terça-feira, 31 de março de 2009

A Igreja, o Papa e a AIDS (II)

Uma das coisas que a imprensa também não divulga, é o papel desempenhado pela Igreja em favor dos mais necessitados. Dados da Caritas Internacional mostram que a Igreja Católica é um dos maiores provedores de assistência sanitária em todo o mundo. Administra 5.246 hospitais, 17.530 dispensários, 577 clínicas para leprosos, 15.208 abrigos de idosos, doentes crônicos e pessoas com incapacidades físicas ou de aprendizagem.

No que diz respeito à AIDS:

- 26,7% dos centros no mundo para tratar os enfermos de HIV/AIDS pertencem à Igreja Católica. Na África esse número é de 25%;
- as ações da Caritas Internacional relacionadas ao HIV/AIDS chega a 107 países no mundo: África (39); Ásia (18); América Latina e Caribe (16); América do Norte (2); Europa (29); Oceania (3). O trabalho concentra-se na capacitação de profissionais da saúde, prevenção, cuidado, assistência e acompanhamento tanto dos enfermos quanto de seus familiares
- Além do pessoal local (religioso e não religioso) distinguem-se neste campo Congregações e Associações internacionais tais como as Vicentinas, Comunidade de Santo Egídio, Camilianos, Juaninos, Jesuítas, religiosas de Madre Teresa (as Missionárias da Caridade), o Hospital do Menino Jesus da Santa Sé e os Farmacêuticos católicos. Vale lembrar que algumas dessas organizações foram lembradas pelo Papa em sua entrevista.

São essas as ações relacionadas à AIDS que a Igreja desenvolve, promove e/ou financia. Isso não se divulga. É mais fácil sair criticando a Igreja, e o Papa dizendo que são ultrapassados, que são contra a vida, que atrapalham, do que reconhecer esse trabalho importantíssimo, que é reconhecido inclusive pela ONU.

O site da Caritas Internacional é www.caritas.org

Bruno Melo



A Igreja, o Papa e a AIDS (I)

Em sua recente viagem à África, algumas palavras do Papa (ditas ainda no voo que o levava para lá) causaram polêmica mundial ao criticar a distribuição de preservativos como forma de combater a AIDS. Não faltaram manifestações de desaprovação às declarações do Papa, que o acusaram de ser genocida (em virtude da terrível situação africana) e acusaram a Igreja de ser insensível e ao mesmo tempo um obstáculo ao problema da AIDS que atinge muitas pessoas no mundo.

Em momento algum o Papa disse que os preservativos não servem para evitar a contaminação da AIDS. O que ele fez foi uma crítica aos programas e políticas públicas de saúde que gastam rios de dinheiro apenas com a compra e distribuição de preservativos: “(...) não se pode superar este problema da AIDS só com dinheiro, mesmo se necessário; mas, se não há a alma, (...), não se pode superá-lo com a distribuição de preservativos: ao contrário, aumentam o problema”.

Numa entrevista à agência ZENIT, o dr. José Maria Simón (presidente da Federação Internacional de Médicos Católicos - FIAMC) explicou que, para entender o que a Igreja diz sobre o preservativo, é necessário compreender o que é o amor, como explicou o próprio Papa aos jornalistas, apesar de que essa parte de sua conversa foi censurada pela maior parte dos meios de comunicação.

A mídia não divulgou o complemento do raciocínio do Papa. Mutilaram sua declaração e deram destaque só ao que lhes interessava. O que o Bento XVI disse foi que “A solução pode vir apenas da conjugação de dois fatores: o primeiro, uma humanização da sexualidade, isto é, uma renovação espiritual e humana que inclua um novo modo de comportar-se um com o outro; o segundo, uma verdadeira amizade também e sobretudo pelas pessoas que sofrem, a disponibilidade à custa até de sacrifícios, de renúncias pessoais, para estar ao lado dos doentes. E estes são os fatores que ajudam e proporcionam progressos visíveis.”

O que o Papa quer dizer com “humanização da sexualidade” é tudo o que a sociedade moderna não quer saber hoje em dia e o que a Igreja sempre pregou desde sempre: que o sexo envolve o comprometimento afetivo e responsável entre duas pessoas que se amam, que tem seu principal alicerce na fidelidade. Não é uma “coisa”, algo que possa ser feito de modo livre, sem compromisso, como a sociedade atual tanto apregoa por aí.

