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domingo, 16 de maio de 2010

O Porta-Voz - Maio de 2010 (Ano XXIV, Nº10)

A edição de Maio de 2010 e3stá sendo distribuída esse final de semana, mas se por algum motivo você não pôde pegar seu exemplar impresso pode visualizar já a versão online. Confira os destaques e acesse a edição clicando na imagem ao lado:

Cristo, maior aliado das Mulheres
Reflexões de Raniero Cantalamessa, pregador do Papa, oportunamente publicada por ocasião do mês das mães e das noivas.

Compromissos com a fé
O paroquiano João Vicente Torres discorre sobre a forma como o católico deve expressar sua fé e seu compromisso com a comunidade.

Católicos, voltem pra casa!
Campanha de resgate de Católicos ganha o mundo, na contramão da campanha de difamação da Igreja. Por Anderson Pontes,  a partir de informações publicadas em Zenit e no blog do Porta-voz.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Semana da Família

Por Dom Orani João Tempesta
Em 11 de Agosto de 2009


A semana que se inicia com o Dia dos Pais é a escolhida como Semana Nacional da Família, que quer ajudar a reforçar os laços familiares de nosso povo, proporcionando, assim, que as células saudáveis do tecido social ajudem o nosso corpo a viver melhor.

O recente Documento de Aparecida consta que “família é um dos tesouros mais importantes dos povos latino-americanos e é patrimônio da humanidade inteira. Em nossos países, uma parte importante da população está afetada por difíceis condições de vida que ameaçam diretamente a instituição familiar. Em nossa condição de discípulos e missionários de Jesus Cristo, somos chamados a trabalhar para que esta situação seja transformada e que a família assuma seu ser e sua missão no âmbito da sociedade e da Igreja”. (DAp 451)

A Constituição Apostólica sobre a Igreja no mundo de hoje, do Concílio Ecumênico Vaticano II, “Gaudim et Spes” (Alegria e esperança), afirma que o bem-estar da pessoa e da sociedade humana está intimamente ligado com uma favorável situação da comunidade conjugal e familiar, porém, alerta aos cristãos sobre questões que a afligem e lhe tiram o brilho desta comunidade de amor: “Porém, a dignidade desta instituição não resplandece em toda parte com igual brilho. Encontra-se obscurecida pela poligamia, pela epidemia do divórcio, pelo chamado amor-livre e outras deformações. Além disso, o amor conjugal é muitas vezes profanado pelo egoísmo, amor ao prazer e por práticas Ilícitas contra a geração.”

Em brevíssimas palavras, aqui está toda a problemática da família no mundo de hoje, situação que no momento está mais agravada por distorções geradas por modelos de família que não se abrem para a vida, situação esta infelizmente legalizada em alguns países.

Bem, entretanto, se fizermos uma nova leitura do livro do Gênesis, vemos com muita clareza que o Criador, no momento que deu gênese ao ser humano, homem e mulher, os fazendo à sua imagem e semelhança, instituiu, também, a família, que reflete a mesma semelhança da família trinitária, pois Deus não é solitário, mas uma família; Pai (Criador), Filho (Redentor), Espírito Santo (Deus amor): “Deus criou o homem à sua imagem, criou-os à imagem de Deus; ele os criou homem e mulher”I (Gn 1, 27). Abençoando os novos seres que criou Deus, disse-lhes: “Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra e dominai a terra”(Gn, 1,28). Em outra narrativa da criação, aliás, a primeira do livro das origens, o Gênesis, o Criador, uma vez criado o homem à sua imagem e semelhança disse: “Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer-lhe uma companheira que lhe corresponda.” (Gn 2, 18). E, criada a mulher, que tem a mesma dignidade do homem, Adão, o pai dos viventes, admirado, exclamou: “Desta vez sim, é osso dos meus ossos e carne de minha carne”! “Ela será chamada ´humana´, porque do homem foi tirada.” “Por isso deixará o homem o pai e a mãe e se unirá a sua mulher, e eles serão uma só carne.”(Gn, 2, 23).

