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terça-feira, 7 de julho de 2009

Encerramento do Ano Paulino

Na segunda-feira 29 de Junho às 19 horas a nossa comunidade teve a oportunidade de celebrar com uma missa o encerramento do Ano Paulino proposto pela Papa Bento XVI.

Na celelebração presidida pelo Pe. Eudes, dentre outros paroquianos destacavam-se na celebração os participantes do grupo de estudo das Cartas de São Paulo. Estes puderam viver com maior intensidade o desafio do Santo Padre, aprofundando-se no conhecimento do Apóstolo dos Povos.

Durante a homilia, o Pe. Eudes traçou resumidamente, mas com maestria, a trajetória do Apóstolo, com seus conflitos e desafios, chegando até à veneração que lhe tem sido prestada ao longo dos séculos.

Lembrou que, curiosamente, não há tanta devoção a São Paulo, apesar das tantas cartas que escreveu (e treze contidas na Bíblia) e de sua importância para o cristianismo. Não há muitas capelas com seu nome, por exemplo.

O Grupo de Estudo das Cartas de São Paulo se reuniu quase que ininterruptamente durante um ano com a frequência média de 12 membros.

Segundo Willy Monteiro, o grupo está disposto a continuar seus estudos mesmo com o encerramento do Ano Paulino, a fim de perpetuar os frutos que já têm surgido. Aguarde novas informações!




quarta-feira, 16 de julho de 2008

Homilia do Papa na abertura solene do Ano Paulino

Roma, segunda-feira, 30 de junho de 2008 (ZENIT.org).
Em O Porta-Voz, edição de Julho (Ano XXIII, Nº 01), foi publicado um extrato deste texto.

Publicamos a homilia que Bento XVI pronunciou na tarde do sábado, durante as primeiras vésperas da solenidade dos Santos apóstolos Pedro e Paulo, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, inauguração do Ano Paulino, com a participação do patriarca ecumênico de Constantinopla, Sua Santidade Bartolomeu I:


Santidade e delegados fraternos, senhores cardeais, venerados irmãos no Episcopado e no sacerdócio, queridos irmãos e irmãs,

Estamos reunidos diante do túmulo de São Paulo, que nasceu há dois mil anos em Tarso de Cilícia, na atual Turquia. Quem era esse Paulo? No templo de Jerusalém, frente à multidão agitada que queria matá-lo, ele se apresenta com estas palavras: «Eu sou judeu, nascido em Tarso de Cilícia, mas educado nesta cidade, instruído aos pés de Gamaliel na exata observância da Lei de nossos pais; estava cheio de zelo por Deus». No final de seu caminho, ele dirá de si: «Eu fui constituído arauto e apóstolo, mestre dos gentios, apóstolo e pregador de Jesus Cristo»; assim ele caracteriza a si mesmo em uma visão retrospectiva do percurso de sua vida. Mas com isso, o olhar não se dirige ao passado. «Mestre dos gentios» – esta palavra se abre para o futuro, para todos os povos e todas as gerações. Paulo não é para nós uma figura do passado, que recordamos com veneração. Ele é também nosso mestre, apóstolo e anunciador de Jesus Cristo também para nós.

Portanto, estamos reunidos não para refletir sobre uma história passada, irrevogavelmente superada. Paulo quer falar conosco hoje. Por isso eu quis convocar este especial «Ano Paulino»; para escutá-lo e aprender agora dele, como nosso mestre, na fé e na verdade, na qual estão radicadas as razões da unidade entre os discípulos de Cristo. Nesta perspectiva eu quis acender, para este bi-milênio do nascimento do Apóstolo, uma especial «chama paulina», que permanecerá acesa durante todo o ano, em um círio especial colocado no pórtico da basílica. Para solenizar este acontecimento, inaugurei também a chamada «Porta Paulina», através da qual entrei na basílica acompanhado pelo patriarca de Constantinopla, o cardeal arcipreste e por outras autoridades religiosas.