Falar em abstinência em pleno século XXI soa meio brega, não é? Mas em um continente onde a AIDS constitui uma verdadeira epidemia, ela salva vidas. Um artigo publicado no L’Osservatore Romano em 22.03, de autoria da jornalista italiana Lucetta Scaraffia informa que o único país africano a obter resultados concretos na luta contra a AIDS foi Uganda, que adotou um método conhecido por ABC, sigla em inglês onde “A” significa abstinência, “B”, fidelidade e “C” preservativos. Pode não estar totalmente de acordo com o que a Igreja recomenda, mas a inclusão da abstinência e da fidelidade como “programas de saúde” trouxe os resultados concretos, com a redução nos índices de pessoas infectadas.

Nesse mesmo artigo, a jornalista, afirma que “muitos países ocidentais não quiseram reconhecer a verdade das palavras do Papa seja por motivos econômicos – já que os preservativos têm um custo, enquanto a abstinencia e a fidelidade são gratuitas – seja porque temem que razão à Igreja sobre um ponto central do comportamento sexual possa significar um retrocesso para aqueles que, em nossos tempos atuais, consideram o sexo livre e sem compromisso uma conquista.”

O Papa Ratzinger não causou polêmica alguma; apenas cumpriu a sua missão de dizer a verdade.

Bruno Melo

A entrevista do Papa pode ser lida no site da Santa Sé, pelo link:
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2009/march/documents/hf_ben-xvi_spe_20090317_africa-interview_po.html

domingo, 29 de março de 2009

Papa convoca «ano sacerdotal» para próximo 19 de Junho

Proclamará o santo Cura de Ars como padroeiro de todos os sacerdotes do mundo
Cidade do Vaticano, segunda-feira, 16 de março de 2009

O Papa convocou um Ano Sacerdotal, por ocasião do 150º aniversário da morte do santo Cura de Ars, a quem proclamará como padroeiro de todos os sacerdotes do mundo, segundo deu hoje a conhecer a Santa Sé em um comunicado.

O Papa fez este anúncio durante a audiência concedida aos participantes da Plenária da Congregação para o Clero, e esta o divulgou posteriormente em um comunicado, no qual detalha algumas das iniciativas postas em andamento por ocasião deste ano jubilar sacerdotal.

O tema escolhido para o Ano Sacerdotal é o de «Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote». Está previsto que o Papa o abra com uma celebração de Vésperas, em 19 de junho, solenidade do Sagrado Coração de Jesus e Dia de Santificação Sacerdotal, «em presença da relíquia do Cura de Ars trazida pelo bispo de Belley-Ars», Dom Guy Claude Bagnard, segundo informa a Santa Sé.

O encerramento será celebrado justamente um ano depois, com um «Encontro Mundial Sacerdotal» na Praça de São Pedro.

Durante este Ano jubilar, está prevista a publicação de um «Diretório para os Confessores e Diretores Espirituais», assim como de uma «recopilação de textos do Papa sobre os temas essenciais da vida e da missão sacerdotais na época atual».

O objetivo deste ano é, segundo expressou o próprio Papa hoje aos membros da Congregação para o Clero, «ajudar a perceber cada vez mais a importância do papel e da missão do sacerdote na Igreja e na sociedade contemporânea».

Outro tema importante no qual se quer incidir, segundo o comunicado da Congregação, é a «necessidade de potenciar a formação permanente dos sacerdotes ligando-a à dos seminaristas».

Fonte: Zenit

segunda-feira, 23 de março de 2009

Bento XVI sublinha papel da mulher na defesa do direito à vida

Hoje começa em Roma o primeiro Congresso Internacional sobre Mulher e direitos humanos
Por Inma Álvarez
Roma, Domingo 22 de Fevereiro de 2009 (Zenit.org)

A resposta aos atuais ataques contra a vida pode ser dada sobretudo pelas mulheres, através de um «novo feminismo» que defenda os direitos humanos e respeite fortemente a vida. Assim afirmou o Papa Bento XVI em uma mensagem enviada ao cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício «Justiça e Paz», por ocasião do primeiro Congresso Internacional sobre a Mulher, que começou hoje em Roma.

O Congresso, com o lema «Vida, família, desenvolvimento: o papel da mulher na promoção dos direitos humanos», foi organizado por este dicastério, em colaboração com a World Women Alliance for Life and Family (WWALF) e a World Union of Catholic Women's Organizations (WUCWO).

A mensagem do Papa, publicada nesse sábado, afirma que o congresso supõe «uma resposta exemplar ao que meu predecessor João Paulo II definia como "um novo feminismo", que tem o poder de transformar a cultura, imprimindo-lhe um forte respeito pela vida». A carta do Papa foi lida nesta manhã ao início dos trabalhos do congresso, pelo cardeal Martino, acompanhado das presidentas da WWALF, Olimpia Tarzia, e da WUCWO, Karen M. Hurley.

