon.

Sobre a datação das cartas de Paulo, a definição é sempre aproximativa. A mais antiga teria sido a 1ª Tessalonicenses, escrita da cidade de Corinto, por volta do ano 51. Depois viriam as cartas aos Coríntios, a primeira escrita da cidade de Éfeso, no ano 55 e a segunda enviada de alguma cidade da Macedônia, entre 55 e 57. Há suficiente certeza de que Paulo tenha escrito mais duas cartas aos coríntios, que até o momento se encontram desaparecidas. A carta aos Gálatas teria sido escrita entre 55 e 60, embora alguns afirmem que possa ter sido esta a primeira carta escrita por Paulo. A carta aos Romanos provavelmente teria sido redigida no ano 57, na cidade de Corinto, endereçada aos cristãos da capital do Império. A carta aos Filipenses é datada entre 53 a 58.

Até anos atrás, se considerava também a chamada carta aos Hebreus como possivelmente de Paulo. Hoje nenhum autor afirma mais isto e comumente se diz que não se trata propriamente de uma carta, mas de um texto catequético em defesa da fé.

Sobre a vida e a ação missionária de Paulo, nos dá muitas informações também o livro dos Atos dos Apóstolos, escrito por Lucas, provavelmente entre os anos 61 e 63, ou mais tardiamente. Tal livro termina a narração abruptamente e não se refere à condenação de Paulo à morte, o que dá idéia de ser um livro inacabado, redigido antes do seu martírio.

A celebração do Ano Paulino, cuja abertura será dia 28 de junho corrente e término em 29 de junho de 2009, tem como principal objetivo a evangelização. Todos estamos em processo de evangelização contínua, católicos e não católicos, e somos chamados a comunicar o evangelho de Cristo, morto e ressuscitado, aos que ainda não crêem e aprofundá-lo no coração dos que já crêem.

Talvez, a palavra mais incisiva para a vivência deste ano jubilar, seja a de Paulo aos Coríntios: «Ai de mim, se eu não evangelizar!» (1 Cor 9,16).