É para mim motivo de uma íntima alegria que a abertura do Ano Paulino assuma um particular caráter ecumênico pela presença de numerosos delegados e representantes de outras igrejas e comunidades eclesiais, que acolho com o coração aberto. Saúdo em primeiro lugar Sua Santidade o patriarca Bartolomeu I e os membros da delegação que o acompanha, assim como o nutrido grupo de leigos de várias partes do mundo que vieram a Roma para viver com ele e com todos nós estes momentos de oração e de reflexão. Saúdo os Delegados Fraternos das Igrejas que têm um vínculo particular com o apóstolo Paulo – Jerusalém, Antioquia, Chipre, Grécia – e que formam o ambiente geográfico da vida do Apóstolo antes de sua chegada a Roma. Saúdo cordialmente os Irmãos das diversas Igrejas e Comunidades eclesiais do Oriente e do Ocidente: junto a todos vós eu quis fazer parte deste início solene do ano dedicado ao Apóstolo dos Gentios.

Estamos, então, reunidos para interrogar-nos sobre o grande Apóstolo dos gentios. Nós não nos perguntamos somente «Quem era Paulo?». Nós nos perguntamos sobretudo: «Quem é Paulo? O que ele me diz?». Nesta hora do início do Ano Paulino que estamos inaugurando, quero escolher do rico testemunho do Novo Testamento três textos nos quais aparece sua fisionomia interior, o específico de seu caráter. Na Carta aos Gálatas, ele nos doou uma profissão de fé muito profissional, na qual ele abre seu coração frente aos leitores de todos os tempos e revela qual é a fonte mais íntima de sua vida: «Vivo na fé do Filho de Deus que me amou e se entregou por mim». Tudo aquilo que Paulo faz parte deste centro. Sua fé é a experiência do ser amado por Jesus Cristo de maneira totalmente pessoal; é a consciência do fato de que Cristo enfrentou a morte não por algo anônimo, mas por amor a ele – Paulo – e que, como resultado, Ele o ama ainda, Cristo se doou por ele. Sua fé é o ser alcançado pelo amor de Jesus Cristo, um amor que o perturba até o mais íntimo e o transforma. Sua fé não é uma teoria, uma opinião sobre Deus ou sobre o mundo. Sua fé é o impacto do amor de Deus sobre seu coração. E assim, esta mesma fé é amor por Jesus Cristo.

Por muitos, Paulo é apresentado como um homem combativo que sabe usar a espada da palavra. De fato, sobre seu caminho de apóstolo não faltaram as disputas. Ele não buscou uma harmonia superficial. Em sua primeira carta, aquela dirigida aos tessalonicenses, o mesmo diz: «tivemos a valentia de pregar-vos o Evangelho de Deus entre freqüentes lutas... Nunca nos apresentamos, bem o sabeis, com palavras aduladoras, nem com pretextos de cobiça...». A verdade era para ele grande demais para estar disposto a sacrificá-la em vista de um êxito exterior. A verdade que havia experimentado no encontro com o Ressuscitado fazia a luta, a perseguição e o sofrimento valerem a pena para ele. Mas o que o motivava no mais profundo era o ser amado por Jesus Cristo e o desejo de transmitir a outros esse amor. Paulo era alguém capaz de amar, e todo seu atuar e sofrer se explicam a partir deste centro. Os conceitos fundados em seu anúncio se compreendem unicamente com base nisso. Tomemos somente uma de suas palavras-chaves: a liberdade. A experiência do ser amado até o final por Cristo lhe havia aberto os olhos sobre a verdade e sobre o caminho da existência humana – essa experiência abraçava tudo. Paulo era livre como homem amado por Deus que, em virtude de Deus, tinha a capacidade de amar junto com Ele. Este amor é agora a «lei» de sua vida e justamente assim é a liberdade de sua vida. Ele fala e atua movido pela responsabilidade do amor; ele é livre, e dado que é alguém que ama, ele vive totalmente na responsabilidade desse amor e não toma a liberdade como pretexto para o arbítrio e o egoísmo. No mesmo espírito, Agostinho formulou a frase depois famosa: «Ama e faze o que queres». Quem ama a Cristo como Paulo o amou, pode verdadeiramente fazer o que quer, porque seu amor está unido à vontade de Cristo, e por isso, à vontade de Deus; porque a vontade está ancorada na verdade e porque sua vontade não é mais que simplesmente sua vontade, árbitro de seu eu autônomo, mas está integrada à liberdade de Deus e dela recebe o caminho a ser percorrido.