Pois bem, em sendo a família humana uma instituição de origem divina, com semelhança da família trinitária, ela somente readquirirá a dignidade perdida quando voltar a ser o reflexo da família trinitária, na qual Deus não só é Pai, mas paternidade, Jesus Cristo não é apenas filho, mas filiação e o Espírito Santo, não é somente união, mas unidade.

A família, então hoje, para cumprir sua missão de promotora do bem-estar do ser humano terá que cada vez mais ser poço de paternidade, berço da filiação e comunidade de amor.

É bom relembrar o compromisso solene do casamento cristão, que sempre é proclamado pelos noivos perante a comunidade eclesial: “Recebo-te por minha (por meu) esposa (esposo) e te prometo ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-te e respeitando-te todos os dias de minha vida.”

Vê-se, pois, que o vínculo matrimonial que nasce do amor recíproco se exprime por esse juramento conjugal, que começa e se realiza diante da infinita majestade de Deus por aquele mesmo amor com que o Pai nos amou no seu Filho, Jesus Cristo, e nos santifica pelo Espírito desse Amor, que é o Espírito Santo.

“Os esposos participam da função redentora de Cristo ao assumirem integralmente, por vocação divina, a finalidade para a qual o matrimonio foi instituído. Cada união nasce pelo pacto entre um casal, mas com um conteúdo divinamente estabelecido, a unidade e a indissolubilidade, ordenado à procriação da prole.” (Alocução de João Paulo II, aos fieis da Arquidiocese de Campo Grande, quando de sua visita ao Brasil).

Sejam oportunas pequenas reflexões sobre a família, remetendo o leitor cristão para duas passagens lindíssimas da Sagrada Escritura: A primeira do Livro de Tobias, quando este, após ter aceitado Sara como sua esposa, rezou a Deus e terminou sua oração desta forma: “Agora, não é por luxúria que me caso com essa minha irmã, mas com reta intenção. Tem misericórdia de mim e dela, e que possamos chegar, ambos, a uma ditosa velhice.” (Tobias. 8,7). A segunda vem do Livro de Rute, mulher maobita, Nora de Noemi, de cuja descendência nasceu David, o grande rei de Israel: “Booz casou-se com Rute, tornando-a sua esposa. Eles se uniram e, com a graça do Senhor, ela ficou grávida e deu à luz um filho. As mulheres disseram a Noemi: “Bendito seja o Senhor, que hoje não te deixou sem redentor e preservou o nome de tua família em Israel. Que ele venha restaurar a tua vida, sustentar-te na velhice, pois nasceu de tua nora, que te ama e para ti está sendo melhor que sete filhos.” (Rute, 4, 14 e 14).

Nesse contexto, celebramos, em toda a Igreja no Brasil, a Semana Nacional da Família, entre os dias 9 e 15 de agosto de 2009. A Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB e a Comissão Nacional da Pastoral Familiar lançaram o tema deste ano que é: “Família, Igreja Doméstica, Caminho para o Discipulado”, em articulação e comunhão com a Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética num compromisso conjunto com o Ano Catequético. Os subtemas publicados no subsídio “hora da família” nos ajudam a aprofundar esse importante assunto e, principalmente, nos motiva a viver ainda mais como famílias cristãs.

Celebrando em nossas comunidades e redes de comunidade a Semana Nacional da Família, a Igreja no Brasil quer, uma vez mais, salientar a importância da família, que, talvez mais que outras instituições, tem sido posta em questão pelas amplas, profundas e rápidas transformações da sociedade e da cultura. Por isso, é fundamental um olhar atento, dirigido com carinho, afeto e atenção à família, patrimônio da humanidade e tesouro dos povos.

O Episcopado Brasileiro lançou, em abril passado, o “Manifesto em favor da Família”, onde reafirmam que “Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança, homem e mulher ele os criou (cf. Gn 1,27), destinando-os à plena realização na comunhão de vida, de amor e de trabalho. Por essa razão, o matrimônio e a família constituem um bem para os esposos e a sociedade. O amor conjugal aberto à geração e educação dos filhos proporciona a experiência de paternidade e maternidade, através das quais os pais se tornam colaboradores do Criador”.

