A Igreja celebra esta solenidade na sexta-feira da oitava de Corpus Christi
Por Carmen Elena Villa. Roma, 19 de junho de 2009 (ZENIT.org).
A devoção ao Sagrado Coração visa “não só a contemplação do seu amor sensível”, mas também “até a consideração e adoração do seu excelentíssimo amor infuso”: assim disse o Papa Pio XII em sua encíclica Haurietis aquas, a terceira que se escreveu sobre o culto ao Sagrado Coração.
A história desta devoção tem mais de 800 anos. Seus inícios se deram com a mística alemã da Alta Idade Média Matilde Magdeburgo (1207-1282), seguida por Matilde de Hackenborn (1241-1299) e por Getrudes de Helfta (1266-1302). Depois, foram vários os santos que continuaram promovendo o culto ao Sagrado Coração. Entres eles estão São Boaventura, Santo Alberto Magno, Santa Gertrudes, Santa Catarina de Sena, o beato Henrique Suso, São Pedro Canísio e São Francisco de Sales. São João Eudes foi o autor do primeiro ofício litúrgico em honra do Sagrado Coração de Jesus, cuja festa solene se celebrou pela primeira vez no dia 20 de outubro de 1672.
O marco desta celebração está ligado a Santa Margarida Maria Alacoque, religiosa da Ordem da Visitação, quem recebeu várias revelações do próprio Senhor Jesus para que impulsionasse mais esta devoção. Tais revelações depois foram difundidas pelo seu conselheiro espiritual, o jesuíta São Claudio de la Colombière.
O Papa Pio XII assegurava que esta devoção pode levar os homens, “em um voo sublime e doce ao mesmo tempo, até a meditação e adoração do Amor divino do Verbo Encarnado”.
Devoção ou idolatria?
Mas adorar um coração não é idolatria? Esta devoção não pode diminuir no crente o fervor com relação a Deus Pai? Os católicos adoram um coração mais metafórico e menos real?
Segundo informações oferecidas a Zenit na Basílica do Sagrado Coração de Roma, que recentemente organizou um congresso sobre o culto ao Sagrado Coração, no século 13 houve um forte debate sobre o objeto deste culto, qualificado por muitos fiéis justamente como um ato de idolatria.
Para esclarecer qualquer distorção, em 1765, a Congregação Vaticana para os Ritos afirmou que o coração de carne seria símbolo de amor. Em 1794, o Papa Pio VI, na bula Auctorem fidei, confirmou esta declaração dizendo que se adora o coração “indispensavelmente unido à pessoa do Verbo”.
Pio IX estendeu a festa do Sagrado Coração a toda a Igreja no dia 23 de agosto de 1856 e no calendário pós-conciliar ela permaneceu como solenidade.
Três encíclicas se centraram propriamente em falar sobre esta devoção: Annum Sacrum, do Papa Leão XIII, quem consagrou a humanidade inteira ao Sagrado Coração, Miserentissimus Redemptor, de Pio XI, e Haurietis aquas, de Pio XII.
“Aquele que conhece Cristo, mas descuida de sua lei e de seus preceitos, ainda pode ganhar do seu Sagrado Coração a chama da caridade”, dizia Leão XIII na encíclica Annum Sacrum. “Ele cumprirá sua vontade sobre todos os homens pela salvação de uns e o castigo de outros, mas também em sua vida mortal, dando fé e santidade. Que eles, por estas virtudes, se esforcem por honrar a Deus como deveriam e ganhar a felicidade eterna no céu”, dizia o pontífice.
Por sua parte, o Papa Pio XI fala, em sua encíclica Miserentissimus Redemptor, sobre a união de amor dos homens com o coração humano e divino de Jesus: “Uma alma realmente amante de Deus, quando olha para o tempo passado, vê Jesus Cristo trabalhando, sofrendo duríssimas penas ‘por nós, os homens, e pela nossa salvação’, tristeza, angústias, opróbrios, ‘trespassado por nossas culpas’ e curando-nos com suas feridas”.
Adorar o Sagrado Coração
Assim, a Igreja, durante séculos, meditou sobre esta devoção e expôs sobre ela três postulados principais. O primeiro indica que, assim como todo edifício deve ter sua base firme, a base do cristão deve ser o amor. Este ponto recorda aos cristãos que Deus nos amou primeiro.
O segundo fala da reparação como compromisso: a alma tem a virtude e a necessidade do amor que quer demonstrar-se e ser compartilhado nos sofrimentos que Cristo padeceu em Getsêmani.
Por último, fala da imitação como aspiração: tomar a familiaridade com Cristo no mistério pascal e abraçá-la, e na Eucaristia também. Isso induz a incorporar as virtudes para que possamos dizer, como Jesus, “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mateus 11, 28).
Assim, pois, o Papa Pio XII sintetiza em sua encíclica dedicada a este culto: “Que homenagem religiosa mais nobre e mais suave que este culto, que se dirige inteiro à própria caridade de Deus?”.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Sagrado Coração: devoção ao coração humano e divino de Jesus
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16:50
Novo site vaticano para Ano Sacerdotal
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09:30
Cidade do Vaticano, sexta-feira, 19 de junho de 2009 (ZENIT.org)
A Congregação para o Clero lançou um site dedicado ao Ano Sacerdotal, inaugurado nesta sexta-feira por Bento XVI, www.annussacerdotalis.org. O cardeal Cláudio Hummes, OFM, prefeito da congregação vaticana, fez o anúncio através de um comunicado no qual explica que esta iniciativa pretende acompanhar a vida dos sacerdotes, de maneira particular ao longo deste ano.
