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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Grupos de anglicanos entrarão na Igreja Católica na Páscoa

Bispos da Inglaterra e do País de Gales informam sobre a constituição do Ordinariado
Londres, segunda-feira 22 de novembro de 2010
Fonte: Agência de Informações Zenit

A Conferência Episcopal da Inglaterra e do País de Gales, depois de sua Assembléia Plenária, confirmou a criação do Ordinariado, previsto na Anglicanorum Coetibus para os fiéis anglicanos que desejem unir-se à Igreja Católica, para janeiro. De acordo com este calendário, estes grupos de anglicanos poderão efetivar sua união com Roma na Páscoa.

Segundo um comunicado da Conferência Episcopal, a implementação da Anglicanorum Coetibus prevê várias etapas, que começarão no próximo ano e serão concluídas na festa de Pentecostes de 2011, com a admissão ao sacerdócio dos ministros anglicanos.

Este processo será realizado em conjunto entre os bispos da Inglaterra e do País de Gales em colaboração com a Congregação para a Doutrina da Fé. Será este organismo vaticano que determinará a idoneidade dos candidatos ao sacerdócio entre os ministros anglicanos que o solicitem.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

“Verbum Domini” em cápsulas

Passagens representativas da exortação apostólica de Bento XVI
Cidade do Vaticano, sexta-feira 12 de novembro de 2010
Fonte: Agência de Informações Zenit

Apresentamos algumas das passagens mais representativas da exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini, de Bento XVI, que recolhe as conclusões do Sínodo dos Bispos realizado no Vaticano em outubro de 2008, sobre "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja".

Objetivo: "Desejo assim indicar algumas linhas fundamentais para uma redescoberta, na vida da Igreja, da Palavra divina, fonte de constante renovação, com a esperança de que a mesma se torne cada vez mais o coração de toda a atividade eclesial." (n. 1)

Religião da Palavra, não do livro: "A fé cristã não ser uma 'religião do Livro': o cristianismo é a 'religião da Palavra de Deus', não de 'uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo'." (7)

Tradição e Escritura: "É a Tradição viva da Igreja que nos faz compreender adequadamente a Sagrada Escritura como Palavra de Deus." (17)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

“Verbum Domini”, exortação apostólica em sintonia com “Dei Verbum”

Segundo o prefeito da Congregação para os Bispos, Marc Ouellet
Cidade do Vaticano, quinta-feira 11 de novembro de 2010
Por Carmen Elena Villa
Fonte: Agência de Informações Zenit

A exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini, divulgada hoje, "retoma a mesma mensagem 45 anos depois" da constituição Dei Verbum, do Concílio Vaticano II.

Assim afirmou o prefeito da Congregação para os Bispos, cardeal Marc Ouellet PSS, durante a apresentação do documento pontifício, realizada hoje na Sala de Imprensa da Santa Sé. Na coletiva de imprensa, intervieram também: Dom Nikola Eterovic, secretário-geral do Sínodo dos Bispos; seu subsecretário, Dom Fortunato Frezza; e Dom Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura.

A Verbum Domini, escrita por Bento XVI, é fruto da 12ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus, realizada de 5 a 26 de outubro de 2008.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Posição da AIS sobre os ataques à Igreja Católica

Há meses o mundo está sendo abalado por relatos de casos de abusos sexuais, inclusive na Igreja Católica. São atingidas crianças, a respeito das quais Cristo diz: "Quem provocar a queda de um só destes pequenos que crêem em mim, melhor seria que lhe amarrassem ao pescoço uma pedra de moinho e o lançassem no fundo do mar" (Mt 18,6). A situação é muito séria. Os ataques ao Papa e à Igreja saíram totalmente de controle. Com este artigo especial a AIS (Ajuda à Igreja que Sofre) se posiciona sobre esse assunto.