Assim, valorizando a família autêntica, de marido e mulher, com uma família bem estruturada, a Igreja no Brasil conclama a todos para que prossigam no objetivo pastoral de Evangelizar pela Família e para a Vida, continuando com o empenho sócio-evangelizador pela promoção da vida, do matrimônio e da família, lembrando sempre do importante e insubstituível papel subsidiário da família cidadã para o bem da sociedade. Por isso conclamamos (a) todas as forças vivas para realçar que “os meios de comunicação, os poderes públicos, os profissionais de saúde, as universidades, o sistema educacional, as empresas, as instituições e os organismos não-governamentais e todas as igrejas sejam conclamados a promover os valores da família e agirem como seus amigos”, enfatizam os bispos brasileiros.

Por isso, ao saudar os pais pelo seu dia, como o fiz solenemente aos pés do Cristo Redentor, domingo passado, quero convidá-los para que junto de sua esposa e filhos sejam cada vez mais comprometidos com a valorização de sua família, e para não medirmos esforços em protegê-la e defendê-la das grandes pressões externas. Que a família brasileira seja respeitada como espaço privilegiado para a existência e a convivência humana! Que a Sagrada Família, Jesus, Maria e José, abençoe nossas famílias!

Fonte: Portal da CNBB

quarta-feira, 3 de junho de 2009

O Papa - Vigário de Cristo

Autor: Seminarista Eduardo da Costa, LC*
Fonte: Pastoralis

O Papa recebe muitos títulos que, de uma forma ou de outra descrevem o seu ministério petrino. Entre eles estão: Bispo de Roma, Sumo Pontífice, Sucessor de São Pedro, Primaz da Itália, etc. Mas talvez o título que melhor descreve a sua missão de sucessor do Príncipe dos Apóstolos é o de Vigário de Cristo.

Muitas vezes, escutamos esta expressão, mas qual é o seu significado e origem? Pois bem, comecemos pela etimologia. Vigário é uma palavra de origem latina que provém de “vicarius”, e significa em termos gerais "aquele que faz as vezes de outro". Durante o Império Romano, no tempo de Dioclesiano e Constantino, vigário era o representante máximo do imperador em uma certa região administrativa ou província que era chamada pelos romanos de "Diocese".

Na Idade Média, com a queda do Império Romano, este título passou a ser usado pelo Papa, como representante do poder espiritual e como aquele que faz as vezes de Cristo na terra. Porém, como se justifica que tal titulo seja atribuído ao Papa, qual é o seu fundamento bíblico?

Para poder responder a esta pergunta, temos que ambientar-nos no contexto cultural judeu do tempo de Cristo e descobrir toda a profundidade das suas palavras em Mt 16, 17-19: "Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne ou sangue que te revelaram isto, e sim o meu Pai que que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus.". Cristo, nesta passagem, nomeia Pedro seu Vigário. Ao mesmo tempo que evoca uma profecia de Isaias, onde o Rei Ezequias remove as chaves da casa de Davi de Shebna e entrega ao seu novo sucessor Eliacim (Is 22, 22): "Porei sobre os seus ombros a chave da casa de Davi: quando ele abrir, ninguém fechará; quando ele fechar, ninguém abrirá.". Vejamos como esta profecia nos pode ajudar a compreender melhor estas palavras de Nosso Senhor e o significado das “chaves”.

Em primeiro lugar, recordemos que São Mateus escrevia o seu evangelho a um público judeu, que esperava a vinda do Messias para restaurar o reino davídico e liberar Israel do julgo romano. Isso explica porque neste evangelho, Jesus é apresentado como “Rei”. Esta palavra, por exemplo, aparece 17 vezes, direta ou indiretamente relacionada a Cristo, e a palavra “Reino” aparece 51 vezes. Sem dúvida, o evangelista Mateus quer nos ajudar a abrir os olhos a uma realidade importante.

Eliacim (Cf. 2Re 18, 37) é o mordomo ou vizir do reino de Israel e Judá. Como de costume naquele tempo, todos os reinos possuíam um cargo administrativo análogo ao atual primeiro-ministro que conhecemos hoje. Basta recordar também outra passagem do Antigo Testamento onde o Faraó constitui José administrador de todo Egito (Cf. Gn 41-47) e lhe confere todo poder exceto o seu próprio trono.