Na busca da fisionomia interior de São Paulo, quero, em segundo lugar, recordar a palavra que Cristo ressuscitado lhe dirige no caminho de Damasco. Antes o Senhor lhe pergunta: «Saulo, Saulo, por que me persegues?». Ele responde: «Quem és, Senhor?». E lhe é dada a resposta: «Eu sou Jesus, a quem tu persegues». Perseguindo a Igreja, Paulo persegue o próprio Jesus. «Tu me persegues». Jesus se identifica com a Igreja em um só sujeito. Nesta exclamação do ressuscitado, que transformou a vida de Saulo, no fundo está contida toda a doutrina sobre a Igreja como Corpo de Cristo. Cristo não se retirou no céu, deixando sobre a terra uma seqüela de seguidores que levam sua causa adiante. A Igreja não é uma associação que quer promover uma certa causa. Nela não se trata de uma causa. Nela se trata da pessoa de Jesus Cristo, que também como Ressuscitado permaneceu «carne». Ele tem carne e ossos», afirma o Ressuscitado em Lucas, frente aos discípulos que o haviam considerado um fantasma. Ele tem um corpo. Está pessoalmente presente na Igreja, «Cabeça e Corpo» formam um único sujeito, diria Agostinho. «Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo?», escreve Paulo aos Coríntios. E acrescenta que como, segundo o Livro do Gênesis, o homem e a mulher se tornam uma só carne, assim Cristo com os seus se torna um só espírito, um único sujeito no mundo novo da ressurreição. Em tudo isso, visualiza-se o mistério eucarístico, no qual Cristo doa continuamente seu Corpo e faz de nós seu Corpo: «o pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo? Porqu e ainda sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, pois todos participamos de um só pão». Com estas palavras se dirige a nós, neste momento, não só Paulo, mas o próprio Senhor: Como haveis podido lacerar meu Corpo? Frente ao rosto de Cristo, esta palavra se converte ao mesmo tempo em uma petição urgente: volta a unir-nos depois de todas as divisões; faz que hoje se torne novamente realidade: há um só pão; portanto, nós, apesar de sermos muitos, somos um só corpo. Para Paulo, a palavra «Igreja» como Corpo de Cristo não é uma comparação qualquer. Vai muito mais além de uma comparação. «Por que me persegues? Continuamente, Cristo nos atrai para seu Corpo, edifica seu Corpo a partir do centro eucarístico, que para Paulo é o centro da existência cristã, em virtude do qual todos, como também cada indivíduo, podemos experimentar de maneira totalmente pessoal: Ele me amou e se entregou por mim.