A cusparada atingiu o jovem padre de cheio no rosto. Transbordando ódio, o turista desconhecido lhe gritou: “Pedófilo asqueroso!”. Silêncio. Os outros visitantes da Acrópole de Atenas olham distraidamente para a perfeita fileira de colunas de mármore. Ninguém faz nada, enquanto o jovem padre, cabisbaixo, limpa o rosto. Por esses dias se escutam muitas histórias desse tipo. Ao descer de um trem, um padre que há quarenta anos serve abnegadamente o Evangelho é alvo das mesmas palavras de insulto. Uma casa de religiosas recebe telefonemas anônimos ofensivos...

Uma histeria coletiva se espalha, insuflada pelos poderosos da Televisão e pelos intocáveis papas de um jornalismo pseudointelectual. É lógico que algumas reações espontâneas sejam compreensíveis. De consequência, um sofrimento incrível. A vergonha se manifesta. Os abusos, o silêncio culposo, os erros estúpidos, o covarde desvio de atenção - tudo isso são fatos reais e muito graves. Jesus Cristo terá de lavar o rosto de sua Igreja. Todos nós teremos de redescobrir a audácia de Deus ao confiar a homens tão fracos um dom tão grande como é o sacerdócio.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Anglicanos dos Estados Unidos solicitarão um ordinariado católico

Espera-se que 5.200 entrem em comunhão com a Igreja
Orlando, segunda-feira, 8 de março de 2010 (ZENIT.org).

Os líderes da Igreja Anglicana nos EUA da Comunhão Anglicana Tradicional responderam ao convite de Bento XVI a entrar na plena comunhão com a Igreja Católica. A constituição apostólica Anglicanorum Coetibus, publicada no mês de novembro passado, ofereceu aos grupos anglicanos uma maneira de ingressar na Igreja Católica, através do estabelecimento de ordinariados pessoais, um novo tipo de estrutura canônica. Assim, podem conservar elementos de suas tradições litúrgicas e espirituais e ao mesmo tempo estar unidos sob a autoridade do Papa.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Sagrado Coração: devoção ao coração humano e divino de Jesus

A Igreja celebra esta solenidade na sexta-feira da oitava de Corpus Christi
Por Carmen Elena Villa. Roma, 19 de junho de 2009 (ZENIT.org).

A devoção ao Sagrado Coração visa “não só a contemplação do seu amor sensível”, mas também “até a consideração e adoração do seu excelentíssimo amor infuso”: assim disse o Papa Pio XII em sua encíclica Haurietis aquas, a terceira que se escreveu sobre o culto ao Sagrado Coração.

A história desta devoção tem mais de 800 anos. Seus inícios se deram com a mística alemã da Alta Idade Média Matilde Magdeburgo (1207-1282), seguida por Matilde de Hackenborn (1241-1299) e por Getrudes de Helfta (1266-1302). Depois, foram vários os santos que continuaram promovendo o culto ao Sagrado Coração. Entres eles estão São Boaventura, Santo Alberto Magno, Santa Gertrudes, Santa Catarina de Sena, o beato Henrique Suso, São Pedro Canísio e São Francisco de Sales. São João Eudes foi o autor do primeiro ofício litúrgico em honra do Sagrado Coração de Jesus, cuja festa solene se celebrou pela primeira vez no dia 20 de outubro de 1672.

O marco desta celebração está ligado a Santa Margarida Maria Alacoque, religiosa da Ordem da Visitação, quem recebeu várias revelações do próprio Senhor Jesus para que impulsionasse mais esta devoção. Tais revelações depois foram difundidas pelo seu conselheiro espiritual, o jesuíta São Claudio de la Colombière.

O Papa Pio XII assegurava que esta devoção pode levar os homens, “em um voo sublime e doce ao mesmo tempo, até a meditação e adoração do Amor divino do Verbo Encarnado”.

Devoção ou idolatria?
Mas adorar um coração não é idolatria? Esta devoção não pode diminuir no crente o fervor com relação a Deus Pai? Os católicos adoram um coração mais metafórico e menos real?

Segundo informações oferecidas a Zenit na Basílica do Sagrado Coração de Roma, que recentemente organizou um congresso sobre o culto ao Sagrado Coração, no século 13 houve um forte debate sobre o objeto deste culto, qualificado por muitos fiéis justamente como um ato de idolatria.