No reino de Israel não era diferente. Aquele que exercia este cargo levava como símbolo as chaves do reino, que representavam o poder do rei delegado a este funcionário real. No caso do Egito o símbolo era um anel. Nenhum judeu que escutasse estas palavras de Is 22 ou de Mt 16 ficaria confundido, muito pelo contrário. Cristo, sendo da linhagem de Davi (Mt 1, 1), é o sucessor legítimo do seu trono. Ele está estabelecendo o seu reinado messiânico, e evoca esta passagem para designar o seu vigário.

O episódio de José também ilumina as palavras de Cristo em Mt 16. José foi escolhido pelo Faraó a causa de uma revelação divina. Também Cristo escolhe Simão por ter revelado a sua natureza divina "Tu es o Cristo, Filho do Deus Altíssimo". Paralelamente como José recebe um novo nome do Faraó para a sua nova incumbência, também Cristo, para significar a nova missão de Simão, lhe chama Pedro, "pedra", firme na fé como uma rocha para confirmar a todos os seu irmãos (Jo 21,15-17).

As chaves no contesto bíblico de Is 22 e Mt 16 são símbolo de autoridade jurídica e doutrinal. Cristo é o detentor das chaves do Reino dos céus (Ap 3, 7-8) e, em Mt 16 as delega a Pedro, seu vigário. Um oráculo do Senhor anunciava que Eliacim receberia a autoridade do reino de Israel. Assim também no Novo Testamento, Cristo, fundando o seu Reino, confere a Pedro a autoridade para guiar visivelmente o povo da nova aliança.

Muitos aceitam que Cristo tenha conferido tal poder a Pedro. Porem, que dizer dos 264 papas que já sucederam a Pedro na sua cátedra. Também o atual Papa, Bento XVI, possui o poder das chaves?

A exemplo do reino de Israel e do Reino do Egito, vizir se tratava de um cargo, e caso estivesse vacante, um novo deveria ser eleito. É como se morresse o presidente do Brasil, todos nos preocuparíamos de imediato para que um novo presidente fosse eleito e continuasse a representar e governar o nosso país.

Cristo restaura o reino davidico e restaura também o ofício de vizir, e faz de Pedro sucessor de Eliacim. Evidentemente que Cristo, ao eleger Pedro como o seu vicário, não esperava que com a morte do apóstolo no ano 64 da nossa era, desaparecesse o cargo. Pelo contrário, à medida que a Igreja crescia e se expandia, mais importante se tornara tal ministério, e não o oposto.

A autoridade das chaves, portanto, continua a ser exercida pelo Papa. Assim como Moisés foi eleito para guiar o povo de Israel, entregar os mandamentos da Lei de Deus e interpretá-los, igualmente Pedro possui a autoridade para guiar o povo da nova aliança. Moisés recebeu uma revelação divina no monte Sinai e foi infalível no seu ensinamento, sentado sobre a sua cátedra julgando o povo e interpretando a lei, ofício que continuava no tempo de Cristo (MT 23, 1-3). Da mesma forma hoje o Papa, desde a cátedra de Pedro continua a ensinar e guiar o povo de Deus.

Tanto os israelitas da antiga aliança como os católicos, povo da nova aliança, reconhecem a autoridade da Sagrada Escritura e da Tradição legitimamente representada no Papa e no magistério. Ambos reconhecem uma hierarquia, e possuíam uma hierarquia antes de possuir a Sagrada Escritura (Antigo e Novo Testamento foram autoritivamente recoletados em cânones). Ambos reconhecem o caráter sucessivo do ofício autoritativo de ensinar.

O Papa, Vigário de Cristo, exercitará sempre a autoridade das chaves assistido pelo Espirito Santo, e será sempre sinal visível da unidade cristã e da promessa de Cristo de acompanhar a sua Igraja até o fim dos tempos (Mt 28, 20).