Uma das tarefas da mulher cristã, sublinhou o pontífice, é «corrigir todo o mal entendido com respeito ao Cristianismo visto só como uma coleção de mandamentos e proibições». «Os dez mandamentos não são uma série de "nãos", mas um grande "sim" ao amor e à vida», acrescenta o Papa em sua mensagem.

Na apresentação do congresso, o cardeal Martino sublinhou que hoje «não se pode separar a questão social da questão da família e da vida», e que em ambas questões está entrelaçada a questão da dignidade da mulher, que no fundo é «uma questão antropológica, de concepção do ser humano».

O purpurado destacou que as mulheres católicas «devem encontrar, com generosidade e amor, os caminhos de um novo protagonismo em grau de gerar esse humanismo integral e solidário a que nos chama a doutrina social da Igreja». «Deve nascer um novo feminismo, depois desse outro mortificante inspirado pelo individualismo niilista e libertário», afirmou o cardeal Martino. Um novo feminismo «amigo da vida, amigo da família e do amor conjugal, e disposto a lutar contra injustiças e opressões».

No mesmo sentido se expressou a professora Tarzia, cuja organização, a WWALF, hoje estendida em 50 países, nasceu precisamente em torno do manifesto Novo Feminismo, que apareceu na Itália em janeiro de 2003. Tarzia afirmou que «está crescendo, entre as mulheres do mundo, uma consciência que deve ser declarada: as leis que legalizam o aborto são uma derrota para a mulher e para a sociedade inteira. É uma consciência à qual devem seguir os fatos: a mobilização geral de consciências e instituições em favor da vida, da mulher, da família, da dignidade da pessoa».

Por sua parte, a presidenta da WUCWO, Karen M. Hurley, organização nascida em 1910 que representa mais de 100 instituições de todo o mundo, sublinhou o importante passo adiante na consideração da mulher dado pelo Magistério desde o Concílio, e especialmente pelos últimos papas. As mulheres hoje, sublinhou Hurley, «estão chamadas a ser sinais do amor de Deus compartilhando nossa fé e oferecendo esperança a um mundo que necessita. O modelo de nossa Santíssima Mãe Maria e outras mulheres nas Sagradas Escrituras e os ensinamentos da Igreja devem aumentar a consciência de nossa missão, a vocação, a dignidade e a espiritualidade». «Que nosso discernimento orante aumente esta tomada de consciência e nos ajuda a aceitar o papel que Deus nos deu na proteção da dignidade de toda vida humana e na promoção dos direitos humanos», concluiu a representante da WUCWO.

domingo, 22 de março de 2009

As dez coisas que não podem faltar a cada semana

Entre dormir e trabalhar ou estudar se te vão cerca de 16 horas do dia; portanto, deves organizar de forma inteligente as outras oito restantes.

Por Ricardo Ruvalcaba, L.C.
Tomado de GAMA

Muitas pessoas vivem uma vida desordenada. Como ordenar tua vida? Há 10 coisas que não se pode deixar de fazer na semana, segundo aconselha um sacerdote amigo meu. Faça um "plano de vida", ou seja, uma programação semanal de onde organizes tuas atividades por prioridades para aproveitar ao máximo tua existência. As dez 10 coisas que deves fazer semanalmente são:

1. Dormir: Descansa bem para render o dia bem - ao menos sete horas por noite.

2. Comer: Alimenta-te de forma saudável. Três refeições ao dia é o mais aconselhável.

3. Rezar: Por ser o alimento da alma, a oração é uma autêntica necessidade. “Cristão que não reza está em perigo”, dizia João Paulo II. Deus não considera o número de palavras que dizes, mas a fé e o carinho com que oras. Se crês que Deus não te responde, lê a Biblia. Se queres aprender a orar, observa a uma criança rezando.

4. Trabalhar: É necessário e saudável. “Toda a grandeza do trabalho bem feito é a grandeza do homem” (João Paulo II). Lembra: O trabalho é para o homem e não o homem para o trabalho.

5. Estudo ou leitura: A formação intelectual nunca termina. Ao longo da vida há de estudar para servir melhor aos demais. Um amigo disse: “A falta de formação não se supre com nada”. “A ignorância é um remédio ineficaz aos males” (Séneca).