Quero concluir com uma palavra tardia de São Paulo, uma exortação a Timóteo desde a prisão, frente à morte. «Suporta comigo os sofrimentos pelo Evangelho», diz o Apóstolo a seu discípulo. Esta palavra, que está no final dos caminhos percorridos pelo apóstolo como um testamento, leva-nos para trás, ao começo de sua missão. Depois do seu encontro com o ressuscitado, Paulo se encontrava cego em seu quarto em Damasco; Ananias recebeu a tarefa de ir até o perseguidor temido e impor-lhe as mãos, para que recuperasse a vista. À objeção de Ananias que este Saulo era um perseguidor perigoso dos cristãos, é dada a resposta: «Este homem deve levar meu nome aos gentios, aos reis e aos filhos de Israel. Eu lhe mostrarei tudo o que terá de padecer por meu nome». A missão do anúncio e o chamado ao sofrimento por Cristo estão inseparavelmente unidos. O chamado a ser o mestre dos povos é ao mesmo tempo e intrinsecamente um chamado ao sofrimento na comunhão com Cristo, que nos redimiu mediante sua Paixão. Em um mundo no qual a mentira é potente, a verdade se paga com o sofrimento. Quem quer evitar o sofrimento, afastá-lo de si, tem afastada a própria vida e sua grandeza; não pode ser servidor da verdade e, assim, servidor da fé. Não há amor sem sofrimento, sem o sofrimento da renúncia de si mesmos, da transformação e purificação do eu pela verdadeira liberdade. Onde não há nada que valha que se sofra por isso, também a própria vida perde seu valor. A eucaristia – o centro de nosso ser cristão – se funda no sacrifício de Jesus por nós, nasceu do sofrimento do amor que na cruz encontrou seu cume. Nós vivemos desse amor que doa. Isso nos dá a valentia e a força de sofrer com Cristo e por Ele, dessa forma, sabendo que justamente assim nossa vida se torna grande, madura e verdadeira. À luz de todas as cartas de São Paulo, vemos como em seu caminho de mestre dos povos se cumpriu a profecia de Ananias na hora do chamado: «Eu lhe mostrarei tudo o que terá de padecer por meu nome». Seu sofrimento o torna confiável como mestre de verdade, que não busca seu próprio proveito, a própria glória, o prazer pessoal, mas se empenha por Aquele que nos amou e se entregou por todos nós.

Nesta hora na qual agradecemos o Senhor porque chamou Paulo, tornando-o luz dos povos e mestre de todos nós, oramos: Dai-nos também hoje o testemunho da ressurreição, tocai-nos com vosso amor e fazei-nos capazes de levar a luz do Evangelho em nosso tempo. São Paulo, rogai por nós. Amém.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Ano Paulino

Por Dom Eurico dos Santos Veloso, arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora (MG)
Fonte: website da CNBB

No próximo dia 28, a Igreja vai celebrar até o dia 29 de 2009, o Ano Paulino: a comemoração dos 2.000 anos do nascimento do Apóstolo Paulo que nos é conhecido melhor do que qualquer outro Apóstolo, sobretudo por suas Epístolas e pelos Atos dos Apóstolos.

Paulo era judeu, da tribo de Benjamim, nascido em Tarso, mas era igualmente cidadão romano, por direito, segundo ele próprio o declara, quando foi açoitado na prisão em Filipos (cf. At. 16,34), e em Jerusalém (cf. 22,25-29).

De personalidade marcante, firme em suas convicções, de sólida formação religiosa, segundo a doutrina dos fariseus, recebida de Gamaliel, opôs-se tenazmente à mensagem de Cristo e, no seu zelo religioso, perseguia até à morte os seguidores desta doutrina (cf. Fil.3,4-6). A seus pés foram depositadas as vestes de Estevão, quando apedrejado entregava seu espírito a Deus (cf. Atos 7,5, 8).

A caminho de Damasco com cartas para trazer a Jerusalém prisioneiros seguidores daquela doutrina, foi “alcançado por Jesus” (cf. Fil. 3,12). Não foi só uma visão (cf. 1Cor 9,1). Foi uma revelação em seu coração para fazer brilhar o conhecimento da Glória de Deus, que resplandecia na face de Cristo (cf. 2 Cor. 4,6).

A partir deste acontecimento “não consultei carne nem sangue, nem subi a Jerusalém aos que eram apóstolos antes de mim...” apenas partiu para sua missão, a ponto de apenas “ouvimos dizer: quem outrora nos perseguia agora evangeliza a fé que antes devastava” (cf. Gal. 1, 15-24). Saiu a anunciar Cristo, o Filho de Deus.