* Eduardo da Costa é Estudante do 4º ano de Filosofia em Roma e é tutelado pelo Pe. Adilson Marques, LC

domingo, 19 de abril de 2009

Human Life International premia Arcebispo de Olinda e Recife

Dom José Cardoso Sobrinho foi premiado pela organização internacional por seu desempenho a favor da vida.
Por Anderson Pontes (texto e imagens)


A noite de 16 de Abril foi marcante para a Igreja de Olinda e Recife. Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo desta arquidiocese, foi condecorado com sua equipe pela Organização Human Life International (HLI - Vida Humana Internacional), uma associação pró-vida. A cerimônia ocorreu no auditório do Colégio Damas entre as 20 e 23 horas e reuniu cerca de 1200 pessoas, vindas de todos os lugares.

Dom José ganhou notoriedade da Igreja no mundo inteiro ao se empenhar e lutar pela vida dos dois gêmeos nascituros da menina grávida de apenas 9 anos de idade, encontrando oposição e crítica tanto dentro como fora da Igreja.
O episódio ocorreu quase um ano depois de Dom José colocar seu cargo de Arcebispo à disposição do Vaticano por ocasião do seu 75º aniversário, conforme exige o código de direito canônico. Desde então, aguarda em exercício o anúncio de um sucessor.

A cerimônia de premiação teve início com o hino nacional e, em seguida, a leitura do Evangelho, que concluía com a afirmação de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Eu vim para que todos tenham vida" (Jo 10,10). Este teve o comentário do Pe. Moisés, que enfatizou que "a missão da Igreja é a mesma dos Apóstolos: testemunhar a vitória da vida sobre a morte". Que "o papel dos pastores é defender a vida e o evangelho da vida". Concluiu lembrando que "o rei da vida foi morto mas reina glorioso".

Em seguida, o Pe. José Edson, aquele padre de Alagoinha que recorreu a Dom José em busca de apoio, discursou sobre a realidade vivida pelo povo de seu pequeno município. Falou que mesmo em tempo de Páscoa, o povo luta entre dores e sofrimento. Com gratidão declarou: "Dom José abraçou a causa sem imaginar os desfechos, diante de uma mídia que apedreja quem defende a vida e aplaude quem mata!"

Na sequência, Márcio Miranda - advogado da Arquidiocese - discorreu cronologicamente os dramáticos acontecimentos, do momento em que o Pe. Edson recorreu a Dom José até a descoberta do procedimento do aborto, o que chamou de "assassinato brutal de dois bebês". Concluiu enfatizando que "não iremos nos subjugar àqueles que defendem a cultura da morte".

Tomando a palavra, Raymond de Souza - diretor da HLI para os países de língua portuguesa - discorreu sobre a cultura da morte no mundo inteiro e o papel da Igreja frente a esta realidade. Comentou, por exemplo, que enquanto o atentado do 11 de Setembro deixou quase 3000 vítimas, no mundo inteiro realiza-se o aborto 4000 vezes por dia. Constatou ainda que há um esforço político mundial voltado à contracepção e ao incentivo ao aborto e à eutanásia, e que quando conseguirem esse objetivo, nada os impedirá de agirem diretamente pela "desfiguração e destruição da Igreja".

Quanto à realidade da Igreja no Brasil, maravilhou-se ao perceber o compromisso assumido pelos bispos segundo o documento de Taubaté, que pode ser resumido em seus últimos parágrafos. Mas, ao mesmo tempo, com pesar reconheceu que poucos bispos efetivamente têm assumido este compromisso com a seriedade devida, e alguns deles simplesmente ignoram o documento.

Citou o martírio de tantos homens e mulheres da Igreja ao longo dos séculos em fazer valer a lei de Deus sobre a dos homens. E com tristeza constatou que muitos bispos hoje cedem às pressões políticas.

Antes da entrega das condecorações, o Monsenhor Ignacio Barreiro-Carámbula apresentou a HLI em sua origem, desafios e propósitos, concluindo com o conhecimento e a escolha de Dom José para receber o prêmio.

Por fim, Dom José tendo recebido o troféu com sua equipe, dedicou a homenagem às três crianças (os gêmeos abortados e a criança de nove anos ex-gestante). Em seu discurso final, agradeceu a toda a sua equipe e a todos os que, no mundo inteiro, manifestaram seu apoio.