6. Esportes: Convém dedicar ao menos um par de horas por semana ao descanso físico. Tua saúde vai te agradecer.

7. Família: O lar deve ser prioridade dentro de tua agenda. Dedica aos teus um tempo exclusivo a cada semana. Brinca com teus filhos e conversa com os de casa. A família se conserva e fortalece graças ao amor! Amar a família não é dar-lhe coisas, mas sim dar-se a ela dando o próprio tempo. Todos devemos colaborar nas tarefas do lar, ser fiéis ao amor único e inseparável do casal e mostrar uma verdadeira dedicação na educação dos filhos.

8. Apostolado: Ou seja, fazer algo pelos outros. O apóstolo busca o bem das pessoas e a salvação de suas almas. Devemos viver com a perspectiva de aproximar os outros do conhecimento de Cristo, ainda que implica em sacrifício pessoal e tempo; é verdade não é uma tarefa fácil e ágil em ocasiões.

9. Vida social: É necessário dedicar algum tempo aos amigos e conhecidos. "A posse de nenhum bem é agradável se não temos companhia”, escreveu Sêneca.

10. Hobby ou gosto pessoal: Para alegrar teu horário semanal é preciso algum tipo de deleite sadio como ver uma partida de futebol, ir ao cinema, tomar uma massagem etc. Satisfazer um gosto pessoal deve ser como a sobremesa da semana, como a cereja no sorvete. A sobremesa se toma depois de haver comido o prato principal.

Faz um horário semanal a partir destas 10 atividades indispensáveis. Entre dormir e trabalhar ou estudar se vão cerca de 16 horas por dia; às quais deves organizar inteligentemente as oito horas restantes: comendo, praticando esportes, rezando etc.

Gaspar Jovellanos disse: “Só falta tempo a quem não sabe aproveitá-lo”. A vida é uma e se vive uma única vez. Lembra: "Nada em demasia", como dizia Mileto. Vive tua com equilíbrio e hierarquia de valores. O tempo não espera, sempre marcha. "O tempo se escapa inexoravelmente" (Virgilio). O tempo é para semear amor.

[Comentarios al autor: riruvalcaba@legionaries.org]

quinta-feira, 12 de março de 2009

Papa “arrasa” críticos da reconciliação com os lefebvrianos

Apesar de longo, o texto vale a pena e merece ser lido, principalmente por aqueles que, levados pelas ondas da imprensa, criticaram o Papa sem se aprofundar no assunto.
Bruno

Bento XVI lançou hoje um duro ataque aos que criticaram a sua decisão de revogar a excomunhão de quatro Bispos, consagrados no ano de 1988 pelo Arcebispo Lefebvre sem mandato da Santa Sé, lamentando em especial que o seu gesto tenha sido obscurecido pela polêmica em torno posições negacionistas de D. Richard Williamson sobre o Holocausto.
Falando em feridas antigas, falta de paz e mesmo hostilidade para com o Papa, Bento XVI cita São Paulo para repetir um alerta do Apóstolo: "Se vos mordeis e devorais mutuamente, tomai cuidado em não vos destruirdes uns aos outros". "Fiquei triste pelo fato de inclusive católicos - que no fundo, poderiam saber melhor como tudo se desenrola - se sentirem no dever de atacar-me e com uma virulência de lança em riste”, escreve.

O Papa tem palavras muito fortes para aqueles que se opõem a qualquer diálogo com a Fraternidade São Pio X: “Devemos remeter à indiferença uma comunidade que conta com 491 padres, 215 seminaristas, 117 frades, 164 freiras, e milhares de fiéis?" "Devemos mesmo deixá-los afastarem-se da Igreja? Poderemos simplesmente excluí-los, enquanto representantes de um grupo marginal e radical, da busca pela unidade e reconciliação?”, prossegue.

Por outro lado, Bento XVI reafirma que não tinha conhecimento das posições do Bispo Williamson, mas admite que no futuro a Santa Sé deverá estar mais atenta à Internet, como “fonte de notícias”. “Uma contrariedade que eu não podia prever foi o fato de o caso Williamson se ter sobreposto à remissão da excomunhão”, escreve, lamentando que o seu “gesto discreto de misericórdia” se tenha transformado, na opinião pública, numa espécie de “desmentido da reconciliação entre cristãos e judeus e, consequentemente, como a revogação de quanto, nesta matéria, o Concílio tinha deixado claro para o caminho da Igreja”.
“Por isso mesmo sinto-me ainda mais agradecido aos amigos judeus que ajudaram a eliminar prontamente o equívoco e a restabelecer aquela atmosfera de amizade e confiança que, durante todo o período do meu pontificado – tal como no tempo do Papa João Paulo II –, existiu e, graças a Deus, continua a existir”, acrescenta.