O site “tem como específica finalidade a ajuda concreta, com notas espirituais, notícias várias e documentos, todos referentes ao Ano Sacerdotal”, esclarece o purpurado brasileiro.
“O Ano Sacerdotal está sendo muito bem recebido no mundo inteiro – constata o cardeal Hummes. A repercussão positiva é imediata. Participemos, portanto, com empenho e criatividade.”
O novo site está disponível em espanhol, italiano, francês, alemão e português.
A Congregação para o Clero lançou um site dedicado ao Ano Sacerdotal, inaugurado nesta sexta-feira por Bento XVI, www.annussacerdotalis.org. O cardeal Cláudio Hummes, OFM, prefeito da congregação vaticana, fez o anúncio através de um comunicado no qual explica que esta iniciativa pretende acompanhar a vida dos sacerdotes, de maneira particular ao longo deste ano.
O site “tem como específica finalidade a ajuda concreta, com notas espirituais, notícias várias e documentos, todos referentes ao Ano Sacerdotal”, esclarece o purpurado brasileiro.
“O Ano Sacerdotal está sendo muito bem recebido no mundo inteiro – constata o cardeal Hummes. A repercussão positiva é imediata. Participemos, portanto, com empenho e criatividade.”
O novo site está disponível em espanhol, italiano, francês, alemão e português.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Uma parceria: psicologia cristã
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Visionário (Anderson Gonçalves)
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10:19
Corpo e alma numa perspectiva católica
Pe. John Flynn, LC, em Roma, 14 de junho de 2009 (Zenit.org).
A psicologia e a fé podem parecer improváveis parceiras, à primeira vista, mas elas são compatíveis, de acordo com uma edição recente de uma revista profissional de psicologia. De fato, a psicologia necessita de uma concepção da pessoa humana que possa descrever com precisão o que o nosso corpo e alma são, e como se relacionam. Além disso, faria bem reconhecer que os seres humanos têm tantos desejos naturais quanto transcendentais.
Esta foi a afirmação de abertura da recém-publicada "Questão católica", da revista "Edification: A Journal of the Society of Christian Psychology" (vol. 3.1). A questão foi confiada ao Instituto de Ciências Psicológicas (IPS), uma escola católica com graduação em psicologia em Arlington, Virgínia.
O ex-aluno da faculdade Christian Brugger, agora um professor associado no St. John Vianney Theological Seminary, serviu como editor convidado e escreveu o ensaio de abertura em torno do qual muitas das contribuições se basearam. Em seu artigo, Brugger salienta que, dado o objetivo da psicologia clínica de assistência humana florescer em termos da saúde mental de uma pessoa, é útil compreender a natureza da pessoa humana, baseando-a em uma antropologia idônea.
Como seres humanos, ele explicou, podemos ultrapassar as percepções e emoções do corpo, porque somos mais do que seres corporais e nossa faculdade de razão não é um órgão material. Isto significa que a psicologia cristã garante a liberdade humana para autodireção racional e livre escolha, tanto quanto uma capacidade imaterial não determinada por leis físicas causais, Brugger concluiu.
O perigo da negação generalizada pelas ciências sociais seculares desta natureza imaterial da nossa razão é que não só abre as portas para afirmações radicais do determinismo, mas também nega a dimensão espiritual da pessoa humana, Brugger argumentou.
Comparando abordagens
Paul C. Vitz, da IPS, destacou algumas das diferenças em uma abordagem de psicologia cristã em comparação com uma visão secular em seu ensaio intitulado: "Teoria da Personalidade Reconcebível por uma perspectiva cristã católica." Vitz notou que uma interpretação cristã da personalidade começa por assumir que Deus existe e que ele é uma pessoa com quem se está em um relacionamento. Se um psicólogo admite a existência de Deus e a validade de uma dimensão religiosa para a vida, isto tem a vantagem psicológica de lhes permitir tratar um cliente religioso com mais honestidade e maior respeito.
Grande parte da teoria secular da personalidade moderna, no entanto, é reducionista e presume que a experiência religiosa e ideais morais são causados por fenômenos subjacentes inferiores, Vitz explicou. Assim, na abordagem freudiana, o amor é reduzido ao desejo sexual, o desejo sexual à fisiologia; e a vida espiritual ou ideais artísticos são reduzidos a impulsos sexuais sublimados.
Em contrapartida, uma abordagem cristã é construcionista, segundo Vitz. Isto significa que enfatiza os mais altos aspectos da personalidade, como possuidores e frequentemente causadores ou transformadores dos aspectos mais baixos. É, portanto, um método sintético, juntando coisas em um modelo integrado, enquanto o pensamento reducionista é analítico.
Vitz admite que uma boa e nítida análise é um requisito importante. No entanto, a psicologia muito moderna tem-se limitado apenas a esta análise redutora, sem qualquer conceito integrado da pessoa humana.
Vitz também destacou o contraste, quando se trata de teoria da personalidade. Grande parte da abordagem secular vê a personalidade como um ente autônomo isolado. O cristianismo, no entanto, não presume que o objetivo da vida é a independência, ao invés disso dá um papel central para as relações. "Cristianismo postula interdependência mútua e livremente escolhida, mas cuidando-se um do outro, como o principal tipo de relacionamento adulto", comentou Vitz.