Para esclarecer qualquer distorção, em 1765, a Congregação Vaticana para os Ritos afirmou que o coração de carne seria símbolo de amor. Em 1794, o Papa Pio VI, na bula Auctorem fidei, confirmou esta declaração dizendo que se adora o coração “indispensavelmente unido à pessoa do Verbo”.

Pio IX estendeu a festa do Sagrado Coração a toda a Igreja no dia 23 de agosto de 1856 e no calendário pós-conciliar ela permaneceu como solenidade.

Três encíclicas se centraram propriamente em falar sobre esta devoção: Annum Sacrum, do Papa Leão XIII, quem consagrou a humanidade inteira ao Sagrado Coração, Miserentissimus Redemptor, de Pio XI, e Haurietis aquas, de Pio XII.

“Aquele que conhece Cristo, mas descuida de sua lei e de seus preceitos, ainda pode ganhar do seu Sagrado Coração a chama da caridade”, dizia Leão XIII na encíclica Annum Sacrum. “Ele cumprirá sua vontade sobre todos os homens pela salvação de uns e o castigo de outros, mas também em sua vida mortal, dando fé e santidade. Que eles, por estas virtudes, se esforcem por honrar a Deus como deveriam e ganhar a felicidade eterna no céu”, dizia o pontífice.

Por sua parte, o Papa Pio XI fala, em sua encíclica Miserentissimus Redemptor, sobre a união de amor dos homens com o coração humano e divino de Jesus: “Uma alma realmente amante de Deus, quando olha para o tempo passado, vê Jesus Cristo trabalhando, sofrendo duríssimas penas ‘por nós, os homens, e pela nossa salvação’, tristeza, angústias, opróbrios, ‘trespassado por nossas culpas’ e curando-nos com suas feridas”.

Adorar o Sagrado Coração
Assim, a Igreja, durante séculos, meditou sobre esta devoção e expôs sobre ela três postulados principais. O primeiro indica que, assim como todo edifício deve ter sua base firme, a base do cristão deve ser o amor. Este ponto recorda aos cristãos que Deus nos amou primeiro.

O segundo fala da reparação como compromisso: a alma tem a virtude e a necessidade do amor que quer demonstrar-se e ser compartilhado nos sofrimentos que Cristo padeceu em Getsêmani.

Por último, fala da imitação como aspiração: tomar a familiaridade com Cristo no mistério pascal e abraçá-la, e na Eucaristia também. Isso induz a incorporar as virtudes para que possamos dizer, como Jesus, “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mateus 11, 28).

Assim, pois, o Papa Pio XII sintetiza em sua encíclica dedicada a este culto: “Que homenagem religiosa mais nobre e mais suave que este culto, que se dirige inteiro à própria caridade de Deus?”.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Nota sobre a Doação de Órgãos

Reunidos em Brasília nos dias 24 a 26 de setembro de 2008, nós – Bispos do Conselho Permanente da CNBB – desejamos esclarecer a posição da Igreja Católica a respeito da doação de órgãos de pessoas com morte encefálica comprovada. A questão tem sua relevância, dado o grande número de pessoas que estão à espera de algum tipo de órgão.

Recordamos antes de tudo a Palavra do Senhor, que diz: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10,45). Guiados pela luz do evangelho, vemos na doação voluntária de órgãos um gesto de amor fraterno em favor da vida e da saúde do próximo. É uma prova de solidariedade, grandeza de espírito e nobreza humana.

O magistério da Igreja tem se manifestado favorável à doação voluntária de órgãos. O Catecismo da Igreja Católica afirma: “a doação gratuita de órgãos após a morte é legítima e pode ser meritória” (n. 2301). A encíclica Evangelium Vitae ensina: “merece particular apreço a doação de órgãos feita segundo normas eticamente aceitáveis para oferecer possibilidades de saúde e de vida a doentes, por vezes já sem esperança” (n. 86). O Papa João Paulo II por ocasião do 18º Congresso Internacional sobre Transplantes de Órgãos, dizia: “A doação de órgãos é uma decisão livre de oferecer, sem recompensa, uma parte do próprio corpo em benefício da saúde e do bem-estar de outra pessoa”. (Roma 29 de agosto de 2000).