Era o momento de reconhecer que Deus consegue tirar coisas boas dos piores acontecimentos. Dom José Cardoso lembrou que, mesmo não tendo conseguido evitar o aborto dos gêmeos, pôde perceber claramente que o episódio produziu bons frutos, pois despertou a consciência dos católicos sobre a necessidade de colocar a lei de Deus acima de qualquer lei humana.

No período de Quaresma, a semente morreu e, na Páscoa, produziu frutos. Através destes últimos acontecimentos, Deus ofereceu ao Arcebispo de Olinda e Recife, em fim de mandato, a oportunidade de imortalizar-se na História da Igreja pela fidelidade ao Evangelho da Vida. Ao mesmo tempo, concedeu ao povo desta Igreja - sobretudo aos críticos - a oportunidade de reconhecer com que coragem e destemor seu pastor luta pelos valores de sua Igreja.

Dom José, não obstante a incompreensão e a falta de apoio dos membros de sua própria Igreja, permaneceu fiel. Mas e os críticos membros desta Arquidiocese, será que, ainda que tardiamente, foram capazes de render graças a Deus pelo Dom que lhes foi entregue?

Em tempo: também foram condecorados com medalhas o Monsenhor Edvaldo Bezerra (Vigário Geral), o chanceler Pe. Cícero Ferreira, o Pe. Moisés Ferreira (reitor do Seminário Menor), o Pe. José Edson e Márcio Miranda.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Família, ambiente de vida e amor

Comunicações na Expo Família do Encontro Mundial das Famílias
Baseado na reportagem de Gilberto Hernández para o Zenit a partir do México na sexta-feira 16 de janeiro de 2009 (ZENIT.org-El Observador).

Paralelamente às conferências do Congresso Teológico Pastoral do Encontro Mundial das Famílias, a Expo Família trouxe uma série de atividades de livre acesso ao público, onde se abordaram temas como saúde, superação, noivado, violência, entre outros, em sua relação com a família. Com entrada gratuita, os visitantes puderam encontrar desde assessoria para o bom manejo da economia familiar até informação sobre agrupamentos que trabalham e promovem a família.

Participaram mais de cem movimentos, associações, editoras e instituições educativas. Neste contexto, apresentaram-se também na Expo Família conferências de participantes no encontro, gente comum, com experiência familiar, que partilha suas preocupações ou experiências.

José Ángel Rivero, falando sobre a família como ambiente de vida e de amor, assinalou que «é preocupante a falta de compromisso por parte das pessoas que optam pelo matrimônio, pois não sabem o que esperar e não têm as bases e os valores suficientes para sustentar uma relação comprometida cem por cento». Esta falta de compromisso, afirmou Rivero, «leva a eleger o caminho fácil quando as coisas não funcionam no casamento: o divórcio. Este destrói famílias inteiras e fere fortemente os esposos e filhos. Tudo isso se deve a que muitas vezes se deixa de lutar e já não se quer seguir adiante, fazendo que o amor não cresça».

O palestrante assinalou que hoje em dia a cultura dominante tem grande influência sobre todas as pessoas. «Desde telenovelas até revistas mostram uma sociedade que perdeu seus valores e que põe em dúvida o sentido verdadeiro do matrimônio, mostrando-o como algo passageiro e que não pode durar para toda a vida».

Por sua vez, José Luis Guerrero, ao falar de violência e insegurança, considerou que a crise que a instituição familiar passa é um grave problema que desestabiliza a sociedade e por isso se devem unir esforços, provenientes de todos os atores sociais, para resgatá-la e consolidá-la. «Violência, corrupção, pobreza, baixo rendimento escolar e emigração são apenas alguns dos fatores que incidem na crise da família. Ademais, a legalização do aborto, o aumento de divórcios e separações e a indiferença religiosa influenciam», assinalou.

Guerrero citou palavras de Bento XVI: «O Ocidente está cansado de sua própria cultura», para fazer notar que a «cultura light» dominante não só consome comida com poucas calorias, «mas nos torna medíocres e nos leva a cruzar os braços diante do aumento do número de divórcios, suicídios, prostituição e abortos».