Redescobrindo a virtude
Reivindicar a visão baseada na virtude da pessoa humana foi o tema do artigo “A Catholic Christian Positive Psychology: A Virtue Approach”, dos membros do IPS Craig Steven Titus e Frank Moncher. Na verdade, filósofos clássicos como Aristóteles baseiam sua visão psicossocial sob o ponto de vista da teoria da virtude, afirmaram. Tal abordagem estuda a correlação potencial entre bem-estar psicológico e ética da bondade que são exibidas nas maiores virtudes. Isto contrasta com algumas abordagens seculares da psicologia que consideram a saúde mental como sendo simplesmente a ausência de doença.
Titus e Moncher comentaram que um nível básico de cada grande virtude é necessária, a fim de ser considerada psicologicamente saudável ou ter um bom caráter. Assim, "A psicoterapia cristã pode procurar não só a redução dos sintomas, mas também o desenvolvimento das virtudes adquiridas."
Num outro ensaio, Frank Moncher olha para as implicações das premissas antropológicas cristãs católicas especificamente para a psicologia em uma contribuição intitulada "Implications of Catholic Anthropology for Psychological Assessment". É importante, argumenta ele, que um psicólogo tenha a total antropologia teológica e filosófica em mente quando avalia um cliente, e também ser internamente curioso para entender a cosmovisão do cliente e o sistema de valores.
Com freqüência, no entanto, os conhecimentos relativos às realidades transcendentais, normas morais, beleza estética e o desenvolvimento de virtudes são geralmente excluídos pelos tradicionais métodos clínicos.
Moncher também comentou que uma abertura à antropologia cristã é particularmente importante quando se trata de tarefas como a avaliação para a entrada dos candidatos ao sacerdócio ou da vida religiosa, ou no trabalho dos tribunais católicos que devem examinar a validade dos casamentos e da capacidade das pessoas para dar pleno e livre consentimento para seus votos de matrimônio.
Vocação
Bill Nordling e Phil Scrofani, membros do IPS, viraram a mesa e olharam para o que significa uma abordagem para o católico praticante, em seu ensaio, "Implications of a Catholic Anthropology for Developing a Catholic Approach to Psychotherapy". Eles explicam por que o conceito de vocação é útil quando aplicado à carreira profissional de um terapeuta. "Para um cristão, tornar-se um terapeuta pode ser uma resposta sem para um chamado de Deus para prestar serviços de saúde mental para os clientes que sofrem", eles escreveram.
Sob esta luz, a tarefa do terapeuta não apenas envolve uma relação terapêutica com o cliente, mas é uma relação que vai além de negócios. "Exibir sua profissão escolhida como uma vocação pessoal motiva-o não apenas a observar a sua consciência ética profissional, mas também para a prática de acordo com princípios éticos católicos", Nordling e Scrofani acrescentaram. Esta concepção baseada na vocação de ser terapeuta também irá servir para motivar quando trabalhar com um cliente "difícil", ou quando sacrifícios de tempo ou dinheiro são necessários.
A noção de uma vocação não apenas orientará a compreensão de um terapeuta ao cliente e ao tratamento, mas também irá orientar um terapeuta para entender que o cliente está inserido dentro de uma família, uma cultura, e muitas vezes uma tradição de fé. "Este tipo de abordagem à psicoterapia demonstra um profundo respeito pela diversidade, iniciando com o princípio fundamental de que o cliente é uma única e irrepetível pessoa feita à imagem de Deus", Nordling e Scrofani comentaram. "Além disso, é um imperativo moral, em última instância, para permitir que o próprio cliente se torne definitivo para fazer livremente escolhas de acordo com a consciência."
Ao concluir a sua contribuição, o autor especificou que uma tal abordagem antropologicamente informada à psicoterapia não pode ser concebida como estando em oposição à ciência da psicologia. Portanto, os métodos terapêuticos serão escolhidos com a consideração da sua comprovada eficácia.
Eles também admitiram que o principal foco de um terapeuta deve-se circunscrever ao funcionamento psicológico do cliente, deixando de lado questões mais específicas espirituais para sacerdotes e diretores espirituais.
Acima de tudo, a publicação fornece ideias instigantes sobre como uma antropologia baseada no cristianismo pode fornecer informações valiosas sobre a condição humana. Na internet: "Edification" Catholic issue: http://christianpsych.org/wp_scp/wp-content/uploads/edification-31.pdf
Pe. John Flynn, LC, em Roma, 14 de junho de 2009 (Zenit.org).
A psicologia e a fé podem parecer improváveis parceiras, à primeira vista, mas elas são compatíveis, de acordo com uma edição recente de uma revista profissional de psicologia. De fato, a psicologia necessita de uma concepção da pessoa humana que possa descrever com precisão o que o nosso corpo e alma são, e como se relacionam. Além disso, faria bem reconhecer que os seres humanos têm tantos desejos naturais quanto transcendentais.Esta foi a afirmação de abertura da recém-publicada "Questão católica", da revista "Edification: A Journal of the Society of Christian Psychology" (vol. 3.1). A questão foi confiada ao Instituto de Ciências Psicológicas (IPS), uma escola católica com graduação em psicologia em Arlington, Virgínia.
O ex-aluno da faculdade Christian Brugger, agora um professor associado no St. John Vianney Theological Seminary, serviu como editor convidado e escreveu o ensaio de abertura em torno do qual muitas das contribuições se basearam. Em seu artigo, Brugger salienta que, dado o objetivo da psicologia clínica de assistência humana florescer em termos da saúde mental de uma pessoa, é útil compreender a natureza da pessoa humana, baseando-a em uma antropologia idônea.
Como seres humanos, ele explicou, podemos ultrapassar as percepções e emoções do corpo, porque somos mais do que seres corporais e nossa faculdade de razão não é um órgão material. Isto significa que a psicologia cristã garante a liberdade humana para autodireção racional e livre escolha, tanto quanto uma capacidade imaterial não determinada por leis físicas causais, Brugger concluiu.