Manifestamos nossa solidariedade para com milhares de pessoas que estão em lista de espera, na expectativa de receber algum órgão para sua sobrevivência, recuperação e saúde. Encorajamos as pessoas e especialmente as famílias a que – livre, conscientemente e com a devida proteção legal – doem órgãos como gesto de amor solidário em consonância com o evangelho da vida. Certamente estamos diante de um gesto nobre e comovente: um sim à vida. Aproveitamos a ocasião também para recordar que a moral católica considera lícita não apenas a doação voluntária de órgãos, bem como os transplantes. Encorajamos a todos a colaborarem sempre mais com as doações de sangue e de medula óssea, tão necessárias.

No entanto, destacamos que a doação de órgãos exige rigorosa observância dos princípios éticos que proíbem a provocação da morte dos doadores, a comercialização e o tráfico de órgãos. Sejam conscienciosamente respeitadas a inviolabilidade da vida e a dignidade da pessoa. A ética determina, ainda, que o consentimento do doador ou de sua família seja livre e consciente, após ter recebido todas as informações requeridas.

A Lei Federal nº 10.211 de 23 de março de 2001, determina que a família tem o direito de decidir a doação de órgãos da pessoa em estado de morte encefálica; assim, aqueles que se dispõem à doação, devem manifestar previamente aos familiares a sua intenção. O Sistema Nacional de Transplantes é que decide sobre os critérios de destinação justa dos órgãos doados e sobre a organização das listas de espera, evitando e coibindo toda tentativa de comércio de órgãos.

A doação de órgãos não contraria à fé cristã na ressurreição final, pois “Deus dá vida aos mortos e chama à existência o que antes não existia” (Rm 4,17). Todos aqueles que se dispõem a doar órgãos aos irmãos, tenham a certeza de que o amor e tudo o que se faz por amor permanecerão para sempre: “o amor jamais acabará” (1Cor 13,8).

Brasília-DF, 25 de setembro de 2008

Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário-Geral da CNBB

Fonte: http://www.cnbb.org.br/ns/modules/mastop_publish/?tac=697

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Sinal de contradição - Quarenta anos após a "Humanae vitae"

Há quarenta anos, a 25 de Julho de 1968, Paulo VI assinava a Humanae vitae, a encíclica que rejeitava a contracepção com métodos artificiais, contra o hedonismo e as políticas de planeamento familiar, muitas vezes impostas aos países pobres pelos mais ricos. Logo que foi publicado, a 29 de Julho, o texto causou uma oposição sem precedentes no interior da própria Igreja católica, a ponto que o Papa decidiu deixar de utilizar a forma solene da encíclica, com todas as probabilidades para não expor a autoridade pontifícia a inúteis extenuações: "Raramente um texto da história recente do Magistério escreveu em 1995 o cardeal Joseph Ratzinger se tornou um sinal de contradição como esta Encíclica, que Paulo VI escreveu a partir de uma decisão profundamente ponderada". Para explicar a divergência e as reacções polémicas concorreram muitos factores, desde o clima cultural geral daqueles anos até aos enormes interesses económicos em questão.

Contudo, sobre este tema crucial o Papa Montini não mudou a sua atitude. Aliás, poucas semanas antes da morte falando a 23 de Junho de 1978 ao colégio cardinalício reafirmava, "depois das confirmações provenientes da ciência mais séria", as decisões então tomadas, em coerência com o Vaticano II, para afirmar o princípio do respeito pelas leis da natureza e o "de uma paternidade consciente e eticamente responsabilizada". E no discurso para a festa dos Santos Pedro e Paulo, explicitamente apresentado como um balanço do pontificado, o Papa Montini citou as encíclicas Populorum progressio e Humanae vitae como expressões daquela defesa da vida humana que definiu elemento imprescindível no serviço à verdade da fé.