Destaca-se na missão de Paulo a universalidade. Quando o Senhor Jesus, em visão, ordenou a Ananias que procurasse Paulo, ante a estupefação deste, lhe disse: “vai, porque este homem para mim será um vaso de eleição a fim de anunciar o meu nome diante das nações pagãs, dos reis e dos filhos de Israel“(cf. Atos 9, 15). A pregação de Paulo é para os judeus e gregos, para bárbaros e cultos, ele que se “fez tudo para todos a fim de salvar alguns a todo o custo” (cf. 1Cor. 9, 19-23).
A sua dedicação é total. Forçado a defender-se, perante a Comunidade, em face dos que se lhe opunham, expõe seus trabalhos na evangelização: as perseguições e perigos a que levou a pregação do Evangelho(cf. 2Cor. 11). Mas dela não se gloria, ”com todo o ânimo prefiro gloriar-me das minhas fraquezas para que pouse sobre mim a força de Cristo” (cf. 2Cor. 12,9).

Paulo não evangelizava sozinho. Fundada uma Igreja, acompanhava com seus companheiros o seu crescimento. Trabalhava com eles. Amava os evangelizados com o carinho de mãe. Tinha em seu coração a solicitude de todas as comunidades.

Ainda neste último domingo, no Evangelho Jesus falava a seus discípulos “não tenham medo”. Paulo jamais vacilou: nos trabalhos, nas vigílias, nas perseguições e nas cadeias até o suplício final. Perseguido por pagãos e pelos de sua raça, confiava no Espírito que lhe punha as palavras na sua boca diante dos juízes.

Seduzido por Cristo, deixou-se seduzir. A Palavra de Deus ardia no seu coração. Tinha dúvidas se para ele era melhor ficar e pregar o Evangelho ou ir para unir-se em definitivo com Cristo, naquele amor que persiste para sempre, como cantou no seu Hino à caridade.

Combateu o combate. Guardou a fé que com firmeza anunciava e defendia. Por isso recebeu a coroa que lhe estava reservada, como e a todos que guardam a fé a fazem brilhar nas trevas deste mundo.

Hoje, a Igreja nos remete a uma reflexão sobre nossa vocação missionária. Como para Paulo, a seara é imensa e diversificada, sobretudo na multiplicidade de falsas doutrinas, como previra o Apóstolo a seu discípulo Timóteo.

Guardemos também nossa fé e a anunciemos ao mundo sem temor porque também a nós assiste-nos o Espírito Santo até o fim dos tempos, até recebermos também a coroa destinada a todos os que forem fiéis.

Ano Paulino

Por Dom Gil Antônio Moreira, Bispo de Jundiaí (SP)
Fonte: website da CNBB

Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo, como ele mesmo se intitula, será lembrado especialmente durante um ano, a partir do dia 28 de junho próximo. A decisão vem do Santo Padre, o Papa Bento XVI, com o objetivo de celebrar os dois mil anos de nascimento do primeiro grande missionário da fé cristã.

Muitas atividades litúrgicas, acadêmicas, culturais e devocionais serão desenvolvidas em todas as partes do mundo cristão, com destaque para as celebrações na cidade de Roma, onde se encontra o túmulo do Apóstolo, na basílica São Paulo Fora dos Muros. O Sumo Pontífice associou a algumas destas celebrações a indulgência plenária aos fiéis que delas participarem. A celebração é ocasião propícia para um aprofundamento dos estudos da Palavra de Deus contida na Bíblia, da qual faz parte o chamado Corpus Paulinum, com treze cartas atribuídas ao Apóstolo dos Gentios.