O perigo da negação generalizada pelas ciências sociais seculares desta natureza imaterial da nossa razão é que não só abre as portas para afirmações radicais do determinismo, mas também nega a dimensão espiritual da pessoa humana, Brugger argumentou.
Comparando abordagens
Paul C. Vitz, da IPS, destacou algumas das diferenças em uma abordagem de psicologia cristã em comparação com uma visão secular em seu ensaio intitulado: "Teoria da Personalidade Reconcebível por uma perspectiva cristã católica." Vitz notou que uma interpretação cristã da personalidade começa por assumir que Deus existe e que ele é uma pessoa com quem se está em um relacionamento. Se um psicólogo admite a existência de Deus e a validade de uma dimensão religiosa para a vida, isto tem a vantagem psicológica de lhes permitir tratar um cliente religioso com mais honestidade e maior respeito.
Grande parte da teoria secular da personalidade moderna, no entanto, é reducionista e presume que a experiência religiosa e ideais morais são causados por fenômenos subjacentes inferiores, Vitz explicou. Assim, na abordagem freudiana, o amor é reduzido ao desejo sexual, o desejo sexual à fisiologia; e a vida espiritual ou ideais artísticos são reduzidos a impulsos sexuais sublimados.
Em contrapartida, uma abordagem cristã é construcionista, segundo Vitz. Isto significa que enfatiza os mais altos aspectos da personalidade, como possuidores e frequentemente causadores ou transformadores dos aspectos mais baixos. É, portanto, um método sintético, juntando coisas em um modelo integrado, enquanto o pensamento reducionista é analítico.
Vitz admite que uma boa e nítida análise é um requisito importante. No entanto, a psicologia muito moderna tem-se limitado apenas a esta análise redutora, sem qualquer conceito integrado da pessoa humana.
Vitz também destacou o contraste, quando se trata de teoria da personalidade. Grande parte da abordagem secular vê a personalidade como um ente autônomo isolado. O cristianismo, no entanto, não presume que o objetivo da vida é a independência, ao invés disso dá um papel central para as relações. "Cristianismo postula interdependência mútua e livremente escolhida, mas cuidando-se um do outro, como o principal tipo de relacionamento adulto", comentou Vitz.
Redescobrindo a virtude
Reivindicar a visão baseada na virtude da pessoa humana foi o tema do artigo “A Catholic Christian Positive Psychology: A Virtue Approach”, dos membros do IPS Craig Steven Titus e Frank Moncher. Na verdade, filósofos clássicos como Aristóteles baseiam sua visão psicossocial sob o ponto de vista da teoria da virtude, afirmaram. Tal abordagem estuda a correlação potencial entre bem-estar psicológico e ética da bondade que são exibidas nas maiores virtudes. Isto contrasta com algumas abordagens seculares da psicologia que consideram a saúde mental como sendo simplesmente a ausência de doença.
Titus e Moncher comentaram que um nível básico de cada grande virtude é necessária, a fim de ser considerada psicologicamente saudável ou ter um bom caráter. Assim, "A psicoterapia cristã pode procurar não só a redução dos sintomas, mas também o desenvolvimento das virtudes adquiridas."
Num outro ensaio, Frank Moncher olha para as implicações das premissas antropológicas cristãs católicas especificamente para a psicologia em uma contribuição intitulada "Implications of Catholic Anthropology for Psychological Assessment". É importante, argumenta ele, que um psicólogo tenha a total antropologia teológica e filosófica em mente quando avalia um cliente, e também ser internamente curioso para entender a cosmovisão do cliente e o sistema de valores.
Com freqüência, no entanto, os conhecimentos relativos às realidades transcendentais, normas morais, beleza estética e o desenvolvimento de virtudes são geralmente excluídos pelos tradicionais métodos clínicos.
Moncher também comentou que uma abertura à antropologia cristã é particularmente importante quando se trata de tarefas como a avaliação para a entrada dos candidatos ao sacerdócio ou da vida religiosa, ou no trabalho dos tribunais católicos que devem examinar a validade dos casamentos e da capacidade das pessoas para dar pleno e livre consentimento para seus votos de matrimônio.
Vocação
Bill Nordling e Phil Scrofani, membros do IPS, viraram a mesa e olharam para o que significa uma abordagem para o católico praticante, em seu ensaio, "Implications of a Catholic Anthropology for Developing a Catholic Approach to Psychotherapy". Eles explicam por que o conceito de vocação é útil quando aplicado à carreira profissional de um terapeuta. "Para um cristão, tornar-se um terapeuta pode ser uma resposta sem para um chamado de Deus para prestar serviços de saúde mental para os clientes que sofrem", eles escreveram.
Sob esta luz, a tarefa do terapeuta não apenas envolve uma relação terapêutica com o cliente, mas é uma relação que vai além de negócios. "Exibir sua profissão escolhida como uma vocação pessoal motiva-o não apenas a observar a sua consciência ética profissional, mas também para a prática de acordo com princípios éticos católicos", Nordling e Scrofani acrescentaram. Esta concepção baseada na vocação de ser terapeuta também irá servir para motivar quando trabalhar com um cliente "difícil", ou quando sacrifícios de tempo ou dinheiro são necessários.