Logo no início da carta, aliás, o Papa admite que a sua decisão sobre os Bispos lefebvrianos “suscitou por variadas razões, dentro e fora da Igreja Católica, uma discussão de tal veemência como desde há muito tempo não se tinha experiência". "Desencadeou-se assim um avalanche de protestos, cujo azedume revelava feridas que remontavam mais além do momento", refere também. O texto frisa que “alguns grupos acusavam abertamente o Papa de querer voltar atrás, para antes do Concílio”, algo que Bento XVI desmente por completo.

A carta, dirigida aos Bispos católicos, pretende ser uma "palavra esclarecedora" e contribuir para "a paz na Igreja". O Papa diz que entre as suas prioridades estão "o esforço em prol do testemunho comum de fé dos cristãos – em prol do ecumenismo" e "a necessidade de que todos aqueles que crêem em Deus procurem juntos a paz, tentem aproximar-se uns dos outros a fim de caminharem juntos – embora na diversidade das suas imagens de Deus – para a fonte da Luz: é isto o diálogo inter-religioso".

Erros e críticas
Além do “caso Williamson”, a carta papal admite outro erro, ao não se ter definido claramente o objectivo e o alcance da decisão sobre as excomunhões tomada no passado dia 21 de Janeiro.
“A excomunhão atinge pessoas, não instituições. Uma ordenação episcopal sem o mandato pontifício significa o perigo de um cisma, porque põe em questão a unidade do colégio episcopal com o Papa. Por isso a Igreja tem de reagir com a punição mais severa, a excomunhão, a fim de chamar as pessoas assim punidas ao arrependimento e ao regresso à unidade”, explica Bento XVI.

Para o Papa, essa unidade ainda não foi alcançada, pelo que a “remissão da excomunhão tem em vista a mesma finalidade que pretende a punição: convidar uma vez mais os quatro Bispos ao regresso”. A carta refere que “é preciso distinguir este nível disciplinar do âmbito doutrinal”.
“O fato de a Fraternidade São Pio X não possuir uma posição canônica na Igreja não se baseia, ao fim e ao cabo, em razões disciplinares mas doutrinais. Enquanto a Fraternidade não tiver uma posição canónica na Igreja, também os seus ministros não exercem ministérios legítimos na Igreja”, observa Bento XVI.

O Papa afirma claramente que os tradicionalistas não podem “congelar” a autoridade do magistério da Igreja em 1962, ano do início do II Concílio do Vaticano, mas diz também que “a alguns daqueles que se destacam como grandes defensores do Concílio, deve também ser lembrado que o Vaticano II traz consigo toda a história doutrinal da Igreja”.
Bento XVI não nega que “desde há muito tempo e novamente nesta ocasião concreta, ouvimos da boca de representantes daquela comunidade muitas coisas dissonantes: sobranceria e presunção, fixação em pontos unilaterais, etc”.
“Em abono da verdade, devo acrescentar que também recebi uma série de comoventes testemunhos de gratidão, nos quais se vislumbrava uma abertura dos corações. Mas não deveria a grande Igreja permitir-se também ser generosa, ciente da concepção ampla e fecunda que possui, ciente da promessa que lhe foi feita?", questiona. "Não deveremos nós, como bons educadores, ser capazes também de não reparar em diversas coisas não boas e diligenciar por arrastar para fora de mesquinhices? E não deveremos porventura admitir que, em ambientes da Igreja, também surgiu qualquer dissonância?”, continua.

Para Bento XVI, "o fato de que o gesto submisso duma mão estendida tenha dado origem a um grande rumor, transformando-se precisamente assim no contrário duma reconciliação é um dado que devemos registar".

O Papa revelou também a intenção de unir, futuramente, a Comissão Pontifícia «Ecclesia Dei» – instituição competente desde 1988 para as comunidades e pessoas que, saídas da Fraternidade São Pio X ou de idênticas agregações, queiram voltar à plena comunhão com o Papa – à Congregação para a Doutrina da Fé. "Deste modo torna-se claro que os problemas, que agora se devem tratar, são de natureza essencialmente doutrinal e dizem respeito sobretudo à aceitação do Concílio Vaticano II e do magistério pós-conciliar dos Papas", explica.

No final do documento, Bento XVI deixa ainda outro lamento: “Às vezes fica-se com a impressão de que a nossa sociedade tenha necessidade pelo menos de um grupo ao qual não conceda qualquer tolerância, contra o qual seja possível tranquilamente arremeter-se com aversão. E se alguém ousa aproximar-se do mesmo – do Papa, neste caso – perde também o direito à tolerância e pode de igual modo ser tratado com aversão, sem temor nem decência”.

Fonte: Agência Ecclesia (Portugal)