Paulo, cujo nome na versão hebraica é Saulo, nasceu em Tarso, na Cilícia, hoje território da Turquia, entre os anos 7 e 10, segundo a grande maioria dos historiadores. Filho de pais judeus da diáspora, estudou em escola grega e por isso tinha como língua materna este idioma. Mas também foi formado em doutrina judaica, em Jerusalém, onde passou parte de sua juventude, na famosa escola do Rabino Gamaliel. Assim seria fluente também na língua aramaica. Era fariseu, homem culto, de espírito empreendedor, de uma têmpera singular em tudo o que fazia.

Inicialmente, ferrenho perseguidor dos cristãos, a partir de uma experiência mística, converte-se ao cristianismo no caminho de Damasco, para onde ia com cartas das autoridades para aprisionar cristãos. Ele mesmo afirma ter ouvido a voz de Cristo Ressuscitado, vinda do céu, que clamava: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”. (At.9,1-22). A partir de então, torna-se intrépido apóstolo e missionário do Senhor.

São Paulo é considerado o primeiro teólogo do cristianismo, sendo seus textos, básicos para toda a teologia posterior. Foi o primeiro escritor da fé cristã, através de cartas que enviava às comunidades, a fim de ensinar, animar a fé, corrigir distorções doutrinais e reconduzir ao bom caminho os que moralmente claudicassem.

Com relação ao Corpus Paulinum do Novo Testamento, há, entre os exegetas, certas incertezas a respeito da autoria de algumas cartas, podendo ter sido escritas posteriormente por discípulos, fiéis à doutrina pregada por Paulo. É o caso das chamadas cartas pastorais, ou sejam I e II Timóteo e a carta a Tito. Grande parte dos autores atualmente inclui entre as dêutero-paulinas, também Efésios, Colossenses e a 2ª Tessalonicenses. Se isto for comprovado, todas estas teriam sido escritas após a morte de Paulo, acontecida por volta do ano 67. Pertencem ao grupo das proto-paulinas, ou seja, de comprovada autoria de Paulo, as demais, a saber, Romanos, Gálatas, 1ª Tessalonicenses, 1ª e 2ª Coríntios, Filipenses e Filêmon.

Sobre a datação das cartas de Paulo, a definição é sempre aproximativa. A mais antiga teria sido a 1ª Tessalonicenses, escrita da cidade de Corinto, por volta do ano 51. Depois viriam as cartas aos Coríntios, a primeira escrita da cidade de Éfeso, no ano 55 e a segunda enviada de alguma cidade da Macedônia, entre 55 e 57. Há suficiente certeza de que Paulo tenha escrito mais duas cartas aos coríntios, que até o momento se encontram desaparecidas. A carta aos Gálatas teria sido escrita entre 55 e 60, embora alguns afirmem que possa ter sido esta a primeira carta escrita por Paulo. A carta aos Romanos provavelmente teria sido redigida no ano 57, na cidade de Corinto, endereçada aos cristãos da capital do Império. A carta aos Filipenses é datada entre 53 a 58.

Até anos atrás, se considerava também a chamada carta aos Hebreus como possivelmente de Paulo. Hoje nenhum autor afirma mais isto e comumente se diz que não se trata propriamente de uma carta, mas de um texto catequético em defesa da fé.

Sobre a vida e a ação missionária de Paulo, nos dá muitas informações também o livro dos Atos dos Apóstolos, escrito por Lucas, provavelmente entre os anos 61 e 63, ou mais tardiamente. Tal livro termina a narração abruptamente e não se refere à condenação de Paulo à morte, o que dá idéia de ser um livro inacabado, redigido antes do seu martírio.

A celebração do Ano Paulino, cuja abertura será dia 28 de junho corrente e término em 29 de junho de 2009, tem como principal objetivo a evangelização. Todos estamos em processo de evangelização contínua, católicos e não católicos, e somos chamados a comunicar o evangelho de Cristo, morto e ressuscitado, aos que ainda não crêem e aprofundá-lo no coração dos que já crêem.