A noção de uma vocação não apenas orientará a compreensão de um terapeuta ao cliente e ao tratamento, mas também irá orientar um terapeuta para entender que o cliente está inserido dentro de uma família, uma cultura, e muitas vezes uma tradição de fé. "Este tipo de abordagem à psicoterapia demonstra um profundo respeito pela diversidade, iniciando com o princípio fundamental de que o cliente é uma única e irrepetível pessoa feita à imagem de Deus", Nordling e Scrofani comentaram. "Além disso, é um imperativo moral, em última instância, para permitir que o próprio cliente se torne definitivo para fazer livremente escolhas de acordo com a consciência."
Ao concluir a sua contribuição, o autor especificou que uma tal abordagem antropologicamente informada à psicoterapia não pode ser concebida como estando em oposição à ciência da psicologia. Portanto, os métodos terapêuticos serão escolhidos com a consideração da sua comprovada eficácia.
Eles também admitiram que o principal foco de um terapeuta deve-se circunscrever ao funcionamento psicológico do cliente, deixando de lado questões mais específicas espirituais para sacerdotes e diretores espirituais.
Acima de tudo, a publicação fornece ideias instigantes sobre como uma antropologia baseada no cristianismo pode fornecer informações valiosas sobre a condição humana. Na internet: "Edification" Catholic issue: http://christianpsych.org/wp_scp/wp-content/uploads/edification-31.pdf
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Roma acolhe encontro de líderes das religiões do mundo
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Visionário (Anderson Gonçalves)
às
08:21
Evento celebra-se no contexto da reunião do G8 em ÁquilaRoma, terça-feira, 16 de junho de 2009 (ZENIT.org).
Com motivo da reunião do grupo dos países mais industrializados (G8), que acontece em Áquila –cidade italiana flagelada pelo terremoto–, de 8 a 10 de julho, inaugurou-se o IV Encontro de Líderes das Religiões do Mundo.
O evento, que começou hoje em Roma, reúne representantes das Igrejas cristãs e das grandes religiões mundiais, sobre temas incluídos na agenda dos encontros do representantes dos governos. Seu objetivo é estabelecer um diálogo entre os líderes religiosos para enfrentar os grandes temas da política e da atualidade, com o objetivo de produzir um documento sintético e propositivo para apresentá-lo ao chefe de governo do país anfitrião e à assembleia política dos representantes.
Na apresentação, que teve lugar na sede da Rádio Vaticano, o presidente da comissão da Conferência Episcopal Italiana para o ecumenismo e o diálogo inter-religioso, bispo Vincenzo Paglia, explicou que "a dimensão religiosa é essencial para o desenvolvimento, para a convivência e para a paz entre as populações”.
Os dois dias de debates trazem temas prioritários para o G8, como a água, a garantia alimentar, saúde, educação, paz e segurança. Os participantes dedicam uma especial atenção à África e também a refletir sobre a necessidade de novos direcionamentos da economia global do ponto de vista ético.
“O ‘poder’ religioso –disse Dom Paglia– não é um ‘poder’ exterior, mas totalmente interior, porque está situado nos corações, naquelas forças espirituais que subjazem na história; sem ele, outros poderes correm o risco de ser fundados sobre areia.”
O encontro começou com uma visita a L'Aquila, área atingida pelo terremoto de 6 de abril. Em seguida, os 80 representantes da Igreja Católica, de outras confissões cristãs, do mundo judaico, budista e da Conferência Mundial de Religiões pela Paz, do Japão, tinha prevista para a tarde de hoje uma audiência com o presidente da República Italiana, Giorgio Napolitano.
O esplêndido cenário de Villa Madama (sede do Ministério de Assuntos Exteriores) acolhe depois os participantes do encontro religioso e a sessão de abertura, presidida por Sua Beatitude Abuna Paulos, Patriarca da Igreja da Etiópia.
Ao final do encontro, será redigido o Documento final do evento, que o presidente do Conselho de Ministros da Itália, Silvio Berlusconi, entregará ao G8.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Com fazer uma boa leitura na Missa
Postado por
Anderson Pontes
às
16:22
Quando ligamos a TV e escutamos a voz de William Bonner narrando uma notícia, por mais improvável que ela seja, nós não costumamos duvidar. Se está lá, narrada por ele, é porque é fato, é notícia.
Por que isso acontece? Simplesmente por se tratar do Jornal Nacional, o maior telejornal do país? Não seria também pela segurança na sua voz, firme e objetiva?
A maior notícia de todas é aquela que a Igreja conta há dois mil anos. A boa nova não envelhece. Mas até mesmo nossos ministros da palavra, leigos no altar, muitas vezes não parecem estar convencidos disso.
COMO EXERCER O MINISTÉRIO DA PALAVRA NAS MISSAS?
1. Entender a Palavra que será proclamada. Para isso, antes da celebração leia, para si mesmo, o trecho sagrado. Perceba Procure entender a Palavra, captar a mensagem que deverá ser transmitida. Dentro deste contexto, tente perceber que trechos do texto são mais importantes na mensagem. Você deverá lê-los com mais ênfase ao proclamar a Palavra.
2. Fazer a leitura à meia-voz para si mesmo ou para um colega. Treine a dicção, sobretudo nas palavras de difícil pronúncia. Caso haja dúvidas, pergunte ao sacerdote celebrante.
3. Dirigindo-se ao ambão para a leitura. Ambão é de onde se lê. Você não deverá levar o jornalzinho «O Domingo». Deixe-o na cadeira. De forma solene, deverá utilizar o próprio livro litúrgico que estará lá, aberto, na página certa com a mesma leitura. Se ao dirigir-se para lá tiver que passar na frente ao sacrário, não esqueça de fazer reverência ao passar pela sua frente. Não tenha pressa, faça bem feito. Se não souber como, peça orientação ao sacerdote antes da celebração.