O palestrante afirmou que no México vive-se imerso «no medo, com um sinal de perigo constante e incapacitados pela violência para atuar». Perante isso, a única solução é atacar a problemática na raiz. «Isso significa ir aos núcleos onde se apresenta com maior frequência a delinquência, quer dizer, os pobres e os marginalizados; e combater o problema antes que se desenvolva. «A família é o agente privilegiado para tal solução», destacou.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Sofrimento silencioso dos que ainda não nasceram

Eles não são estranhos à dor, revela um livro
Por Pe. John Flynn, LC
Roma, domingo, 1 de junho de 2008 (ZENIT.org).

Um tópico que está recebendo mais atenção recentemente em debates sobre o aborto é a questão se um feto pode sofrer e sentir dor. Um livro recém publicado trás de volta uma variedade de evidências de especialistas, principalmente italianos, sobre o tema.

«Neonatal Pain: Suffering, Pain and the Risck of Brain Damage in the Fetus and Unborn» (Springer) é editado por Giuseppe Buonocore e Carlo Bellieni, ambos membros do departamento de pediatria, obstetrícia e medicina reprodutiva da Universidade de Siena.

Os textos de um grande número de especialistas que contribuíram para o livro concordam em afirmar que um feto pode sentir dor antes de nascer, os dois editores explicam em seu ensaio introdutório. «Reconhecer a dignidade humana e o sofrimento humano da vida no útero é um dever clínico na busca do melhor tratamento», declaram.

Uma das contribuições, um esforço conjunto de nove especialistas, olha as evidências obtidas com técnicas de ultra-som. A introdução da ultrasonografia em três e quatro dimensões permitiu avaliações mais detalhadas do feto, permitindo então a observação de como ele reage a estímulos específicos, observam.

O útero é um meio ambiente protegido, mas não isolado, e o tato é o primeiro sentido que o feto desenvolve. Na décima semana de gestação uma criança pode ser observada levando as mãos à sua cabeça, abrindo e fechando a boca, e engolindo.

Da mesma forma, experimentos recentes mostram que os recém-nascidos têm memória funcional, desenvolvida enquanto estavam no período intra-uterino. Os autores dizem que, de fato, os recém-nascidos se lembram de sabores e odores percebidos no útero e essas percepções podem ter uma influência nas futuras preferências. Sons, também, são ouvidos pelo nascituro, incluindo a voz da mãe. Os recém-nascidos sempre parecem mostrar que reconhecem uma música que a mãe ouvia durante a gestação.

Protagonista
Outro artigo examina a questão específica da dor fetal. O grupo de especialistas médicos que escreveram o artigo começam por se referi que o nascituro é um protagonista, promovendo o intercâmbio celular com a mãe, e então o feto precisa ser considerado como um paciente, cujo bem-estar é levado em consideração pelos médicos.

Há evidências, eles observam, que dores agudas ou crônicas, ou mesmo stress prolongado, pode ser perigoso para o feto, especialmente se acontece durante um período crítico de desenvolvimento cerebral. Possíveis efeitos negativos vão desde uma pequena dor inicial até uma crescente perda de memória de acordo com a idade.

Baseado em experiências com primatas, o artigo diz que a dor fetal pode ainda danificar o funcionamento do sistema imunológico corporal, com implicações de longo prazo com infecções e doenças auto-imunes.

Sobre o stress, os autores citam um estudo de um grupo de mães que sofreram stress, comparadas com um grupo de controle. Os filhos das mães estressadas foram caracterizados pelo baixo peso ao nascer, menor circunferência da cabeça e baixa idade gestacional ao nascer quando comparados com os filhos do grupo de controle.

Os autores observam que alguns especialistas médicos não consideram que o feto possa sentir dor porque ele não está consciente, e também porque ele está normalmente adormecido no útero. O artigo sobre dor neonatal do livro de Buonocore e Bellieni responde a isso ao dizer que existem consideráveis evidências científicas demonstrando que os fetos são sensíveis a uma variedade de sensações no útero: sons, mudanças de luz, toque e pressão, e mudanças de equilíbrio.

Entretando, mesmo que um feto não reconheça a dor conscientemente como nós sentimos, ela ainda permanece como uma experiência desagradável para o nascituro, acrescentam.