Definido com escárnio "a encíclica da pílula", o documento papal em continuidade com o magistério de Pio XI e sobretudo de Pio XII, mencionada a este propósito também pela Gaudium et spes é coerente com as importantes novidades conciliares sobre o conceito de matrimónio, mas apesar disto foi dominado pelas polémicas. Hoje, face aos preocupantes progressos da engenharia genética, a Humanae vitae mostra-se lúcida e providente quando declara que "se não se quiser expor ao arbítrio dos homens a missão de gerar a vida, devem-se necessariamente reconhecer limites insuperáveis à possibilidade de domínio do homen sobre o próprio corpo e sobre as suas funções; limites que a homem algum, quer privado quer revestido de autoridade, é lícito violar".

O vendaval que se levantou contra a encíclica de Paulo VI obscureceu sobretudo o ensinamento sobre o matrimónio, descrito não como "efeito do caso ou produto da evolução de forças naturais inconscientes", mas instituído por Deus. Sacramento para os baptizados, o matrimónio é contudo "antes de tudo afirma com vigor a Humanae vitae amor plenamente humano, o que significa, sensível e espiritual", como também "forma totalmente especial de amizade pessoal, na qual os esposos generosamente partilham todas as coisas".

A elaboração do texto foi precedida pelos trabalhos de uma comissão pontifícia para o estudo da população, da família e da natalidade que, como se sabe, em 1966 concluiu com a maioria de votos e não sem contrastes e isto não é tão sabido a favor da liceidade da contracepção no âmbito de uma "paternidade responsável". Contudo Paulo VI não se sentiu ligado a estas conclusões, e devido à sua decisão foi criticado e atacado. Mas não se devem esquecer os consentimentos: em "L'Osservatore Romano" de 6 de Setembro de 1968 Jean Guitton definiu a encíclica ferme mais non fermée ("firme mas não fechada"), porque "se fala do caminho estreito", mostra que é "o caminho aberto ao futuro" enquanto o cardeal jesuíta Jean Daniélou ressaltou que o documento "nos fez sentir o carácter sagrado do amor humano", expressando uma "revolta contra a tecnocracia".

Autêntico sinal de contradição, a Humanae vitae não é recordada de bom grado. Certamente pelo seu ensinamento exigente e contracorrente. Mas também porque não é útil ao jogo recorrente que põe os Papas um contra o outro, método talvez útil sob o ponto de vista historiográfico para traçar diversidades óbvias, mas que deve ser rejeitado quando é usado para instrumentalizar, como acontece com frequência sobretudo no panorama mediático. Defensores de Paulo VI foram de facto o cardeal Karol Wojtyla o arcebispo de Cracóvia que tivera um papel importante na comissão alargada e que depois muito inovou sobre o corpo e a sexualidade com o seu magistério pontifício e Joseph Ratzinger, outro purpurado ab eo creatus. Mostrando a vital continuidade da proposta cristã também sobre o problema do controle dos nascimentos, que já a 23 de Junho de 1964 o Papa definia "extremamente grave" porque "diz respeito aos sentimentos e aos interesses mais próximos da experiência do homem e da mulher".

G.M.V.

L'Osservatore Romano - edição eletrônica em português
http://www.vatican.va/news_services/or/or_por/text.html#2

quarta-feira, 14 de maio de 2008

As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja

Com atraso de um ano, a CNBB aprovou as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja (DGAE) para o período de 2008 a 2010. Este documento deveria ter sido publicado após a Assembléia Geral do ano passado, mas devido à visita do Papa e a realização da V Conferência Geral dos Bispos da América Latina e do Caribe, ficou para este ano – o que faz com que as novas DGAE tragam incorporadas as contribuições da V Conferência e estejam em harmonia com o Documento de Aparecida.

Com relação as DGAE anteriores, no que diz respeito às perspectivas adotadas para a ação evangelizadora, as diretrizes deste ano não apresentam nenhuma novidade, mantendo os três âmbitos de ação: pessoa, comunidade e sociedade. Para cada âmbito são indicados (1) o desafio principal, (2) o cerne da mensagem cristã como fundamento e critério do agir e (3) algumas pistas de ação (DGAE n. 102). O documento está dividido em três capítulos mais a conclusão.