4. Proclamando a palavra para a comunidade. Enquanto vai lendo, acompanhe com um dedo o trecho lido, a fim de não se perder. Assim, você poderá alternar a atenção e o olhar entre o livro e a comunidade à sua frente, a fim de obter maior atenção. Pronuncie as palavras com ritmo, clareza e firmeza. Nada que um pouco de treino e experiência não resolva.
5. Participe intensamente da celebração. É importante que leitor não esteja lá apenas para a leitura. Por isso, recomenda-se que o ministro participe da inclusive da comunhão eucarística. Caso não esteja devidamente preparado, é sempre bom alertar o celebrante antes da missa.
Por que isso acontece? Simplesmente por se tratar do Jornal Nacional, o maior telejornal do país? Não seria também pela segurança na sua voz, firme e objetiva?
A maior notícia de todas é aquela que a Igreja conta há dois mil anos. A boa nova não envelhece. Mas até mesmo nossos ministros da palavra, leigos no altar, muitas vezes não parecem estar convencidos disso.
COMO EXERCER O MINISTÉRIO DA PALAVRA NAS MISSAS?
1. Entender a Palavra que será proclamada. Para isso, antes da celebração leia, para si mesmo, o trecho sagrado. Perceba Procure entender a Palavra, captar a mensagem que deverá ser transmitida. Dentro deste contexto, tente perceber que trechos do texto são mais importantes na mensagem. Você deverá lê-los com mais ênfase ao proclamar a Palavra.
2. Fazer a leitura à meia-voz para si mesmo ou para um colega. Treine a dicção, sobretudo nas palavras de difícil pronúncia. Caso haja dúvidas, pergunte ao sacerdote celebrante.
3. Dirigindo-se ao ambão para a leitura. Ambão é de onde se lê. Você não deverá levar o jornalzinho «O Domingo». Deixe-o na cadeira. De forma solene, deverá utilizar o próprio livro litúrgico que estará lá, aberto, na página certa com a mesma leitura. Se ao dirigir-se para lá tiver que passar na frente ao sacrário, não esqueça de fazer reverência ao passar pela sua frente. Não tenha pressa, faça bem feito. Se não souber como, peça orientação ao sacerdote antes da celebração.
4. Proclamando a palavra para a comunidade. Enquanto vai lendo, acompanhe com um dedo o trecho lido, a fim de não se perder. Assim, você poderá alternar a atenção e o olhar entre o livro e a comunidade à sua frente, a fim de obter maior atenção. Pronuncie as palavras com ritmo, clareza e firmeza. Nada que um pouco de treino e experiência não resolva.
5. Participe intensamente da celebração. É importante que leitor não esteja lá apenas para a leitura. Por isso, recomenda-se que o ministro participe da inclusive da comunhão eucarística. Caso não esteja devidamente preparado, é sempre bom alertar o celebrante antes da missa.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
O Papa - Vigário de Cristo
Postado por
Visionário (Anderson Gonçalves)
às
12:55
Autor: Seminarista Eduardo da Costa, LC*
Fonte: Pastoralis
O Papa recebe muitos títulos que, de uma forma ou de outra descrevem o seu ministério petrino. Entre eles estão: Bispo de Roma, Sumo Pontífice, Sucessor de São Pedro, Primaz da Itália, etc. Mas talvez o título que melhor descreve a sua missão de sucessor do Príncipe dos Apóstolos é o de Vigário de Cristo.
Muitas vezes, escutamos esta expressão, mas qual é o seu significado e origem? Pois bem, comecemos pela etimologia. Vigário é uma palavra de origem latina que provém de “vicarius”, e significa em termos gerais "aquele que faz as vezes de outro". Durante o Império Romano, no tempo de Dioclesiano e Constantino, vigário era o representante máximo do imperador em uma certa região administrativa ou província que era chamada pelos romanos de "Diocese".
Na Idade Média, com a queda do Império Romano, este título passou a ser usado pelo Papa, como representante do poder espiritual e como aquele que faz as vezes de Cristo na terra. Porém, como se justifica que tal titulo seja atribuído ao Papa, qual é o seu fundamento bíblico?
Para poder responder a esta pergunta, temos que ambientar-nos no contexto cultural judeu do tempo de Cristo e descobrir toda a profundidade das suas palavras em Mt 16, 17-19: "Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne ou sangue que te revelaram isto, e sim o meu Pai que que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus.". Cristo, nesta passagem, nomeia Pedro seu Vigário. Ao mesmo tempo que evoca uma profecia de Isaias, onde o Rei Ezequias remove as chaves da casa de Davi de Shebna e entrega ao seu novo sucessor Eliacim (Is 22, 22): "Porei sobre os seus ombros a chave da casa de Davi: quando ele abrir, ninguém fechará; quando ele fechar, ninguém abrirá.". Vejamos como esta profecia nos pode ajudar a compreender melhor estas palavras de Nosso Senhor e o significado das “chaves”.
Em primeiro lugar, recordemos que São Mateus escrevia o seu evangelho a um público judeu, que esperava a vinda do Messias para restaurar o reino davídico e liberar Israel do julgo romano. Isso explica porque neste evangelho, Jesus é apresentado como “Rei”. Esta palavra, por exemplo, aparece 17 vezes, direta ou indiretamente relacionada a Cristo, e a palavra “Reino” aparece 51 vezes. Sem dúvida, o evangelista Mateus quer nos ajudar a abrir os olhos a uma realidade importante.