Talvez, a palavra mais incisiva para a vivência deste ano jubilar, seja a de Paulo aos Coríntios: «Ai de mim, se eu não evangelizar!» (1 Cor 9,16).

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Começa o Ano Paulino

No dia 28 de junho do ano passado (como publicado no Porta-Voz), o papa Bento XVI anunciou o Ano Paulino, um ano dedicado a São Paulo, em comemoração aos 2000 anos do nascimento desse apóstolo. O Ano Paulino começará no dia 28 de junho deste ano e se encerrará no dia 29 de junho de 2009.

Segundo o Pe. José Bortolini, ssp, “o Ano Paulino pretende chamar a atenção para esse campeão da fé e da evangelização fora da Palestina. É uma oportunidade para conhecer melhor a vida do apóstolo Paulo e suas cartas, uma ocasião para criar laços de amizade com ele, sentir profundamente sua paixão pelo Senhor Jesus, paixão expressa no amor à evangelização. Quem ama Jesus não deixa de anunciá-lo.”

Como comemorar? O próprio Papa ao anunciar o Ano Paulino deu várias sugestões: “poderá ter lugar uma série de eventos litúrgicos, culturais e ecumênicos, como também várias iniciativas pastorais e sociais, todas elas inspiradas na espiritualidade paulina. Além disso, uma especial atenção poderá ser prestada às peregrinações, que de várias partes virão de forma penitencial ao túmulo do Apóstolo para encontrar a renovação espiritual. Também serão promovidos Congressos de estudos e especiais publicações sobre os textos paulinos, a fim de fazer conhecer cada vez mais a imensa riqueza do ensinamento contido neles, verdadeiro patrimônio da humanidade redimida por Cristo”. Quem quiser se aprofundar mais sobre São Paulo, além dos inúmeros livros que estão sendo publicados para comemorar este Ano Jubilar, pode começar pela própria Bíblia, no livro dos Atos dos Apóstolos, a partir do capítulo 9.

Ao decorrer dos próximos meses, O Porta-Voz estará publicando artigos sobre São Paulo, para que conheçamos mais sobre esse Apóstolo que nas suas cartas nos deixou um convite: "Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo" (1 Cor 11, 1).

B.M

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Papa concede Indulgência Plenária por ocasião do Ano Paulino

Cidade do Vaticano, 10 mai (RV)
Fonte: Radio Vaticano

Bento XVI concede a indulgência plenária por ocasião do Ano Paulino, proclamado para celebrar os dois mil anos de nascimento de São Paulo. A Penitenciaria Apostólica publicou hoje o relativo decreto, que abrange o período que vai de 28 de junho próximo até 29 de junho de 2009, Solenidade dos Santos Pedro e Paulo.

Pode-se lucrar a indulgência para si mesmo ou para os defuntos, visitando, em forma de peregrinação, a Basílica papal de São Paulo fora dos Muros, em Roma. São necessárias as habituais condições: a confissão, a comunhão e a oração segundo as intenções do papa, praticadas com espírito de arrependimento e destacado de todo pecado, mesmo venial.

O decreto estabelece ainda que podem obter a indulgência plenária também os fiéis das várias igrejas locais que, satisfeitas as costumeiras exigências, "participarem devotamente de uma função sacra ou de um piedoso exercício publicamente realizados em honra do Apóstolo dos Gentios, nos dias da abertura solene e do encerramento do Ano Paulino, em todos os lugares sagrados, e em outros dias determinados pelo Bispo local, nos lugares sagrados intitulados a São Paulo, e, para a utilidade dos fiéis, em outros lugares designados pelo mesmo Bispo".

A indulgência plenária é concedida também aos fiéis que, "impedidos por doença ou outra causa legítima e relevante" e com o propósito de satisfazer as habituais condições tão logo for possível, se unirem espiritualmente a uma celebração jubilar em honra a São Paulo, oferecendo a Deus as suas orações e sofrimentos pela unidade dos cristãos. (PL/BF)