O primeiro capítulo trata da Realidade que nos interpela, onde é feita uma “exposição descritiva que pretende apenas mencionar os elementos de cunho cultural, social, econômico, político, ético e religioso mais marcantes na atual sociedade brasileira” (DGAE n.11).

O capítulo seguinte trata dos Discípulos missionários numa Igreja em estado permanente de missão. Aqui são apontadas as quatro exigências intrínsecas da evangelização: o serviço, o diálogo, o anúncio e o testemunho de comunhão (que também permanecem as mesmas). Tais exigências intrínsecas da evangelização “se operacionalizam pastoralmente pela presença da Igreja nos três âmbitos de ação, que constituem tanto o espaço como as realidades onde o Evangelho precisa ser encarnado: pessoa, comunidade e sociedade” (DGAE n.56). Em seguida é mostrado que após recolher essas exigências, a ação evangelizadora as realizada através do tríplice múnus: Ministério da Palavra, Ministério da Liturgia e Ministério da Caridade. Nesse capítulo também é dado destaque à questão da vocação, da formação e da espiritualidade dos discípulos missionários.

O terceiro capítulo apresenta as Pistas de ação para a missão evangelizadora. Como já foi dito, para cada âmbito de ação é apresentado um desafio principal. O primeiro âmbito, que é a pessoa, tem como o desafio a construção da identidade pessoal e da liberdade autêntica na atual sociedade. Cada ser humano é dom de Deus, e a nossa fé cristã nos ensina que “a dignidade do ser humano tem sua raiz mais profunda no próprio Deus” (n.103). Assim é preciso que cada pessoa seja respeitada, reconhecida e valorizada em sua liberdade, autonomia, responsabilidade e dignidade, em todos os setores a que pertence (família, mundo do trabalho, comunidade) e em todas as etapas da sua vida (infância, adolescência, juventude, fase adulta e velhice).

O segundo âmbito trata da comunidade e o desafio a ser enfrentado é a fragmentação da vida e a busca de relações mais humanas. “A fraternidade cristã é aberta e quer acolher todos os seres humanos, sem fazer discriminação. (...) Todas as pessoas, indistintamente, são convocadas à vida de fraternidade e comunhão” (n. 151). A Boa-Nova do Reino de Deus quando inspira a experiência comunitária, impele que a união e a fraternidade sejam assumidas em todas as instâncias da vida.

O desafio do terceiro âmbito o escândalo da exclusão e da violência na sociedade consumista nos interpela à realização da solidariedade. “O compromisso social tem sua raiz na própria fé. O interesse autêntico e sincero elos problemas da sociedade nasce da solidariedade para com as pessoas e do encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo” (n. 178). A pobreza, a fome, a justa distribuição de renda, a segurança, a violência, a política, a corrupção, a educação, o crescimento urbano, os excluídos pela sociedade, tudo isso requer uma atenção especial da Igreja.

Por fim, a conclusão: “Ai de mim se eu não evangelizar”. Interpelada pelas palavras do apóstolo Paulo, e inspirada pela Conferência de Aparecida, a Igreja no Brasil assume o compromisso com a Missão Continental: “A Igreja presente em nosso país tem, a partir da convocação de Aparecida, a grande chance de convidar todos que se unem na mesma fé em Cristo para contribuírem, de maneira única e insubstituível, para a unidade, a fraternidade e a paz entre os povos e países do Continente” (n. 213).

B.M.

domingo, 11 de maio de 2008

CNBB publica diretrizes de evangelização

Brasília, terça-feira, 6 de maio de 2008 (ZENIT.org)

As edições CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) lançam, neste mês de maio, o documento sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no país para os anos 2008 a 2010.

Segundo o organismo episcopal, as diretrizes têm, entre outros, os objetivos de delinear e promover a pastoral orgânica das dioceses, paróquias e realidades eclesiais.

O texto, em linha com as contribuições do Documento de Aparecida, foi aprovado na recente assembléia plenária da CNBB realizada em abril.

O documento pode ser encontrado nas Edições CNBB, pelo e-mail vendas@edicoescnbb.org.br ou pelo site www.edicoescnbb.org.br.