Eliacim (Cf. 2Re 18, 37) é o mordomo ou vizir do reino de Israel e Judá. Como de costume naquele tempo, todos os reinos possuíam um cargo administrativo análogo ao atual primeiro-ministro que conhecemos hoje. Basta recordar também outra passagem do Antigo Testamento onde o Faraó constitui José administrador de todo Egito (Cf. Gn 41-47) e lhe confere todo poder exceto o seu próprio trono.
No reino de Israel não era diferente. Aquele que exercia este cargo levava como símbolo as chaves do reino, que representavam o poder do rei delegado a este funcionário real. No caso do Egito o símbolo era um anel. Nenhum judeu que escutasse estas palavras de Is 22 ou de Mt 16 ficaria confundido, muito pelo contrário. Cristo, sendo da linhagem de Davi (Mt 1, 1), é o sucessor legítimo do seu trono. Ele está estabelecendo o seu reinado messiânico, e evoca esta passagem para designar o seu vigário.
O episódio de José também ilumina as palavras de Cristo em Mt 16. José foi escolhido pelo Faraó a causa de uma revelação divina. Também Cristo escolhe Simão por ter revelado a sua natureza divina "Tu es o Cristo, Filho do Deus Altíssimo". Paralelamente como José recebe um novo nome do Faraó para a sua nova incumbência, também Cristo, para significar a nova missão de Simão, lhe chama Pedro, "pedra", firme na fé como uma rocha para confirmar a todos os seu irmãos (Jo 21,15-17).
As chaves no contesto bíblico de Is 22 e Mt 16 são símbolo de autoridade jurídica e doutrinal. Cristo é o detentor das chaves do Reino dos céus (Ap 3, 7-8) e, em Mt 16 as delega a Pedro, seu vigário. Um oráculo do Senhor anunciava que Eliacim receberia a autoridade do reino de Israel. Assim também no Novo Testamento, Cristo, fundando o seu Reino, confere a Pedro a autoridade para guiar visivelmente o povo da nova aliança.
Muitos aceitam que Cristo tenha conferido tal poder a Pedro. Porem, que dizer dos 264 papas que já sucederam a Pedro na sua cátedra. Também o atual Papa, Bento XVI, possui o poder das chaves?
A exemplo do reino de Israel e do Reino do Egito, vizir se tratava de um cargo, e caso estivesse vacante, um novo deveria ser eleito. É como se morresse o presidente do Brasil, todos nos preocuparíamos de imediato para que um novo presidente fosse eleito e continuasse a representar e governar o nosso país.
Cristo restaura o reino davidico e restaura também o ofício de vizir, e faz de Pedro sucessor de Eliacim. Evidentemente que Cristo, ao eleger Pedro como o seu vicário, não esperava que com a morte do apóstolo no ano 64 da nossa era, desaparecesse o cargo. Pelo contrário, à medida que a Igreja crescia e se expandia, mais importante se tornara tal ministério, e não o oposto.
A autoridade das chaves, portanto, continua a ser exercida pelo Papa. Assim como Moisés foi eleito para guiar o povo de Israel, entregar os mandamentos da Lei de Deus e interpretá-los, igualmente Pedro possui a autoridade para guiar o povo da nova aliança. Moisés recebeu uma revelação divina no monte Sinai e foi infalível no seu ensinamento, sentado sobre a sua cátedra julgando o povo e interpretando a lei, ofício que continuava no tempo de Cristo (MT 23, 1-3). Da mesma forma hoje o Papa, desde a cátedra de Pedro continua a ensinar e guiar o povo de Deus.
Tanto os israelitas da antiga aliança como os católicos, povo da nova aliança, reconhecem a autoridade da Sagrada Escritura e da Tradição legitimamente representada no Papa e no magistério. Ambos reconhecem uma hierarquia, e possuíam uma hierarquia antes de possuir a Sagrada Escritura (Antigo e Novo Testamento foram autoritivamente recoletados em cânones). Ambos reconhecem o caráter sucessivo do ofício autoritativo de ensinar.
O Papa, Vigário de Cristo, exercitará sempre a autoridade das chaves assistido pelo Espirito Santo, e será sempre sinal visível da unidade cristã e da promessa de Cristo de acompanhar a sua Igraja até o fim dos tempos (Mt 28, 20).
* Eduardo da Costa é Estudante do 4º ano de Filosofia em Roma e é tutelado pelo Pe. Adilson Marques, LC
Fonte: Pastoralis
O Papa recebe muitos títulos que, de uma forma ou de outra descrevem o seu ministério petrino. Entre eles estão: Bispo de Roma, Sumo Pontífice, Sucessor de São Pedro, Primaz da Itália, etc. Mas talvez o título que melhor descreve a sua missão de sucessor do Príncipe dos Apóstolos é o de Vigário de Cristo.
Muitas vezes, escutamos esta expressão, mas qual é o seu significado e origem? Pois bem, comecemos pela etimologia. Vigário é uma palavra de origem latina que provém de “vicarius”, e significa em termos gerais "aquele que faz as vezes de outro". Durante o Império Romano, no tempo de Dioclesiano e Constantino, vigário era o representante máximo do imperador em uma certa região administrativa ou província que era chamada pelos romanos de "Diocese".
Na Idade Média, com a queda do Império Romano, este título passou a ser usado pelo Papa, como representante do poder espiritual e como aquele que faz as vezes de Cristo na terra. Porém, como se justifica que tal titulo seja atribuído ao Papa, qual é o seu fundamento bíblico?