Efeitos do Stress
Outro capítulo do livro é dirigido a outros efeitos do stress sobre o feto. Dois membros do Instituto de Biologia Reprodutiva e Desenvolvimento do Imperial College London, Kieran O’Donnel e Vivette Glover, explicam que o stress maternal está muito relacionado com o desenvolvimento do feto.

E mais, em casos de intervenção médica realizada nos fetos, existem evidências mostrando uma resposta a estímulos invasivos desde a décima-sexta semana de gestação. Mesmo com 12 semanas o feto se moverá se for tocado. Não obstante, O’Donnel e Glover admitem que nós ainda não sabemos exatamente quando o feto começa a sentir dor ou quando ele se torna consciente.

Em um capítulo conclusivo, Mariana Enrichi dirige os leitores para valorizar a vida pré-natal. Um conhecimento melhor sobre as condições pré-natais e o desenvolvimento do feto trará junto consigo a percepção de que a vida fetal é algo precioso, resultando em um maior respeito para com o embrião em desenvolvimento e à mulher que o carrega, ela argumenta.

Uma das conseqüências disso, argumenta Enrichi, é que todos nós e a própria sociedade começará a desejar criar um meio-ambiente mais seguro para o nascituro e para a mãe.

Sistema nervoso
Os especialistas italianos não são os únicos convencidos da necessidade de se prestar mais atenção à dor e ao sofrimento do nascituro. Em 10 de fevereiro, o New York Times trouxe um grande artigo falando sobre as descobertas de outros médicos sobre o tema.

O artigo começa por citar a experiênca de Kanwaljeet Anand, que quando era médico residente em um hospital Britânico viu significantes danos causados a bebês prematuros quando eles eram operados sem anestesia. Há vinte e cinco anos atrás, os médicos diziam que o sistema nervoso dos bebês era muito subdesenvolvido para sentir dor. Através de tentativas, Anand claramente mostrou que isso não ocorria em todos os casos e naqueles que os bebês recebiam anestesia, a taxa de mortalidade caia de 25% para 10%. O alívio da dor para bebês prematuros começa a se tornar padrão, diz o artigo. Anand continua suas observações nesta área e notou que os bebês com menos de 22 semanas de gestação demonstraram uma reação à dor mesmo quando penetrados por uma agulha.

A conseqüência desta observação foi a consideração que o feto pode sentir dor. Isto se torna uma importante questão com o desenvolvimento da cirurgia fetal, já que o feto sente dor há uma importante consideração para a cirurgia.

Anand, agora professor da Universidade de Medicina de Arkansas e pediatra no Arkansas Children’s Hospital em Little Rock, disse ao New York Times que acredita que os fetos podem sentir dor já na vigésima semana de gestação, e possivelmente ainda mais cedo.

O artigo também cita Nicholas Fisk, um especialista em medicinal fetal e diretor do Centro de Pesquisa Clínica da Universidade de Queensland, na Austrália. Fisk realizou uma pesquisa mostrando que fetos com menos de 18 semanas reagem a procedimentos invasivos com um aumento nos hormônios do stress e uma mudança do fluxo sangüíneo através do cérebro. Esta é uma reação também presente em crianças e adultos e é designada a proteger um órgão vital de uma ameaça.

O artigo do New York Times entende que a questão do feto sentir dor tem óbvias implicações sobre o debate em relação ao aborto. De fato, as evidências médicas estão mostrando que eles sentem dor, e com o passar do tempo os pesquisadores estão baixando mais e mais a estimativa da idade na qual o feto é afetado pela dor.

Admitir que o feto sente dor, entretanto, é difícil para os que defendem o aborto, ainda que exista mais algumas evidências provando quão errado eles estão sobre negar ao nascituro uma chance de viver.

«Uma vez que deve ser tratado como pessoa desde a concepção, o embrião terá de ser defendido na sua integridade, tratado e curado, na medida do possível, como qualquer outro ser humano», segundo o número 2274 do Catecismo da Igreja Católica. Reconhecer que o feto de fato sentir dor é um passo no caminho do seu reconhecimento como uma pessoa.