Para poder responder a esta pergunta, temos que ambientar-nos no contexto cultural judeu do tempo de Cristo e descobrir toda a profundidade das suas palavras em Mt 16, 17-19: "Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne ou sangue que te revelaram isto, e sim o meu Pai que que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus.". Cristo, nesta passagem, nomeia Pedro seu Vigário. Ao mesmo tempo que evoca uma profecia de Isaias, onde o Rei Ezequias remove as chaves da casa de Davi de Shebna e entrega ao seu novo sucessor Eliacim (Is 22, 22): "Porei sobre os seus ombros a chave da casa de Davi: quando ele abrir, ninguém fechará; quando ele fechar, ninguém abrirá.". Vejamos como esta profecia nos pode ajudar a compreender melhor estas palavras de Nosso Senhor e o significado das “chaves”.
Em primeiro lugar, recordemos que São Mateus escrevia o seu evangelho a um público judeu, que esperava a vinda do Messias para restaurar o reino davídico e liberar Israel do julgo romano. Isso explica porque neste evangelho, Jesus é apresentado como “Rei”. Esta palavra, por exemplo, aparece 17 vezes, direta ou indiretamente relacionada a Cristo, e a palavra “Reino” aparece 51 vezes. Sem dúvida, o evangelista Mateus quer nos ajudar a abrir os olhos a uma realidade importante.
Eliacim (Cf. 2Re 18, 37) é o mordomo ou vizir do reino de Israel e Judá. Como de costume naquele tempo, todos os reinos possuíam um cargo administrativo análogo ao atual primeiro-ministro que conhecemos hoje. Basta recordar também outra passagem do Antigo Testamento onde o Faraó constitui José administrador de todo Egito (Cf. Gn 41-47) e lhe confere todo poder exceto o seu próprio trono.
No reino de Israel não era diferente. Aquele que exercia este cargo levava como símbolo as chaves do reino, que representavam o poder do rei delegado a este funcionário real. No caso do Egito o símbolo era um anel. Nenhum judeu que escutasse estas palavras de Is 22 ou de Mt 16 ficaria confundido, muito pelo contrário. Cristo, sendo da linhagem de Davi (Mt 1, 1), é o sucessor legítimo do seu trono. Ele está estabelecendo o seu reinado messiânico, e evoca esta passagem para designar o seu vigário.
O episódio de José também ilumina as palavras de Cristo em Mt 16. José foi escolhido pelo Faraó a causa de uma revelação divina. Também Cristo escolhe Simão por ter revelado a sua natureza divina "Tu es o Cristo, Filho do Deus Altíssimo". Paralelamente como José recebe um novo nome do Faraó para a sua nova incumbência, também Cristo, para significar a nova missão de Simão, lhe chama Pedro, "pedra", firme na fé como uma rocha para confirmar a todos os seu irmãos (Jo 21,15-17).
As chaves no contesto bíblico de Is 22 e Mt 16 são símbolo de autoridade jurídica e doutrinal. Cristo é o detentor das chaves do Reino dos céus (Ap 3, 7-8) e, em Mt 16 as delega a Pedro, seu vigário. Um oráculo do Senhor anunciava que Eliacim receberia a autoridade do reino de Israel. Assim também no Novo Testamento, Cristo, fundando o seu Reino, confere a Pedro a autoridade para guiar visivelmente o povo da nova aliança.
Muitos aceitam que Cristo tenha conferido tal poder a Pedro. Porem, que dizer dos 264 papas que já sucederam a Pedro na sua cátedra. Também o atual Papa, Bento XVI, possui o poder das chaves?
A exemplo do reino de Israel e do Reino do Egito, vizir se tratava de um cargo, e caso estivesse vacante, um novo deveria ser eleito. É como se morresse o presidente do Brasil, todos nos preocuparíamos de imediato para que um novo presidente fosse eleito e continuasse a representar e governar o nosso país.
Cristo restaura o reino davidico e restaura também o ofício de vizir, e faz de Pedro sucessor de Eliacim. Evidentemente que Cristo, ao eleger Pedro como o seu vicário, não esperava que com a morte do apóstolo no ano 64 da nossa era, desaparecesse o cargo. Pelo contrário, à medida que a Igreja crescia e se expandia, mais importante se tornara tal ministério, e não o oposto.
A autoridade das chaves, portanto, continua a ser exercida pelo Papa. Assim como Moisés foi eleito para guiar o povo de Israel, entregar os mandamentos da Lei de Deus e interpretá-los, igualmente Pedro possui a autoridade para guiar o povo da nova aliança. Moisés recebeu uma revelação divina no monte Sinai e foi infalível no seu ensinamento, sentado sobre a sua cátedra julgando o povo e interpretando a lei, ofício que continuava no tempo de Cristo (MT 23, 1-3). Da mesma forma hoje o Papa, desde a cátedra de Pedro continua a ensinar e guiar o povo de Deus.
Tanto os israelitas da antiga aliança como os católicos, povo da nova aliança, reconhecem a autoridade da Sagrada Escritura e da Tradição legitimamente representada no Papa e no magistério. Ambos reconhecem uma hierarquia, e possuíam uma hierarquia antes de possuir a Sagrada Escritura (Antigo e Novo Testamento foram autoritivamente recoletados em cânones). Ambos reconhecem o caráter sucessivo do ofício autoritativo de ensinar.
O Papa, Vigário de Cristo, exercitará sempre a autoridade das chaves assistido pelo Espirito Santo, e será sempre sinal visível da unidade cristã e da promessa de Cristo de acompanhar a sua Igraja até o fim dos tempos (Mt 28, 20).
* Eduardo da Costa é Estudante do 4º ano de Filosofia em Roma e é tutelado pelo Pe. Adilson Marques, LC
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